Câmbio abre a segunda em alta, refletindo cenário de aversão global a riscos
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,94 (+0,4%)
▼ Dollar Index (DXY): ~ 107,2 pontos (-0,3%)
O mercado de divisas deve refletir o cenário internacional de negócios de maior aversão a riscos após uma empresa chinesa lançar um assistente de inteligência artificial que afirma ser baseado em chips mais baratos e com menor uso de dados, ao mesmo tempo em que Estados Unidos e Colômbia quase iniciaram uma “guerra comercial” no fim de semana.
Agenda do dia (horário de Brasília):
• Boletim Focus semanal (BC) – 08h30min.
• Estatísticas monetárias e de crédito de dezembro (BC) – 08h30min.
• Índice nacional de atividade de dezembro do Federal Reserve de Chicago – 10h30min.
• Índice de manufatura de janeiro do Federal Reserve de Dallas – 12h30min.
• Palestra da presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde – 12h35min.
• Balança comercial semanal (Secex) – 15h00min.
China surpreende e traz incerteza a investidores A taxa de câmbio do real apresentava tendência de alta nas primeiras operações desta segunda-feira, quando era cotada ao redor de R$ 5,93 (10h10min), em linha com o movimento externo de maior aversão a ativos arriscados. Essa aversão, por sua vez, era reflexo do lançamento de um assistente de inteligência artificial (IA) durante o fim de semana pela startup chinesa DeepSeek, que afirmou que sua tecnologia apresenta melhor custo-benefício e utiliza chips menos avançados. Parte da interpretação recente de uma “exuberância” econômica dos EUA estava na leitura de que o avanço da IA exigiria um longo ciclo de investimentos em tecnologia, em particular em chips mais sofisticados e potentes e uso mais intensivo de servidores para armazenamento de grandes bases de informação, o que levou, ao mesmo tempo, a uma rápida elevação dos investimentos das empresas nessas áreas e a um forte otimismo de investidores quanto à perspectiva de rentabilidade futura das empresas de tecnologia listadas nas bolsas americanas, supostamente à frente nessas tecnologias. O anúncio chinês, entretanto, desafia essas premissas e traz incertezas sobre a dominância tecnológica dos EUA, o que, por sua vez, provoca um comportamento avesso ao risco de investidores, que buscam moedas consideradas “portos-seguros” para momentos de incerteza, como o franco suíço e o iene japonês, prejudicando o desempenho do real.
EUA ameaçam tarifas contra a Colômbia Adicionalmente, também contribui para a aversão global a riscos e para o enfraquecimento do real a maior possibilidade de aumento das tarifas de importação pelos EUA contra as demais nações do mundo. No fim de semana, os Estados Unidos e a Colômbia quase iniciaram uma “guerra comercial” após o país sul-americano recusar, inicialmente, receber aeronaves militares do norte-americano que deportavam em massa imigrantes colombianos. O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou impor tarifas e sanções à Colômbia para puni-la por se recusar a aceitar os voos com deportados, o que levou os dois países a chegarem a um acordo, com Bogotá aceitando os migrantes e Washington não impondo as penalidades.
“Desancoragem” das expectativas inflacionárias Por fim, vale mencionar que o boletim Focus apresentou forte alta para a previsão mediana para inflação no Brasil em 2025, passando de 5,08% para 5,50%. Esse movimento de altas persistentes para as expectativas inflacionárias, por sua vez, reforça uma leitura de que o Banco Central do Brasil deve aumentar intensamente a taxa básica de juros (Selic) ao longo do ano, o que pode ajudar na atração de investimentos estrangeiros e amenizar o enfraquecimento do real.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS



