Câmbio inicia a quarta em alta, cotado ao redor de R$ 5,78
Dólar deve refletir dados para mercado de trabalho e PIB nos EUA e receios fiscais no Brasil
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,78 (+0,3%)
▲ Dollar Index (DXY): ~ 104,4 pontos (+0,1%)
Em dia de agenda cheia, o mercado de divisas deve repercutir a divulgação de dados para a economia americana, enquanto a indefinição da eleição presidencial dos EUA e o aumento na percepção de riscos fiscais no Brasil prejudicam o desempenho de ativos brasileiros.
Agenda do dia (horário de Brasília):
• Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) de outubro (FGV) – 08h00min.
• Índice de Preços ao Produtor (IPP) de setembro (IBGE) – 09h00min.
• Relatório de emprego do setor privado nos EUA de outubro (ADP) – 09h15min.
• Primeira estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA do 3º trimestre (BEA) – 09h30min.
• Estatísticas monetária e de crédito de setembro (BC) – 09h30min.
• Fluxo Cambial semanal (BC) – 14h30min.
• Evolução mensal do emprego de setembro (Caged) – 14h30min.
• Palestra do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto – 14h30min.
• Índices gerentes de compras (PMI) industrial e de serviços da China de outubro – (NBS) – 22h30min.
Economia americana aquecida O dólar negociado no mercado interbancário apresentava tendência de elevação nas primeiras operações desta quarta-feira, quando era cotado ao redor de R$ 5,78 (10h15min), impulsionado pela divulgação de dados econômicos aquecidos para os EUA. O instituto ADP estimou uma criação de 233 mil empregos privados no mês de outubro, bastante superior à projeção mediana de 115 mil, o que sugere que o mercado de trabalho americano permaneceu vigoroso e resiliente nesse mês e aumenta as expectativas para o dado oficial de empregos urbanos, o “payroll, que será divulgado na sexta-feira. Adicionalmente, a primeira prévia para o Produto Interno Bruto (PIB) estadunidense mostrou expansão anualizada de 2,8%, ligeiramente abaixo da estimativa mediana de 3,0%, porém com uma alta anualizada do consumo pessoal bem superior ao esperado, de 3,7%. O desempenho levemente abaixo do esperado do PIB foi resultado de uma aceleração das importações, que cresceram a uma taxa anualizada de 11,2% no trimestre, e de uma redução dos níveis de estoques corporativos. Os dados econômicos mais fortes para o país reforçam uma percepção de resiliência e robustez da economia americana e que, desta forma, não há urgência para que o Federal Reserve reduza o nível de juros, o que contribui para a rentabilidade dos títulos denominados em dólar e favorece o fortalecimento da moeda americana.
Crescimento trimestral anualizado do PIB americano (%)

Fonte: U.S Bureau of Economic Analysis, FRED. Elaboração: StoneX. *Primeira estimativa.
Rendimento do título do tesouro americano de 10 anos (% a.a.)

Fonte: Refinitiv. Elaboração: StoneX.
Incerteza eleitoral nos EUA Outro fator importante para a diminuição das apostas de investidores para cortes de juros pelo Federal Reserve das últimas semanas é a incerteza sobre o resultado da eleição presidencial nos EUA, de 05 de novembro, cuja disputa permanece muito acirrada e imprevisível. Sete estados americanos que podem ser decisivos mostram uma diferença nas intenções de voto entre Donald Trump e Kamala Harris menor que dois pontos percentuais, e em quatro deles a diferença é menor que um ponto percentual. Este cenário deve se manter inalterado até o final do pleito, o que eleva a incerteza sobre a evolução das políticas econômicas estadunidenses e estimula a busca de ativos de segurança, que são menos voláteis e mais líquidos, como a moeda americana.
Percepção elevada de riscos fiscais No Brasil, a sessão de hoje deve ser novamente marcada por apreensão em torno da questão fiscal, intensificada nos últimos dias pela crescente desconfiança do mercado quanto à possibilidade de anúncios de medidas estruturais de corte de despesas, prometidas pelo governo federal para serem divulgadas após o segundo turno das eleições municipais. Ontem, o aumento do pessimismo dos investidores resultou em uma nova rodada de deterioração dos ativos domésticos, levando o par dólar/real ao maior nível desde 29 de março de 2021 (R$5,7681) — três anos e sete meses atrás. Nas últimas semanas, o forte ceticismo dos investidores em relação à condução da política fiscal brasileira tem elevado a exigência de prêmios de risco, prejudicando o desempenho dos ativos brasileiros, como a taxa de câmbio e os contratos futuros de juros. Hoje, o foco deve estar nas declarações de autoridades econômicas que podem influenciar a percepção de risco dos agentes de mercado, com destaque para o discurso do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, previsto para as 14h30min.
Brasil: taxa dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2029 (% a.a.)

Fonte: Refinitiv. Elaboração: StoneX.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS




