Câmbio abre a quinta em alta, refletindo a divulgação do pacote fiscal do governo
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,98 (+1,1%)
▲ Dollar Index (DXY): ~ 106,3 pontos (+0,2%)
Em dia de feriado nos EUA, o mercado de divisas deve repercutir a divulgação de medidas econômicas pelo governo, que prometem reduzir as despesas públicas em R$ 70 bilhões, porém causou estranhamento ao incluir a ampliação da isenção do Imposto de Renda para pessoas físicas.
Agenda do dia (horário de Brasília):
• Entrevista coletiva dos ministros da Fazenda, Fernando Haddad, e do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet – 08h00min.
• Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) de novembro (FGV) – 08h00min.
• Índice de Preços ao Produtor (IPP) de outubro (IBGE) – 09h00min.
• Estatísticas monetária e de crédito de outubro (BC) – 09h30min.
• Resultado Primário do Governo Central de outubro (STN) – 14h30min.
Medidas econômicas do governo frustram investidores O dólar negociado no mercado interbancário apresentava tendência de alta nas primeiras operações desta quinta-feira, quando era cotado ao redor de R$ 5,98 (10h25min). A acentuada desvalorização da moeda brasileira reflete uma profunda deterioração das percepções de riscos fiscais por parte dos agentes de mercado, intensificada pela quebra de expectativas em relação aos impactos das medidas econômicas de ajuste das contas públicas prometidas pelo governo federal. A espera por esse anúncio, que se estendeu por cerca de cinco semanas desde a primeira menção, vinha desgastando a confiança dos investidores, sobretudo diante da incerteza quanto à amplitude dos cortes e às esferas do governo que seriam afetadas.
Nesse ambiente de credibilidade já abalada e forte desconfiança por parte dos agentes do mercado financeiro, a inesperada inclusão da isenção do Imposto de Renda para pessoas físicas que recebem salários de até R$ 5 mil pelo Palácio do Planalto reforçou o pessimismo dos investidores. Em detalhamento das medidas nesta manhã, a equipe econômica do governo federal ressaltou que a adição dessa medida terá impacto fiscal neutro, uma vez que se propõe a compensar as perdas de receita com o aumento da carga tributária sobre os chamados "super-ricos", que recebem mais de R$ 50 mil mensais. No que se refere ao tamanho do pacote de cortes, até então desconhecido pelo mercado, o Executivo estima que as medidas terão um impacto de R$ 71,9 bilhões em 2025 e 2026 e de R$ 327 bilhões entre 2025 e 2030.
Embora o ministro da Fazenda tenha reforçado nesta manhã que as propostas contribuirão para o equilíbrio das contas do governo e para a estabilização do nível de endividamento público, a inclusão de uma medida que provocará significativa perda de receita reforçou as leituras entre investidores de que o Palácio do Planalto demonstra pouca urgência e pouca importância para a necessidade de ajustes estruturais dos gastos públicos. É um agravante, ainda, que o pacote deve chegar ao Congresso Nacional faltando um menos de um mês para o início do recesso parlamentar e com uma agenda carregada de votações para o período, o que torna pouco provável a sua aprovação ainda em 2024.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS




