Câmbio começa a terça em queda, refletindo IPCA e dados chineses
▼ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 6,06 (-0,4%)
▲ Dollar Index (DXY): ~ 106,3 pontos (+0,2%)
Em dia de agenda fraca, o mercado de divisas deve repercutir a divulgação do IPCA de novembro, dados mais fracos para o comércio exterior da China e acompanhar notícias sobre a tramitação do pacote fiscal brasileiro.
Agenda do dia (horário de Brasília):
• Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de novembro (IBGE) – 09h00min.
• Produtividade e custos da mão-de-obra americana no terceiro trimestre (BLS) –10h30min.
Composição ruim do IPCA O dólar negociado no mercado interbancário apresentava tendência de baixa nas primeiras operações desta terça-feira, quando era cotado ao redor de R$ 6,06 (10h05min), em um provável reflexo à divulgação do IPCA de novembro, que reduziu sua alta mensal de 0,56% em outubro para 0,39% em novembro, porém sua alta anual passou de 4,76% para 4,87% no período. O índice foi influenciado pela queda de 6,27% nos preços de energia elétrica após a bandeira tarifária passar de vermelha patamar 2 em outubro para amarela em novembro, ao passo que a alta de 1,81% da alimentação no domicílio (puxada pela alta de 8,02% de carnes) impediu uma desaceleração maior. A composição do IPCA, contudo, foi ruim, com a alta mensal do núcleo de preços, que exclui os voláteis componentes de alimentação e energia, passando de 0,25% em outubro para 0,54% em novembro e os preços de serviços passando de 0,35% para 1,01% no mesmo período (puxados pelo aumento de 22,65% das passagens aéreas e de 14,91% dos cigarros). Esta leitura deve consolidar as expectativas de que o Brasil não atingirá a meta de inflação neste ano, cuja tolerância máxima é de 4,5%, e que o Comitê de Política Monetária deve realizar um ciclo mais firme e mais longo de altas para a taxa básica de juros (Selic), o que pode favorecer a expectativa de rentabilidade de títulos domésticos e contribuir para a atração de investimentos estrangeiros, fortalecendo o real.
IPCA acumulado em 12 meses segundo agrupamentos selecionados (%)

Fonte: Banco Central do Brasil. Elaboração: StoneX.
Desaceleração chinesa Globalmente, investidores reagem a dados piores que o antecipado para o comércio exterior chinês. O crescimento anual das exportações recuou de 12,7% em outubro para 6,7% em novembro, abaixo da estimativa mediana de 8,5%, enquanto a queda anual das importações aumentou de -2,3% para -3,9%, contrariando uma estimativa mediana de crescimento de 0,3%. Os números piores que o esperado para exportações eleva preocupações de investidores em relação a um dos poucos segmentos dinâmicos da economia chinesa no momento em que enfrenta ameaças de barreiras tarifárias de parceiros importantes, como EUA e União Europeia. Além disso, o recuo das importações reforça a percepção de desaceleração da demanda interna do país e de que são necessários estímulos mais volumosos pelas autoridades para sustentar a expansão do país. Com isso, deve haver piora para as perspectivas de crescimento da demanda por commodities pela segunda maior economia global, o que tende a prejudicar o desempenho de moedas de países exportadores de produtos primários, tal como o real.
Cirurgia de Lula Por fim, vale notar que investidores acompanham notícias sobre o estado de saúde do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que passou por uma cirurgia de emergência para drenagem de hemorragia intracraniana em decorrência de uma queda em 19 de outubro. As notícias mais recentes afirmam que o presidente se encontra acordado e consciente. Embora seja difícil antecipar quais impactos esse fato possa ter sobre o mercado de divisas, a saúde de um chefe de Estado é um item com potencial de ampliação da volatilidade de ativos de um país em função das interações entre cenário político e cenário econômico.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS




