Câmbio inicia a quinta em alta, cotado ao redor de R$ 5,82
Dólar deve refletir espera pelo pacote de cortes de gastos e força mundial do dólar
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,82 (+0,8%)
▲ Dollar Index (DXY): ~ 106,7 pontos (+0,1%)
O mercado de divisas deve repercutir a expectativa pela divulgação do pacote de cortes de gastos do governo brasileiro em meio a uma tendência de fortalecimento global do dólar por conta de tensões geopolíticas com a guerra entre Rússia e Ucrânia e efeitos do “Trump Trade” sobre os ativos globais.
Agenda do dia (horário de Brasília):
- Relatório de Estabilidade Financeira do 1° semestre (BC) – 08h00min.
- Monitor do PIB de setembro (FGV) – 10h15min.
- Arrecadação federal de outubro (Receita Federal) – 10h30min.
- Palestra da presidente do Federal Reserve de Cleveland, Beth Hammack – 10h45min.
- Pedidos semanais de auxílio-desemprego nos EUA (DOL) – 10h30min.
- Palestra do presidente do Federal Reserve de Chicago, Austan Goolbee – 14h25min.
- Fluxo cambial semanal (BC) – 14h30min.
Pacote fiscal no Brasil O dólar negociado no mercado interbancário apresentava tendência de alta nas primeiras operações desta quinta-feira, quando era cotado ao redor de R$ 5,82 (10h30min). Durante a sessão, investidores devem permanecer à espera do anúncio do pacote de cortes de gastos do governo federal, cuja indefinição e demora nas últimas semanas tem estressado os investidores e intensificado a percepção de riscos associados a ativos brasileiros. Hoje, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, se reúne às 15h com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para tratar do tema. Agentes do mercado financeiro acompanham esse encontro com expectativa, considerando que havia uma esperança de que o plano fosse divulgado logo após o feriado de ontem (20). Contudo, existe a possibilidade de que o anúncio seja novamente postergado para a próxima semana, o que prolongaria a espera para cinco semanas consecutivas e alimentaria a percepção de falta de prioridade por parte do governo em relação ao controle de gastos. Além disso, o atraso gera preocupações adicionais sobre a viabilidade de tempo hábil para que a proposta seja aprovada pelo Legislativo ainda este ano. Caso tal prazo não seja cumprido, a medida poderá ser aprovada somente após o recesso do Congresso Nacional, em fevereiro de 2025.
Tensões geopolíticas e “Trump Trade” No cenário internacional, o dólar mantém sua trajetória de valorização frente às principais moedas globais, refletindo, sobretudo, a intensificação de um ambiente de aversão ao risco por parte dos agentes de mercado. Nesta semana, novos desdobramentos relacionados à guerra na Ucrânia reacenderam os temores de uma escalada no conflito, após o governo ucraniano ter utilizado, pela primeira vez, mísseis balísticos contra alvos em território russo. Por sua vez, o governo da Rússia havia anteriormente advertido que o uso de armamento ocidental para atingir territórios russos distantes da fronteira seria interpretado como uma escalada significativa no conflito, o que gera receios de que o país possa usar armamento nuclear como retaliação. Paralelamente à intensificação das tensões geopolíticas, o dólar continua fortalecendo globalmente, impulsionado pela ampliação do chamado “Trump Trade”, isto é, o movimento de ajuste de posições das carteiras de investidores aos possíveis efeitos de medidas do novo governo Trump. Entre essas medidas, destacam-se a elevação de tarifas de importação e a restrição à entrada de imigrantes, que podem gerar pressões inflacionárias ao elevar os custos de produtos importados e ao restringir a oferta de mão de obra em um mercado de trabalho com elevado nível de participação e com baixa taxa de desemprego.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS




