Câmbio abre quarta em alta, aguardando pacote fiscal e decisão do Fed
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 6,15 (+0,8%)
▲ Dollar Index (DXY): ~107,00 pontos (+0,1%)
O dólar negociado no mercado interbancário abriu em alta nesta quarta-feira (18), revertendo o movimento de correção iniciado na sessão anterior, quando a cotação alcançou a máxima nominal histórica de R$ 6,20 e encerrou o pregão praticamente estável. A volatilidade recente da moeda reflete incertezas no cenário interno, motivadas sobretudo pela expectativa de avanço do pacote fiscal em análise no Congresso, embora permaneça preocupação com a possível “desidratação” de medidas essenciais. No cenário externo, as atenções estão voltadas para a decisão de juros do Federal Reserve, com investidores buscando calibrar suas expectativas sobre os próximos passos da política monetária nos Estados Unidos.
Agenda do dia (horário de Brasília):
- Índice de preços ao consumidor da Zona do Euro (Eurostat) – 07h00min.
- Fluxo cambial semanal (BC) – 14h30min.
- Palestra do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto – 15h00min.
- Projeções monetárias dos membros do FOMC (Federal Reserve) – 16h00min.
- Comunicado de política monetária do FOMC (Federal Reserve) – 16h00min.
- Palestra do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell – 16h00min.
Tramitação do pacote fiscal No cenário doméstico, a sessão deve ser orientada principalmente pelos novos desdobramentos da tramitação do pacote fiscal do governo. Ontem, com folga de votos, o Congresso aprovou o texto-base do projeto de lei complementar (PLP) 210/24, que faz parte do pacote. O texto, entretanto, sofreu "desidratações" em relação ao incialmente proposto pelo Executivo, como o limite real ao ganho do salário-mínimo e modificações no BPC (Benefício de Prestação Continuada). Além disso, o trecho que autorizaria a União a restringir o uso de créditos tributários por parte das empresas, caso o Executivo apresentasse déficit primário a partir de 2025, não foi mantido. Apesar das alterações, itens importantes permaneceram, como a vedação de despesas com pessoal acima do piso estabelecido pelo arcabouço fiscal e a possibilidade de bloquear até 15% das emendas parlamentares para cumprir o teto da meta fiscal. Ao longo do dia, a Câmara ainda deve votar três requerimentos pendentes: a supressão da autorização para o governo bloquear emendas orçamentárias, a extinção do Seguro Obrigatório para Proteção de Vítimas de Acidentes de Trânsito (SPVAT), que substitui o antigo DPVAT, e a determinação de que o Executivo persiga o centro da meta de resultado primário, em vez de sua banda inferior.
Decisão do Fed No exterior, há elevado consenso de que o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve (Fed) deve reduzir a taxa básica de juros americana em 0,25 p.p., para a faixa entre 4,25% e 4,50% a.a. A continuidade desses cortes nas próximas decisões, no entanto, permanece como incerteza entre os investidores. Desde que o Federal Reserve começou seu ciclo de cortes de juros, em setembro, os indicadores americanos apontaram, de maneira geral, para uma economia mais aquecida, para um risco inflacionário mais alto e para um risco de enfraquecimento do mercado de trabalho mais baixo que o imaginado. Além disso, a maior parte dos analistas acredita que as mudanças previstas para as políticas econômicas durante o novo governo de Donald Trump podem resultar em pressões inflacionárias e forçar o Fed a diminuir menos os juros para compensar essas pressões. Em função desse contexto, imagina-se que o comunicado da decisão e a entrevista coletiva do presidente do FOMC, Jerome Powell, deva adotar um tom mais cauteloso, realçando que não há pressa para o Federal Reserve realizar novos ajustes. Além disso, será até mais importante do que a decisão em si, a atualização das Projeções Econômicas Sumarizadas, que devem apontar para um ritmo mais lento para a queda da taxa de juros americana em 2025, para estimativas melhores para o crescimento econômico e a taxa de desemprego e, também, para números mais aquecidos para a inflação. Dessa forma, ainda que o FOMC reduza seus juros nesta decisão, é provável que será reforçada a percepção entre investidores de que o banco central americano deve reduzir menos e de forma mais gradual sua taxa de juros nas próximas reuniões, o que pode impulsionar os rendimentos dos títulos do Tesouro americano e beneficiar o desempenho do dólar.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS




