Câmbio abre em baixa, estendendo tendência da véspera
▼ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 6,12 (-0,4%)
▼ Dollar Index (DXY): ~108,00 pontos (-0,4%)
O par real/dólar abriu em queda nas primeiras operações desta sexta-feira, prolongando o movimento observado na sessão de ontem. No Brasil, os investidores devem continuar atentos aos desdobramentos na tramitação do pacote fiscal no Congresso, enquanto novas intervenções cambiais do Banco Central podem continuar proporcionando alívio ao câmbio. Na véspera, embora parcialmente "desidratada", a PEC que integra o pacote de revisão de gastos foi aprovada, e a votação do último projeto de lei que compõe a proposta de ajuste fiscal do governo está prevista para hoje. Além disso, a intervenção cambial recorde realizada pelo Banco Central na quinta-feira deverá ser seguida de novas ações hoje, com a oferta de até US$ 3 bilhões em um novo leilão no mercado à vista e um leilão de linha de até US$ 4 bilhões. No exterior, o foco dos investidores deve estar no índice de preços de gastos com consumo (PCE) de novembro dos Estados Unidos. O indicador, considerado o "favorito" do Federal Reserve na condução da política monetária, deverá auxiliar os investidores a calibrar suas expectativas quanto à trajetória dos juros no país.
Agenda do dia (horário de Brasília):
• Sondagem do consumidor de dezembro (FGV) – 08h00min.
• Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE) de novembro nos EUA (BEA) – 10h30min.
• Posição semanal dos agentes de mercado (CFTC) – 17h30min.
Avanço do pacote fiscal Nesta quinta-feira (19), o Senado aprovou em dois turnos a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 54/2024 do corte de gastos. A proposta, que agora segue para promulgação pelo Congresso Nacional, incluiu alterações nos critérios de elegibilidade ao abono salarial e de correção do valor pago acima da inflação, que permitirá uma economia estimada de R$ 18,1 milhões em seis anos aos cofres públicos. Por outro lado, a PEC também sofreu desidratações, como a flexibilização na regra proposta pelo governo para limitar o pagamento de verbas indenizatórias – os chamados “penduricalhos” – além do teto do funcionalismo público, que é de cerca de R$ 44 mil mensais. Com a modificação proposta pela Câmara e ratificada no Senado, o tema dos supersalários deverá ser regulamentado por lei ordinária específica, o que pode resultar em um aumento de gastos com esses benefícios, e por ora os valores extratexto não serão afetados. Hoje, deve ser votado o último projeto de lei que finaliza o pacote fiscal, a discussão centra-se em mudanças nas regras de reajuste do salário-mínimo e na ampliação da fiscalização para o recebimento do Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Expectativa de PCE resiliente nos EUA No exterior, o destaque do dia deve ser a divulgação do Índice de Preços das Despesas de Consumo Pessoal (PCE) dos EUA de novembro. De acordo com a mediana das estimativas, tanto o índice cheio quanto o núcleo, que exclui os voláteis componentes de alimentação e energia, devem apresentar variação mensal de 0,2%, mantendo-se em linha com os dados do mês anterior. Já o indicador de despesas pessoais tem previsão mediana de acelerar dos 0,4% em outubro para 0,5% em novembro. Se confirmados, esses resultados devem reforçar a percepção de uma inflação controlada no país, porém persistentemente acima da meta de 2% anuais do Federal Reserve. Esse quadro fundamentou a decisão do Federal Reserve na última quarta-feira, ao optar por um novo corte de 0,25 ponto percentual nos juros, ao mesmo tempo em que sinalizou que não deve haver mais reduções previstas no horizonte próximo. A publicação do PCE, assim, deve consolidar a ideia de que novembro foi relativamente aquecido e que a estabilização inflacionária poderá levar mais tempo do que o desejado. Nesse contexto, intensifica-se a expectativa de que o Federal Reserve promova cortes de juros de forma mais gradual e lenta. Esse posicionamento, por sua vez, tende a favorecer a rentabilidade dos títulos denominados em dólar, contribuindo para o fortalecimento da moeda norte-americana.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS




