Dólar inicia 2025 em alta, refletindo tensões domésticas e na espera por dados americanos
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 6,21 (+0,5%)
▲ Dollar Index (DXY): ~ 108,70 pontos (+0,2%)
Em dia de agenda leve, o mercado de divisas deve iniciar o primeiro pregão de 2025 sob as mesmas tensões que marcaram o fechamento do ano anterior. Sem perspectivas imediatas de solução do ponto de vista fiscal, o real deve continuar sob pressão, enquanto os agentes de mercado aguardam novos fatores capazes de reverter a dinâmica negativa das últimas semanas. O mercado ainda estará atento à divulgação dos pedidos de seguro-desemprego e do índice PMI industrial dos Estados Unidos, elaborado pela S&P Global. No cenário doméstico, o Banco Central apresenta os dados de fluxo cambial.
Agenda do dia (horário de Brasília):
• Índice Gerente de Compras (PMI) Industrial no Brasil de dezembro (S&P Global) – 10h00min.
• Pedidos semanais de auxílio-desemprego nos EUA (DOL) – 10h30min.
• Índice Gerente de Compras (PMI) Industrial nos EUA de dezembro (S&P Global) – 11h45min.
• Fluxo cambial (BC) – 14h30min.
Avanço global do dólar No cenário internacional, a sessão deve ser orientada pela divulgação de novos indicadores de atividade econômica nos Estados Unidos, à medida que os investidores avaliam a resiliência da economia do país e o possível ritmo da política monetária do Federal Reserve (Fed). Entre os dados, destaca-se a publicação semanal dos pedidos de auxílio-desemprego, com expectativa mediana de aproximadamente 220 mil solicitações, em linha com os números mais recentes. Já o Índice Gerente de Compras (PMI) Industrial deve evidenciar nova desaceleração no setor em dezembro, com estimativa de queda de 49,7 em novembro para 48,3. Se confirmados, esses dados devem reforçar a percepção de uma desaceleração econômica moderada nos Estados Unidos, sugerindo maior prudência por parte do Fed na condução de sua política de juros. Desde o início do ciclo de cortes de juros pelo Fed, em setembro, os dados econômicos têm apontado para uma economia mais aquecida, com riscos inflacionários mais elevados e um mercado de trabalho mais resiliente do que inicialmente previsto. Adicionalmente, grande parte dos analistas acredita que as mudanças esperadas na política econômica do novo governo de Donald Trump, que assumirá em 20 de janeiro, podem intensificar pressões inflacionárias. Tal cenário pode levar o Fed a adotar uma postura mais conservadora na redução das taxas de juros, a fim de mitigar esses efeitos. Essa perspectiva tende a elevar os rendimentos dos títulos do Tesouro americano e fortalecer o desempenho do dólar, consolidando um ambiente de maior cautela.
Percepção de riscos fiscais permanece Nos últimos meses de 2024, a volatilidade dos ativos domésticos intensificou-se, em grande medida, devido à percepção de maiores riscos fiscais por parte dos agentes de mercado. Esse cenário reflete as incertezas quanto ao comprometimento do governo com a meta de déficit zero estabelecida no arcabouço fiscal, bem como o ceticismo acerca dos reais impactos do pacote de ajustes proposto pelo Executivo. Nesse contexto, o aumento do risco fiscal tem comprometido a eficácia da política monetária mais restritiva implementada pelo Banco Central, que, desde setembro, retomou o ciclo de elevação da taxa básica de juros (Selic). Embora a expectativa de juros elevados tenha o potencial de atrair capitais externos e favorecer a valorização do real, a percepção de desequilíbrio fiscal tem corroído a confiança dos investidores no país, exercendo pressão negativa sobre a moeda brasileira. A atenção dos participantes do mercado na sessão de hoje, assim, deve estar voltada para a divulgação do Fluxo Cambial do BC, às 14h30. Nas últimas semanas, tem-se observado saída expressiva de dólares do país, atribuída, em grande parte, ao aumento sazonal de remessas de lucros e juros ao exterior. Agrava-se a isso o crescente ceticismo dos investidores em relação aos ativos domésticos, que tem intensificado ainda mais a fuga de capitais financeiros.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS




