- Fatores baixistas
- Ata da decisão do Copom e Relatório de Política Monetária devem reforçar a perspectiva de juros mais altos por mais tempo no Brasil, o que pode favorecer a atração de investimentos estrangeiros e fortalecer o real.
- Alta do IPCA-15 pode piorar as expectativas inflacionárias para o Brasil e reforçar a perspectiva de novas altas para a taxa básica de juros (Selic), o que contribui para atrair investimentos estrangeiros e tende a fortalecer o real.
- Fatores altistas
- Índice PCE pode reforçar percepção de uma inflação mais persistente nos EUA, o que tende a ampliar as apostas de que os juros americanos se manterão mais altos por mais tempo, fortalecendo o dólar globalmente.
Resumo da semana passada
A semana foi marcada pelas decisões de juros do Federal Reserve, que apontou para um cenário de maior incerteza, inflação mais persistente e crescimento mais baixo para os EUA, e do Banco Central do Brasil, que manteve o alerta sobre os riscos inflacionários no Brasil e sinalizou novo aumento para a Selic em maio.
A taxa de câmbio do real terminou a sessão desta sexta-feira (21) cotada a 5,7156, recuo semanal de 0,5%, mensal de 3,4% e anual de 7,5%. Já o dollar index fechou o pregão desta sexta cotado a 104,1 pontos, variação de +0,4% na semana, de -3,2% no mês e de -3,7% no ano.
Dólar comercial (US$/R$) e Dollar Index (pontos)
Fonte: StoneX cmdtyView. Elaboração: StoneX.
O MAIS IMPORTANTE: Ata da decisão do Copom e Relatório de Política Monetária
Impacto esperado no USDBRL: baixista
No Brasil, os investidores devem aguardar pela divulgação, na terça-feira (25), da ata da última decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), em que o Comitê optou por elevar a taxa básica de juros (Selic) de 13,25% ao ano para 14,25% ao ano, tal como amplamente antecipado pelos investidores. Já a inclusão no comunicado de uma provável nova elevação da Selic, em menor magnitude, na reunião de maio surpreendeu parte dos analistas. De acordo com o colegiado, a continuidade do ciclo de alta se justifica “diante da persistência de um cenário adverso para a convergência da inflação, da elevada incerteza e das defasagens inerentes ao atual ciclo de aperto monetário”. Além disso, o Copom voltou a mencionar que os indicadores recentes de atividade econômica e do mercado de trabalho ainda indicam dinamismo, “embora alguns sinais apontem para uma moderação incipiente do crescimento”. Diante disso, investidores devem buscar na ata da decisão por sinais a respeito de como o colegiado enxerga o seu balanço de riscos, especialmente considerando como pretende atuar diante de um cenário de inflação persistente, mas com "sinais incipientes" de desaceleração da economia.
Adicionalmente, o Banco Central publicará, na quinta-feira (27), o Relatório de Política Monetária, que substitui o Relatório Trimestral de Inflação, o documento mais completo da instituição de análise do ambiente macroeconômico nacional e externo e com projeções para as principais variáveis para os próximos anos. A publicação será seguida de entrevista coletiva do presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, e do diretor de política econômica, Diogo Guillen.
Tanto o tom da ata do Copom quanto as falas dos dirigentes do BC devem ser firmes em relação ao compromisso da autoridade monetária com o objetivo de estabilização de preços, o que deve consolidar expectativas de novos aumentos para a taxa básica de juros ao longo de 2025 e contribuir para o fortalecimento do real.
Inflação nos EUA
Impacto esperado no USDBRL: altista
Na semana passada, o ambiente foi de receio com uma potencial desaceleração da economia americana, tanto em função da aproximação da data em que diversas tarifas de importação do país entram em efeito, 02 de abril, como da decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed), que apontou para um cenário econômico mais incerto e com riscos maiores tanto de uma inflação mais elevada como de um crescimento menor nos EUA. Nesta semana, investidores devem observar o Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE) de fevereiro para calibrar apostas para a trajetória dos juros americanos, cuja mediana das estimativas aponta para nova alta de 0,3% tanto no indicador cheio como em seu núcleo, que exclui os voláteis grupos de alimentação e energia, assim como registrado em janeiro. Esse aumento mantém a inflação média anualizada dos últimos três meses acima dos 3,0% e, em tese, deve diminuir as apostas para cortes de juros pelo Fed neste ano. Contudo, esse efeito deve ser menor que o habitual, visto que o foco das preocupações dos investidores, nesse momento, é maior para a dinâmica produtiva do que para a dinâmica inflacionária.
Inflação no Brasil
Impacto esperado no USDBRL: baixista
No Brasil, merece destaque ainda o Índice de Preços ao Consumidor – 15 (IPCA-15) de fevereiro, cuja mediana das projeções aponta para uma alta de 0,7%. Tal resultado, caso se confirme, representaria uma desaceleração em comparação à elevação de 1,23% registrada em fevereiro, quando o índice atingiu a maior alta desde abril de 2022 (1,73%). No mês passado, o fim do “bônus de energia” de Itaipu impulsionou significativamente o indicador, contribuindo para um aumento de 16,33% na tarifa de energia elétrica em relação ao mês anterior, ao lado de reajustes no transporte público, nas mensalidades escolares e nos preços de combustíveis e alimentos. Embora se espere uma desaceleração para o indicador, a confirmação da projeção mediana de 0,7% resultaria em um aumento acumulado em 12 meses acima de 5% e, portanto, distante do teto da meta de inflação de 4,5% estipulada pelo Banco Central. Tal cenário pode agravar as perspectivas inflacionárias ao longo do ano, reforçando a possibilidade de elevações adicionais na taxa básica de juros (Selic), o que, por sua vez, tende a favorecer a atratitividade dos títulos brasileiro, estimulando a entrada de capitais estrangeiros e fortalecendo o real.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS
Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e StoneX cmdtyView.
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