Câmbio opera em máximas históricas, alçado pela percepção de riscos fiscais no Brasil
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 6,16 (+1,0%)
▲ Dollar Index (DXY): ~107,00 pontos (+0,1%)
O mercado de divisas abriu em alta nessa terça-feira, prolongando o movimento de desvalorização do real pelo quarto pregão consecutivo. A divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada em 12 de dezembro, na qual se decidiu, por unanimidade, a adoção de um “choque de juros”, teve pouco efeito para atenuar a trajetória ascendente da moeda americana. No cenário externo, os investidores devem manter compasso de espera, aguardando a decisão de juros do Federal Reserve desta quarta-feira, enquanto avaliam indicadores econômicos para ajustar suas expectativas quanto à condução da política monetária no país.
Agenda do dia (horário de Brasília):
- Boletim Focus (BC) – 08h30min.
- Monitor do PIB (FGV) – 10h15min.
- Prévias dos Índices Gerentes de Compras (PMI) Industrial e de Serviços nos EUA (S&P Global) – 11h45min.
- Balança Comercial semanal (Secex) – 15h00min.
Ata do Copom e percepção de riscos fiscais A ata da última decisão de política monetária do Copom, divulgada mais cedo, trouxe uma abordagem mais assertiva para a trajetória dos juros do Banco Central. Segundo o documento, em comparação com a reunião anterior, o cenário ficou mais adverso, mas menos incerto. Tal contexto teria possibilitado a condução de uma política monetária mais firme e previsível, elevando unanimemente a taxa básica de juros (Selic) em 1,00 p.p. e sinalizando mais duas altas idênticas para as próximas duas reuniões (29 de janeiro e 19 de março). A postura do colegiado reflete sua percepção de um balanço de riscos para a inflação ainda assimétrico no sentido de uma aceleração do nível de preços, que vem se deteriorando rapidamente sobretudo após a forte alta dos juros futuros e da taxa de câmbio nas últimas semanas. Recentemente, a volatilidade dos ativos domésticos decorre em grande medida de uma percepção mais elevada de riscos fiscais por parte dos investidores, mencionado na ata da reunião como um importante fator de risco para a estabilização de preços. A deterioração do cenário fiscal, sobretudo diante das incertezas acerca do comprometimento do governo com a meta de déficit zero e da viabilidade da aprovação do pacote prometido de ajuste de gastos e da arrecadação, tem contribuído para o enfraquecimento dos ativos locais. Nesse contexto, o aumento do risco fiscal esvazia a eficácia da política monetária mais restritiva do Banco Central na contenção da inflação e em seus efeitos sobre a taxa de câmbio. Se, por um lado, a expectativa de juros elevados poderia estimular a entrada de capitais externos e favorecer a valorização do real, por outro, a percepção de desequilíbrio fiscal corrói a confiança no país, pressionando a moeda nacional.
Expectativa pela decisão de juros do Fed Nos EUA, os investidores devem observar as divulgações de dados de atividade econômica para o mês de novembro no país, enquanto operam em compasso de espera pela decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) de amanhã. Os dados de vendas no varejo e de produção industrial devem complementar uma série de dados econômicos recentes mais aquecidos nos EUA, com o primeiro avançando 0,6% e o segundo 0,3% no comparativo mês a mês. Se confirmados, esses resultados devem reforçar a perspectiva de uma economia mais resiliente nos EUA, diminuindo as apostas de uma maior rapidez no ciclo de cortes de juros do Fed. Desde que o Federal Reserve começou seu afrouxamento monetário, em setembro, os indicadores americanos vêm apontando, de maneira geral, para uma economia mais aquecida, para um risco inflacionário mais alto e para uma probabilidade de enfraquecimento do mercado de trabalho mais baixa que o imaginado. Mesmo assim, permanece o consenso de que o FOMC deve reduzir a taxa básica de juros americana em 0,25 p.p., para a faixa entre 4,25% e 4,50% a.a. Dessa forma, a depender da postura do Fed em seu comunicado e dos novos dados econômicos, é provável que seja reforçada uma percepção entre investidores de que o banco central americano deve reduzir menos e de forma mais gradual sua taxa de juros, o que pode impulsionar os rendimentos dos títulos do Tesouro americano e beneficiar o desempenho do dólar.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS




