Câmbio inicia a segunda em alta, refletindo boletim Focus, expectativa por PMIs americanos e nova intervenção do BC
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 6,06 (+0,6%)
= Dollar Index (DXY): ~ 106,9 pontos (0,0%)
Em dia de agenda mais leve, o mercado de divisas deve repercutir a divulgação do Boletim Focus desta semana, que aponta piora elevações nas projeções para inflação, câmbio e juros até 2027. Além disso, dados econômicos americanos e novo leilão de linha do BC, com oferta de até US$ 3 bilhões, podem impactar a percepção de risco dos investidores e as cotações do par real/dólar.
Agenda do dia (horário de Brasília):
- Boletim Focus (BC) – 08h30min.
- Monitor do PIB (FGV) – 10h15min.
- Prévias dos Índices Gerentes de Compras (PMI) Industrial e de Serviços nos EUA (S&P Global) – 11h45min.
- Balança Comercial semanal (Secex) – 15h00min.
Boletim Focus e falas de Lula O dólar negociado no mercado interbancário iniciou as operações desta segunda-feira em alta, sendo cotado próximo a R$ 6,06 (10h30min). O Boletim Focus desta semana mostrou uma piora nas projeções macroeconômicas brasileiras, com elevação das expectativas inflacionárias e patamares mais altos para a taxa de câmbio do real e para a taxa básica de juros (Selic). Esta é a primeira publicação do Boletim desde a mais recente decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que optou por elevar a Selic em 1 ponto percentual e sinalizou a intenção de realizar novos ajustes de mesma magnitude nas duas próximas reuniões. A postura mais previsível adotada pelo comitê foi bem recebida pelos agentes de mercado, que enxergam um ambiente mais desafiador, sobretudo no que se refere aos riscos inflacionários. Entretanto, alguma incerteza com relação à condução da política monetária permanece, em parte devido ao menor alinhamento do governo federal com os objetivos delineados pelo BC, em particular pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista concedida ontem, o presidente reiterou críticas à abordagem mais restritiva do Banco Central, destacando que "a única coisa errada no país é o juro acima de 12%" e que "ninguém tem mais responsabilidade fiscal" do que ele. Dessa forma, por um lado, a expectativa de manutenção de juros elevados por um período prolongado no Brasil aumenta o diferencial de juros em relação a outros países, o que eleva a atratividade dos títulos domésticos, estimula a entrada de capital estrangeiro e contribui para a valorização do real. Por outro lado, contudo, o desalinhamento entre o Banco Central e o governo federal eleva a percepção de risco dos investidores, o que pode impactar negativamente a confiança no país e pressionar a desvalorização do real no cenário global.
Prévias dos PMIs americanos No exterior, investidores devem observar a divulgação de novos indicadores econômicos americanos, em especial as prévias do Índice Gerente de Compras (PMI) para os setores industrial e de serviços do país em dezembro. Os indicadores atuam como um termômetro para o nível de atividade do país, sendo um dos últimos indicadores divulgados antes da decisão de juros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), na próxima quarta-feira (16). As estimativas medianas apontam para um nível de 49,4 pontos no PMI industrial e 55,7 pontos no PMI de serviços, sugerindo a manutenção da resiliência da atividade econômica norte-americana. Caso essas projeções se confirmem, reforçarão a percepção de um cenário mais aquecido, com risco inflacionário superior ao observado em meses anteriores e um enfraquecimento do mercado de trabalho menos provável do que o inicialmente imaginado. Nesse contexto, apesar de o mercado ainda prever, em larga medida, um corte de 0,25 ponto percentual na taxa de juros nesta quarta-feira, consolida-se também a percepção de que o banco central dos Estados Unidos poderá ser menos agressivo ao reduzir seus juros e, consequentemente, proceder de maneira mais gradual. Este cenário tende a impulsionar os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano, contribuindo para o fortalecimento do dólar.
Intervenção cambial do BC Vale mencionar, também, que o Banco Central (BC) anunciou, após o encerramento das operações na última sexta-feira, que fará leilão de linha de US$ 3 bilhões entre 10h20 e 10h25. A autoridade monetária irá realizar operações de venda com compromisso de recompra (isto é, a realização de leilões simultâneos de venda de dólares à vista com leilões de compra futura de dólares), com prazo de recompra em 6 de março de 2025. O BC costuma realizar em intervenções em finais de ano, em particular em dezembro, por conta de uma habitual elevação nas remessas de lucros e juros ao exterior.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS




