Câmbio começa a sexta em alta, cotado ao redor de R$ 5,80
Dólar deve refletir “payroll” americano e postura defensiva de investidores
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,80 (+0,3%)
= Dollar Index (DXY): ~ 103,9 pontos (0,0%)
Em meio a um ambiente de cautela por investidores em relação ao cenário eleitoral americano e aos riscos fiscais no Brasil, o mercado de divisas deve repercutir a divulgação de números de emprego nos EUA em outubro, buscando avaliar a saúde do mercado de trabalho no país e calibrar expectativas para a trajetória da política monetária do Federal Reserve.
Agenda do dia (horário de Brasília):
• Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF) de setembro (IBGE) – 09h00min.
• Relatório da situação do emprego (“payroll”) americano de outubro (BLS) – 09h30min.
• Índice Gerente de Compras (PMI) industrial do Brasil de outubro (S&P Global) – 10h00min.
• Índice Gerente de Compras (PMI) industrial dos EUA de outubro (ISM) – 10h00min.
• Índice Gerente de Compras (PMI) industrial dos EUA de outubro (S&P Global) – 10h45min.
• Entrevista do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva – 16h00min.
• Posição semanal dos agentes de mercado (CFTC) – 16h30min.
Payroll fraco em outubro O dólar negociado no mercado interbancário apresentava tendência de alta nas primeiras operações desta sexta-feira, quando era cotado ao redor de R$ 5,80 (10h25min). A sessão de hoje deve ser influenciada principalmente pela divulgação do Relatório da Situação do Emprego ("payroll") nos EUA, que surpreendeu ao mostrar números significativamente abaixo das expectativas. Segundo o indicador, o mês de outubro registrou a criação líquida de apenas 12 mil novos empregos ante estimativa mediana de 113 mil. Embora o saldo de criação de empregos tenha sido pouco expressivo, a taxa de desemprego manteve-se estável em 4,1%, mesmo nível registrado em setembro. É importante ressaltar ainda que alguns fatores excepcionais podem ter impactado os números divulgados, como a passagem de dois furacões no sul do país (Helene e Milton) e a licença coletiva não remunerada (“furlough”) de funcionários da Boeing em meio a negociações sindicais. Com isso, a taxa de resposta das empresas à pesquisa foi incomumente baixa (47,4%), a menor desde janeiro de 1991 (42,6%), o que pode ter influenciado o resultado e pode levar a uma revisão dos dados nos próximos meses. De todo modo, os números abaixo do estimado devem ter impacto importante na percepção de riscos dos agentes de mercado com relação à resiliência da economia americana. Diante do resultado mais fraco, fortalecem-se as apostas para um ciclo mais acelerado de cortes de juros pelo Federal Reserve, aumentando a perspectiva de um maior diferencial de juros brasileiro e favorecendo o real.
Postura cautelosa de investidores Adicionalmente, a incerteza sobre o resultado da eleição presidencial nos EUA e o pessimismo em relação às contas públicas brasileiras devem contribuir para o ambiente de negócios mais avesso ao risco que tem penalizado de forma significativa o desempenho da moeda brasileira. Nos EUA, a proximidade das eleições aumenta a insegurança sobre a evolução das políticas econômicas do país e estimula a busca por ativos de segurança, que são menos voláteis e mais líquidos, favorecendo a moeda americana. No Brasil, a atenção permanece voltada para a questão fiscal, intensificada nos últimos dias pela crescente desconfiança do mercado em relação a anúncios de medidas estruturais de corte de despesas. Ao longo da semana, uma conciliação entre o Ministério da Fazenda e a Casa Civil sobre esse tópico foi anunciada, mas sem maiores detalhes. Sem avanços claros, a exigência de prêmios de risco dos ativos brasileiros deve permanecer alta, o que prejudica o real frente a outras moedas.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS




