Câmbio inicia a quarta em baixa, cotado ao redor de R$ 5,75
Dólar deve refletir intervenção do BC, CPI americano e expectativa por corte de gastos
▼ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,74 (-0,6%)
▲ Dollar Index (DXY): ~ 106,0 pontos (+0,1%)
O mercado de divisas deve repercutir a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) americano de outubro, que deve mostrar alta moderada e reforçar uma percepção de que o Federal Reserve irá reduzir os seus juros de maneira cautelosa. No Brasil, investidores devem reagir ao leilão de linha de até US$ 4 bilhões enquanto aguardam pelo anúncio das medidas de cortes de gastos do governo federal.
Agenda do dia (horário de Brasília):
• Pesquisa Mensal de Serviços de setembro (IBGE) – 09h00min.
• Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de outubro dos EUA (BLS) – 10h30min.
• Fluxo cambial semanal (BC) – 14h30min.
• Palestra do diretor de política monetária do Banco Central, Gabriel Galípolo – 17h00min.
Inflação americana em outubro O dólar negociado no mercado interbancário apresentava tendência de baixa nas primeiras operações desta quarta-feira, quando era negociado ao redor de R$ 5,74 (10h20min). O principal guia da sessão deve ser a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de outubro nos Estados Unidos, cuja leitura deve se assemelhar à de setembro, com alta mensal de 0,2% no índice cheio e de 0,3% em seu núcleo, que exclui os voláteis componentes de alimentação e energia. Tal leitura reforçaria a percepção de uma inflação resiliente no país, ainda acima da meta estabelecida pelo Federal Reserve (Fed). Em setembro, o aumento da inflação foi acompanhado por indicadores de atividade econômica e um mercado de trabalho aquecido, o que, à época, ajudou a atenuar os receios de recessão na economia norte-americana. Por outro lado, indicadores mais robustos têm reduzido as expectativas de um ritmo mais rápido de cortes nas taxas de juros pelo Fed, que atualmente conduz um ciclo de afrouxamento monetário. Em relação a outubro, o principal indicador divulgado até o momento foi a geração de empregos, que, apesar de ser pouco conclusivo em meio à distorções importantes do dado, sinalizou um arrefecimento do mercado de trabalho no mês, reforçando a importância de outros indicadores econômicos para uma avaliação precisa da atividade econômica. A divulgação do CPI deve, assim, ajudar a reduzir incertezas sobre a atividade econômica de outubro nos EUA e orientar a política monetária do Fed. Acrescenta-se a isso a percepção de riscos inflacionários impulsionada pela eleição do presidente republicano Donald Trump, que durante sua campanha prometeu amplas tarifas de importação, restrições à entrada de imigrantes e cortes de impostos para empresas, o que pode ampliar o déficit fiscal. Essas medidas, por sua vez, devem gerar pressões inflacionárias futuras e aumentam a probabilidade de um ciclo de cortes mais gradual, o que favoreceria a valorização do dólar em nível global.
Intervenção do BC O Banco Central (BC) anunciou após o encerramento do pregão de ontem que fará dois leilões de linha no mercado cambial às 10h30min desta quarta-feira, com valor máximo de US$ 2 bilhões cada. A autoridade monetária irá realizar operações de venda com compromisso de recompra (isto é, a realização de leilões simultâneos de venda de dólares à vista com leilões de compra futura de dólares), um com prazo de recompra em 02 de abril de 2025 e outro em 02 de julho de 2025. A última vez que o BC realizou um leilão de venda com compromisso de recompra foi em 20 de janeiro de 2023, em um total de US$ 2 bilhões. A autarquia procura sempre afirmar que só atua no mercado de divisas quando há fala de liquidez em alguma das pontas das negociações, e não procura se orientar pelo valor da taxa de câmbio. Neste caso, o leilão busca ampliar a venda de moeda americana, o que implica que a liquidez de mercado estava reduzida em apostas a favor do real. Adicionalmente, é importante mencionar que o BC costuma atuar com maior frequência nos últimos meses dos anos, em particular dezembro, por conta de uma habitual elevação nas remessas de lucros e juros aos exterior. A intervenção do Banco Central amplia a oferta de divisas disponíveis no mercado cambial e tende a favorecer o desempenho do real.
Expectativa pelo corte de gastos Vale ressaltar, ainda, que investidores permanecem à espera pela divulgação das medidas de ajuste fiscal do governo federal pela terceira semana consecutiva, com expectativas de que esse anúncio ocorra ainda esta semana. Nesta semana, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, evitou apontar uma data para o anúncio, afirmou que os “detalhes” que ainda estavam pendentes na semana passada estavam superados e declarou que o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, solicitou a inclusão de mais um ministério nas medidas de cortes de gastos, sem especificar qual. Reportagens de mídia especializada apontam que seria o Ministério da Defesa, que poderia passar por uma revisão no sistema de previdência dos militares. Alguns analistas presumem que investidores podem estar evitando se posicionar em relação ao real por conta da proximidade da divulgação dessas medidas, que têm potencial de impactar o nível da taxa de câmbio. Ainda assim, o adiamento desse anúncio corre o risco de resultar em nova onda de impaciência e desconfiança de investidores, o que poderia elevar a exigência de prêmios de risco e enfraquecer o real.
Perspectiva de altas para a Selic Por fim, vale mencionar que agentes do mercado financeiro devem acompanhar falas públicas o diretor de Política Monetária do Banco Central, Gabriel Galípolo, após o término das negociações, em busca de mais informações para a trajetória da taxa básica de juros (Selic) após o Comitê de Política Monetária demonstrar preocupação com a piora gradativa das expectativas inflacionárias e da percepção de riscos fiscais de investidores. Por isso, espera-se que Galípolo reforce a mensagem de que o ciclo de alta de juros pode se intensificar e se prolongar, sem sinalizar como o Copom deve decidir em sua reunião de dezembro.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS




