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O que é um bushel?

Quem acompanha o mercado de soja, milho ou trigo provavelmente já se deparou com cotações expressas em dólares por bushel. Embora essa unidade de medida seja utilizada principalmente nos Estados Unidos, ela influencia diretamente a formação de preços no agronegócio brasileiro, já que as negociações desses produtos têm como principal referência a Bolsa de Chicago (CBOT). 

O bushel é uma unidade de medida tradicional do sistema norte-americano utilizada em commodities agrícolas como soja, milho e trigo. Como o Brasil utiliza o sistema métrico, produtores, cooperativas, tradings e indústrias costumam converter os valores divulgados em bushels para quilogramas, toneladas ou sacas de 60 kg

Destaques 

  • O bushel é a principal unidade utilizada na negociação de grãos na Bolsa de Chicago (CBOT). 
  • O peso varia conforme a commodity: um bushel de milho equivale a 25,40 kg, enquanto um bushel de soja ou trigo corresponde a 27,22 kg. 
  • Relatórios internacionais, contratos futuros e estimativas de safra dos Estados Unidos normalmente utilizam bushels como referência. 
  • Entender essa medida é fundamental para interpretar movimentos de preços e tendências do mercado global de grãos. 

História do bushel como unidade de medida 

O sistema imperial deriva do Sistema Inglês de Medidas, que evoluiu das tradições romanas, carolíngias e saxônicas. Na Idade Média, os agricultores utilizavam unidades volumétricas, como bushels e galões, para comercializar produtos agrícolas. Com o tempo, no entanto, o tamanho do bushel variava conforme a região e o tipo de produto medido. 

No início do século XIX, os sistemas de medição de commodities eram bastante variados e careciam de padronização. Os bushels foram originalmente baseados no “galão seco” (dry gallon) de 4,4 litros, mas diferentes versões existiam. Em 1824, o Ato de Pesos e Medidas britânico fixou o bushel em 8 galões imperiais (277,3 polegadas cúbicas). Atualizações posteriores refinaram essas medidas até o Ato de 1897 do Reino Unido, que permaneceu praticamente inalterado até depois da Segunda Guerra Mundial. 

Nos Estados Unidos, o sistema de medidas inglês permaneceu em uso até a Independência, em 1776. Depois disso, a Constituição concedeu ao Congresso o poder de estabelecer padrões para pesos e medidas. Mesmo assim, por muitos anos, as medidas usadas foram as mesmas da Inglaterra. Considerou-se a adoção do sistema métrico, mas nenhuma ação concreta ocorreu até 1832, quando o Departamento do Tesouro definiu oficialmente medidas-chave – como jardas, libras, galões e bushels – para fins alfandegários

Já no século XX, os padrões de bushel nos EUA variavam de estado para estado e, muitas vezes, eram baseados em peso (massa), e não em volume, dependendo da commodity. Essa inconsistência causava problemas em transações comerciais. Em 1905, o recém-criado National Bureau of Standards organizou uma reunião, hoje conhecida como Conferência Nacional de Pesos e Medidas (NCWM na sigla em inglês), para corrigir essas discrepâncias. 

Em 1915, surgiram as primeiras definições padronizadas, mas o bushel ainda não era uniforme nos diferentes mercados. A CBOT acabou adotando definições específicas para diferentes commodities: um bushel de milho passou a equivaler a 56 libras, enquanto um bushel de soja ou trigo passou a equivaler a 60 libras. Isso significa que o bushel é uma unidade volumétrica influenciada pela densidade e características do produto medido. 

Por que o bushel é importante para o agronegócio brasileiro? 

Embora produtores brasileiros comercializem soja e milho em sacas ou toneladas, boa parte das referências mundiais de preços é formada na Bolsa de Chicago. Por isso, as cotações divulgadas em bushels impactam diretamente os preços praticados nos portos, nas indústrias e no mercado físico nacional.  

Além disso, relatórios amplamente acompanhados pelo mercado, como os de oferta e demanda dos Estados Unidos, costumam apresentar estoques, produtividade e produção em bushels. Para interpretar corretamente esses dados e compará-los com a realidade brasileira, é necessário compreender as conversões para toneladas e sacas.  

Como converter bushel para toneladas e sacas no Brasil? 

As conversões mais utilizadas por participantes do mercado brasileiro são: 

Soja e trigo 

  • 1 bushel = 27,22 kg 
  • 1 tonelada = 36,74 bushels 
  • 1 saca de 60 kg = aproximadamente 2,20 bushels 

Milho 

  • 1 bushel = 25,40 kg 
  • 1 tonelada = 39,37 bushels 
  • 1 saca de 60 kg = aproximadamente 2,36 bushels 

Como o bushel é usado na agricultura? 

Nos Estados Unidos, o bushel é utilizado para medir e negociar commodities agrícolas a granel, como milho, soja, trigo, cevada e aveia. Como cada cultura possui densidade diferente, o peso equivalente de um bushel varia conforme o produto.  

Essa medida também é utilizada para reportar produtividade. Quando analistas norte-americanos informam que uma lavoura produziu determinado número de bushels por hectare, os participantes do mercado brasileiro normalmente convertem esses números para quilogramas por hectare ou toneladas por hectare para facilitar as comparações. 

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Como o bushel é usado como medida seca na agricultura? 

Nos EUA, os bushels são utilizados para medir a capacidade seca dos produtos, diferentemente do Reino Unido, onde podem ser usados para produtos secos e líquidos. 

Na agricultura, o bushel serve para quantificar commodities a granel como grãos, frutas e vegetais. Agricultores e comerciantes utilizam bushels para medir milho, trigo, soja, cevada e aveia. Como a densidade de cada grão varia, são usados equivalentes padronizados por peso: 

  • 1 bushel de milho = 56 lbs = 25,40 kg 
  • 1 bushel de trigo ou soja = 60 lbs = 27,22 kg 
  • 1 bushel de aveia = 32 lbs = 14,51 kg 
  • 1 bushel de cevada = 48 lbs = 21,77 kg 

Veja como o bushel se compara ao quilograma: 

 

Os bushels também são usados para medir e reportar produtividade durante a colheita. Por exemplo, uma lavoura de milho pode render 180 bushels por hectare, o que significa cerca de 11.297 kg de milho por hectare. Além disso, são usados no planejamento de armazenagem para calcular a capacidade de silos e contêineres

Nos mercados de commodities, como a CBOT, os preços agrícolas são cotados em bushels. Por exemplo, os preços futuros do trigo podem ser cotados em US$ 5,53 por bushel. 

A importância do bushel na precificação dos grãos 

Os contratos futuros negociados na Bolsa de Chicago são cotados em centavos de dólar por bushel. Por exemplo, quando a soja ou o milho registram alta na CBOT, o movimento tende a influenciar os preços internacionais da commodity e, consequentemente, as referências utilizadas no Brasil. 

Por isso, produtores, exportadores, cooperativas e indústrias acompanham diariamente as movimentações em Chicago para tomar decisões relacionadas à comercialização, fixação de preços e gestão de riscos

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Quais setores utilizam o bushel como unidade padrão de medida? 

O bushel é usado principalmente no setor agrícola, especialmente por produtores de grãos e sementes. Também é empregado nos mercados de commodities agrícolas para padronizar a precificação de determinados produtos. 

indústria de processamento de alimentos também utiliza bushels ao estimar quantidades de matérias-primas, como trigo ou milho. Já setores envolvidos em pesquisas relacionadas à agricultura podem usar bushels ao avaliar produtividade das lavouras ou estoques

Como o bushel se compara a outras medidas de volume seco no comércio global? 

Diferentemente das unidades baseadas no sistema métrico, como quilogramas ou toneladas, que são usadas globalmente e fazem parte do Sistema Internacional de Unidades (SI, na sigla em inglês), o bushel integra o sistema de medidas norte-americano. Nos mercados globais, o sistema métrico é a unidade mais comum, portanto produtos vendidos em bushels nos Estados Unidos frequentemente precisam ser convertidos para unidades métricas no comércio internacional

Quais são os desafios do uso do bushel nos mercados internacionais? 

Os principais desafios de usar o bushel no comércio internacional estão relacionados às inconsistências na definição dessa unidade em diferentes países ou regiões. 

Por exemplo, o bushel norte-americano – conhecido como Winchester bushel – é definido como 35,24 litros, enquanto o bushel britânico – conhecido como bushel imperial – é ligeiramente maior, com 36,37 litros. O bushel imperial também é utilizado no Canadá. Essas variações podem gerar discrepâncias no comércio internacional, especialmente em regiões como Europa ou Ásia, que normalmente não utilizam bushels. 

Outro desafio é que o peso de um bushel pode variar conforme a densidade da commodity. Por exemplo, como vimos nas tabelas acima, um bushel de milho pesa mais que um bushel de trigo. Essa falta de padronização dificulta a comparação de volumes de negociação ou preços entre diferentes culturas. 

Principais pontos a considerar para empresas que utilizam bushels em contratos comerciais 

A seguir, alguns aspectos importantes para quem inclui bushels em contratos de negociação: 

  • Defina claramente o padrão de bushel: Como a medida pode variar entre países ou regiões (por exemplo, bushel Winchester nos EUA x bushel imperial no Reino Unido), é essencial especificar qual padrão está sendo usado no contrato. 
  • Converta para unidade métrica: Pode ser vantajoso converter bushels em toneladas métricas ou quilogramas para evitar confusões ou disputas em mercados que não utilizam esse sistema. Isso ajuda a garantir entendimento entre todas as partes. 
  • Considere o teor de umidade: A umidade pode impactar a qualidade e o peso de produtos agrícolas, especialmente culturas como trigo ou milho. Inclua cláusulas que determinem um padrão de umidade e como será feito o ajuste do valor caso este não seja atendido. 

Como as oscilações de preços baseados em bushels afetam as decisões na cadeia de suprimentos? 

As flutuações de preços baseadas em bushels podem impactar as decisões da cadeia de suprimentos, influenciando quando e quanto uma empresa decide comprar, armazenar ou vender uma commodity. 

Por exemplo, se o preço do trigo subir, as empresas podem optar por reduzir compras ou adiar os pedidos para evitar custos mais altos. Por outro lado, se os preços caírem, pode ser interessante comprar mais para aproveitar as cotações mais baixas. Para produtores e agricultores, soluções como gestão de risco para trigo podem ajudar a mitigar riscos associados a variações de preço, oscilações cambiais e mudanças na oferta e demanda. 

Principais pontos para empresas brasileiras que negociam commodities 

  • Converter corretamente bushels para toneladas ou sacas evita erros de interpretação em contratos e análises de mercado.  
  • É importante verificar qual padrão de bushel está sendo utilizado nos documentos internacionais.  
  • O acompanhamento das cotações em bushels ajuda empresas a monitorar tendências globais de preços e oportunidades comerciais.  
  • Informações de produtividade, estoques e exportações divulgadas pelos Estados Unidos geralmente exigem conversão para a realidade brasileira. 

Este material tem caráter meramente informativo e não deve ser considerado como recomendação de investimento ou recomendação pessoal.

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