Câmbio começa a terça em estabilidade, cotado ao redor de R$ 5,76
Dólar deve refletir ata do Copom, incerteza fiscal e “Trump Trade”
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,76 (-0,2%)
▲ Dollar Index (DXY): ~ 105,8 pontos (+0,3%)
O mercado de divisas deve repercutir a continuidade das repercussões da vitória expressiva de Donald Trump, assim como a divulgação da ata da última decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) e a expectativa pelas medidas de ajuste fiscal do governo brasileiro.
Agenda do dia (horário de Brasília):
• Ata da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) – 08h00min.
• Pesquisa Mensal de Comércio de setembro (IBGE) – 09h00min.
• Palestra do membro do Conselho de Governadores do Federal Reserve, Christopher Waller – 12h00min.
• Palestra do presidente do Federal Reserve de Richmond, Tom Barkin – 12h15min e 19h30min.
• Palestra do presidente do Federal Reserve de Minneapolis, Neel Kashkari – 16h00min.
• Palestra do presidente do Federal Reserve de Philadelphia, Patrick Harker – 19h00min.
Força global do dólar O dólar negociado no mercado interbancário alternava entre perdas e ganhos nas primeiras operações desta terça-feira, quando era cotado ao redor de R$ 5,76 (10h00min), em oposição ao movimento externo de fortalecimento amplo da moeda americana. Investidores estendem a tendência de ajuste de posições de suas carteiras buscando se antecipar a possíveis efeitos de medidas do novo governo Trump. Por exemplo, a elevação de tarifas de importação e a restrição à entrada de imigrantes podem apresentar impactos inflacionários ao elevar os custos de produtos importados e ao restringir a oferta de mão de obra em um mercado de trabalho aquecido e com baixo desemprego. Adicionalmente, a redução de impostos corporativos pode melhorar a lucratividade de empresas americanas e estimular o investimento e o crescimento do país, ao mesmo tempo em que deve ampliar o já elevado déficit fiscal do país. A possibilidade de pressões inflacionárias e a aceleração do endividamento público reduzem as apostas de investidores para cortes de juros pelo Federal Reserve, o que impulsiona os rendimentos dos títulos do Tesouro americano e beneficia o desempenho do dólar. Da mesma maneira, a perspectiva de maior rentabilidade para as empresas do país favorece a atração de capitais externos para as bolsas de valores do país, também contribuindo para o fortalecimento global do dólar.
Demora para divulgação do corte de gastos Contribui para o enfraquecimento do real, também, à terceira semana seguida de indefinição quanto às prometidas medidas de ajuste fiscal para as contas públicas brasileiras. Investidores mantém uma expectativa de que essas medidas serão anunciadas ainda esta semana, antes da viagem de quinta-feira do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, para o Rio de Janeiro. Ontem, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, evitou apontar uma data para o anúncio, negou que o pacote tenha sofrido uma desidratação nas discussões com as outras pastas e afirmou que os “detalhes” que ainda estavam sob discussão na semana passada estavam superados. Adicionalmente, Haddad declarou que o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, solicitou a inclusão de mais um ministério nas medidas de cortes de gastos e que isto deve ser concluído até quarta-feira. Por fim, o ministro disse que o pacote será apresentado hoje para os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco (PSD-MG), respectivamente. A demora para a divulgação do plano do governo pode resultar em novas altas para a exigência de prêmios de risco pelos investidores, prejudicando a atração de capitais externos e enfraquecendo o real.
Perspectiva de altas para a Selic Por fim, vale ressaltar que o Comitê de Política Monetária alertou na ata da sua decisão de quarta-feira passada (06) que uma piora adicional das expectativas inflacionárias “pode levar a um prolongamento do ciclo de aperto de política monetária”. O Copom também destaca que o cenário de curto prazo para a inflação se mostra mais desafiador e que “tem se observado uma interrupção no processo desinflacionário”. Por fim, o Comitê enfatizou que uma política fiscal “crível”, com regras “previsíveis e transparências em seus resultados” e que estabilize a dívida pública “são importantes elementos para a ancoragem das expectativas de inflação e para a redução dos prêmios de riscos dos ativos financeiros”. A perspectiva de um ciclo de altas mais firmes para a taxa básica de juros (Selic), em tese, favorece a rentabilidade de títulos denominados em real e favorece o fortalecimento do real. Contudo, essa pressão de baixa pode ser anulada pelo fortalecimento externo da moeda americana e pela indefinição quanto ao ajuste fiscal do governo.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS




