Câmbio abre a quinta estável, cotado ao redor de R$ 5,79
Dólar deve refletir expectativa por medidas fiscais no Brasil e força global da moeda americana
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,79 (0,0%)
▲ Dollar Index (DXY): ~ 106,8 pontos (+0,3%)
Em véspera de feriado, o mercado de divisas deve repercutir a expectativa de investidores pelas medidas de redução de despesas do governo federal, enquanto dados mais aquecidos para os EUA e a extensão do chamado “Trump Trade” continuam fortalecendo a moeda americana globalmente.
Agenda do dia (horário de Brasília):
- Prévia do Produto Interno Bruto (PIB) e desemprego da área do euro do terceiro trimestre (Eurostat) – 07h00min.
- Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) de setembro (BC) – 09h00min.
- Ata da decisão de política monetária do Banco Central Europeu de outubro – 09h30min.
- Pedidos semanais de auxílio-desemprego (DOL) – 10h30min.
- Índice de Preços ao produtor (PPI) nos EUA de outubro (bls) – 10h30min.
- Produção industrial da China de outubro (NBS) – 00h00min.
- Vendas do varejo da China de outubro (NBS) – 00h00min.
- Taxa de desemprego na China de outubro (NBS) – 00h00min.
Força global do dólar O dólar negociado no mercado interbancário alternava entre perdas e ganhos nas primeiras operações desta quinta-feira, quando era negociado ao redor de R$ 5,79 (10h30min). O fortalecimento do dólar reflete a continuidade do movimento recente de valorização global da moeda americana, que alcançou nesta manhã o maior nível em um ano frente seus principais pares e segue para o quinto dia consecutivo de ganhos. Entre os principais fatores, destacam-se a recente divulgação de indicadores econômicos que apontam para a resiliência da economia dos Estados Unidos e a vitória do republicano Donald Trump nas eleições presidenciais, que reduzem a expectativa de um ciclo mais acelerado de cortes de juros pelo Federal Reserve. Ontem, a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) mostrou mais uma vez que o progresso no controle inflacionário americano tem desacelerado, após o índice cheio avançar 0,2% pelo quarto mês consecutivo. No momento, embora as principais estimativas indiquem a possibilidade de novos cortes de juros, esses cortes estão mais espaçados, com uma projeção de alcance da faixa entre 3,75% e 4,00% até o final do próximo ano. Acrescenta-se a esse cenário a eleição presidencial de Donald Trump, que durante a campanha prometeu tarifas amplas sobre importações, restrições à imigração e cortes de impostos para empresas, que podem gerar pressões sobre a inflação. Esses fatores diminuem as expectativas para cortes de juros nos EUA e impulsionam os rendimentos dos títulos do Tesouro americano, beneficiando o desempenho do dólar.
Impaciência cresce para ajuste fiscal Vale ressaltar, ainda, que investidores permanecem à espera pela divulgação das medidas de ajuste fiscal do governo federal pela terceira semana consecutiva, com expectativas crescentes de que o anúncio oficial possa ocorrer apenas na próxima semana. Nesta semana, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, evitou indicar uma data para o anúncio, afirmando que os “detalhes” que ainda estavam pendentes na semana passada já foram resolvidos. Ainda assim, o anúncio não se concretizou, o que tem aumentado a impaciência e a desconfiança dos investidores e elevado as exigências de prêmios de risco para o real. Hoje, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, destacou em entrevista que há urgência para que o governo apresente um conjunto de medidas capaz de reverter a deterioração da percepção de risco do Brasil. Segundo Campos Neto, a demora no anúncio provoca perdas ao longo do caminho, como investimentos desperdiçados, e afirmou que “quanto mais se espera, mais você terá que fazer depois; o choque necessário fica maior”. Ontem, após o fechamento do mercado, veículos de comunicação noticiaram que o Ministério da Fazenda encaminhou ao Congresso um pacote de cortes de gastos no valor de R$ 70 bilhões para os próximos dois anos — cerca de R$ 30 bilhões em 2025 e o restante no ano seguinte. Caso oficializado, o anúncio de um pacote dessa magnitude poderá ter um impacto relevante nas percepções de risco fiscal e favorecer uma valorização do real.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS




