Câmbio começa a quarta em alta, cotado ao redor de R$ 5,57
Dólar deve refletir IPCA de setembro e ata do FOMC
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,57 (+0,7%)
▲ Dollar Index (DXY): ~102,8 pontos (+0,3%)
O mercado de divisas deve repercutir a aceleração do IPCA de setembro, embora sua composição tenha sido mais “benigna”, enquanto investidores aguardam pela ata da última decisão de política monetária do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve (Fed), de 18 de setembro.
Agenda do dia (horário de Brasília):
• Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de setembro (IBGE) – 09h00min.
• Palestra da presidente do Federal Reserve de Dallas, Lorie Logan – 10h15min.
• Palestra do presidente do Federal Reserve de Richmond, Tom Barkin – 11h30min.
• Palestra do presidente do Federal Reserve de Chicago, Austan Goolsbee – 11h30min.
• Palestra do presidente do Federal Reserve de Nova Iorque, John Williams – 12h00min.
• Palestra do vice-presidente do Federal Reserve, Phillip N. Jefferson – 13h30min.
• Fluxo cambial semanal (BC) – 14h30min.
• Índice de Commodities Brasil (IC-Br) de setembro (BC) – 14h30min.
• Ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), realizada em 17 e 18 de setembro – 15h00min.
• Palestra da presidente do Federal Reserve de Boston, Susan Collins – 18h00min.
• Palestra da presidente do Federal Reserve de São Francisco, Mary Daly – 19h00min.
Alta do IPCA de setembro O dólar negociado no mercado interbancário apresentava tendência de elevação nas primeiras operações desta quarta-feira, quando era negociado ao redor de R$ 5,57 (10h20min). O principal guia para a sessão de hoje deve ser a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de setembro. Apesar do aumento ligeiramente abaixo da mediana das estimativas, o índice cheio acelerou significativamente com relação ao mês de agosto, indicando alta de 0,44%, frente desaceleração de 0,02% no mês anterior. A maior inflação em setembro foi impulsionada, principalmente, pelo aumento nos custos de energia elétrica, como resultado da adoção da bandeira tarifária vermelha patamar 1 em função da severa seca no país. Com a divulgação de hoje, o índice acumula alta de 3,31% no ano e 4,42% nos últimos 12 meses. Dessa forma, os preços administrados, composto por itens de maior sensibilidade a fatores de oferta e que incluem os custos de energia elétrica, avançaram 1,01% no mês. Em contraposição, o núcleo do indicador, que exclui os voláteis componentes de alimentação e energia, apresentou desempenho compatível com uma leitura benigna, avançando 0,16% no período, em contraste com 0,21% no mês anterior, ao passo que os itens de serviços avançaram moderadamente em 0,13%. Nesse sentido, entende-se que o avanço do indicador este mês mostrou-se controlado, com componentes de custo avançando e de serviços mantendo-se relativamente estáveis. Apesar dessa interpretação, a reaceleração do indicador acende um alerta para o Banco Central e, portanto, eleva tanto as expectativas inflacionárias como as apostas para um ritmo rápido de aperto monetário pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. A perspectiva de juros mais elevados no Brasil torna os títulos domésticos mais rentáveis e contribuem na atração de investimentos estrangeiros, fortalecendo o real.
IPCA acumulado em 12 meses segundo agrupamentos selecionados (%)

Fonte: Banco Central do Brasil. Elaboração: StoneX.
Ata do FOMC O mercado de divisas pode repercutir, também, a divulgação da ata da última decisão de política monetária do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve, às 15h00min. Nas últimas semanas, as apostas de investidores para a trajetória dos juros americanos flutuaram consideravelmente, em particular após a sequência de dados mais aquecidos para a economia do país, na semana passada. Esta volatidade das expectativas é, em grande medida, resultado da atuação do Federal Reserve, que surpreendeu ao realizar um corte de juros de 50 pontos-base na sua decisão de 18 de setembro e transpareceu, em diversas comunicações, uma preocupação significativamente mais elevada com o enfraquecimento do mercado de trabalho do que com a resiliência inflacionária. Nesse sentido, a ata dessa decisão deve ajudar a esclarecer como foi o debate dentro do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), qual foi o grau de consenso para a redução de 0,50 p.p. e quais foram os argumentos favoráveis e contrários a ela, bem como fornecer pistas sobre quais serão os critérios que podem levar o Comitê a repetir um novo corte mais agressivo. Contudo, seus efeitos podem ser limitados por conta do tempo transcorrido entre a decisão e a publicação do documento, sempre de 21 dias, o que a torna um pouco desatualizada.
Expectativa por estímulos na China Por fim, vale mencionar que investidores globais aguardam por novos estímulos econômicos na China, o que favorece ligeiramente o apetite por riscos na sessão. Nesta madrugada, o ministro das Finanças da China convocou uma coletiva de imprensa para o sábado, o que aumentou a expectativa por novas medidas de impulso fiscal pelo país, um dia após autoridades chinesas frustrarem investidores ao não mencionar o tema no encerramento da conferência da Comissão de Reforma e Desenvolvimento Nacional. Assim, a expectativa por estes estímulos pode beneficiar o desempenho de ativos arriscados, como ações, commodities e moedas de países exportadores de produtos primários, como o real.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS




