Câmbio começa a sexta em alta, refletindo IPCA no Brasil e “payroll” nos EUA
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 6,10 (+0,9%)
▲ Dollar Index (DXY): ~ 109,9 pontos (+0,6%)
O mercado de divisas deve repercutir as divulgações de dados de emprego nos EUA e de inflação no Brasil, buscando calibrar expectativas para a trajetória da política monetária em ambos os países.
Agenda do dia (horário de Brasília):
• Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de dezembro e de 2024 (IBGE) – 09h00min.
• Relatório de Situação de Emprego nos EUA de dezembro (BLS) – 10h30min.
• Confiança do consumidor nos EUA de janeiro (UMich) – 12h00min.
• Posição semanal dos agentes de mercado (CFTC) – 17h30min.
"Payroll" forte O dólar negociado no mercado de divisas operava em alta nas primeiras operações dessa sexta-feira, quando era cotado a R$ 6,10 (10h25min). No exterior, investidores aguardam a divulgação do Relatório de Situação de Emprego nos EUA de dezembro. O indicador é importante para o Federal Reserve na condução de sua política monetária, uma vez que dá pistas importantes sobre o nível de atividade econômica e sobre a saúde do mercado de trabalho no país. Em dezembro, durante a coletiva de imprensa após a última decisão de juros do órgão, o presidente do Fed, Jerome Powell, classificou a redução da taxa como “uma decisão mais difícil”, explicando que o corte foi considerado “a melhor forma de atender aos dois objetivos: emprego e inflação”. Portanto, com o fortalecimento da percepção de um mercado de trabalho funcional e com a atividade econômica mostrando sinais de resiliência, fortalece a expectativa de que o Fed deva ser mais cauteloso em sua trajetória de juros, a fim de garantir também seus objetivos de atingimento de neutralidade inflacionária. As projeções medianas apontam para a criação de aproximadamente 150 mil novas vagas, estendendo o ritmo aquecido observado em novembro, quando foram gerados 227 mil postos de trabalho. Nas últimas semanas, a maior percepção de resiliência da economia americana tem contribuído para o fortalecimento do dólar e dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano, ao passo em que diminuem as expectativas de que o Fed realize cortes mais acelerados de juros.
IPCA acelera em dezembro No Brasil, a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve ser o principal guia da sessão, que mostrou nova aceleração em dezembro, com aumento de 0,52% frente aos 0,39% de setembro. O maior impacto no índice advém do grupo Alimentação e Bebidas, que apresentou alta de 1,18%. Por outro lado, o custo da energia elétrica residencial recuou 3,19%, refletindo a adoção da bandeira tarifária verde em dezembro. Ao considerar o núcleo do indicador, que exclui os componentes voláteis de alimentação e energia, verificou-se uma aceleração para 0,57%, acima dos 0,54% registrados em novembro. A divulgação do resultado de dezembro consolidou a taxa oficial de inflação para o ano de 2024, acumulando uma alta de 4,83%, superior aos 4,62% observados em 2023. A extrapolação do teto da meta de inflação (4,5%) obriga o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, a encaminhar uma carta ao Ministério da Fazenda explicando as razões para o desvio. Na última decisão de política monetária, em dezembro, o Banco Central reconheceu a materialização de riscos assimétricos de alta nos cenários prospectivos para a inflação. Como resposta, o Comitê de Política Monetária (Copom) optou por um aumento de 1 ponto percentual na taxa básica de juros, sinalizando a possibilidade de mais duas elevações de mesma proporção nas reuniões subsequentes. Embora, em teoria, a perspectiva de ajustes mais intensos na taxa de juros brasileira deva exercer pressão baixista sobre o câmbio, o aumento das preocupações com uma inflação mais acelerada no país pode limitar esse efeito, gerando incertezas adicionais para o mercado.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS




