Câmbio abre a segunda em queda, cotado ao redor de R$ 5,81
Dólar deve refletir expectativa por cortes de gastos no Brasil e por eleição nos EUA
▼ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,81 (-1,0%)
▼ Dollar Index (DXY): ~ 103,7 pontos (-0,5%)
Após semana de forte estresse de ativos brasileiros por conta do ceticismo de investidores com a condução da política fiscal brasileira, o mercado de divisas deve repercutir o cancelamento de viagem ao exterior do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para reunião com o presidente da República e o ambiente de incerteza quanto à eleição presidencial americana.
Agenda do dia (horário de Brasília):
• Boletim Focus semanal (BC) – 08h30min.
Alívio no cenário doméstico O dólar negociado no mercado interbancário apresentava forte tendência de baixa nas primeiras operações desta segunda-feira, quando era cotado ao redor de R$ 5,81 (10h30min), refletindo um cenário de ajustes tanto no Brasil como no exterior. Internamente, o cancelamento da viagem ao exterior do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a pedido do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e a reunião de ambos nesta manhã junto com o ministro da Casa Civil, Rui Costa, permitiu uma recuperação do real após pesadas perdas na última sexta-feira (01). Nas últimas semanas, uma profunda crise de confiança dos investidores em relação à condução da política fiscal brasileira e uma leitura de que o Palácio do Planalto demonstra pouca urgência e pouca importância para uma redução das despesas públicas resultou em um crescente pessimismo de que o Executivo possa ajustar o nível de despesas públicas. O cancelamento da viagem de Haddad não deve ser o suficiente para reverter esse quadro de ceticismo, mas neste momento contribui para conter a piora contínua da percepção de riscos fiscais no Brasil e sugere que o governo federal possa acelerar a divulgação de medidas de cortes de gastos que vem sendo prometidas há semanas.
Alívio também no exterior No cenário internacional, o ambiente de negócios continua sendo de bastante cautela enquanto os agentes do mercado financeiro aguardam pela eleição presidencial americana, que se encerra amanhã e continua praticamente imprevisível. Porém, uma inesperada recuperação das intenções de votos para a candidata democrata, Kamala Harris, em pesquisas divulgadas no final de semana levou a uma reversão parcial no posicionamento de investidores, que, nas últimas semanas, buscaram se preparar para efeitos de uma possível vitória do candidato republicano, Donald Trump, resultando em um enfraquecimento global da moeda americana e beneficiando o desempenho de ativos arriscados, como commodities e moedas de países emergentes, como o real.
Piora nas projeções do Focus Por fim, apesar do cenário de ajuste e alívio para o real nesta manhã, vale ressaltar que o boletim Focus desta segunda refletiu a elevação na percepção de riscos fiscais por investidores da semana passada e piorou as projeções medianas para a taxa de câmbio entre 2024 e 2027, para a inflação entre 2024 e 2026 e para os juros entre 2025 e 2027. Esta piora, por sua vez, deve consolidar as apostas de que o Comitê de Política Monetária (Copom) deva acelerar seu ciclo de altas para a taxa básica de juros (Selic) a fim de tentar reaproximar as expectativas inflacionárias dos agentes para o centro da meta inflacionária buscada pelo Banco Central.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS




