Câmbio começa a terça em alta, refletindo tarifas americanas, IPCA e falas de Powell
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,80 (+0,3%)
= Dollar Index (DXY): ~ 108,3 pontos (0,0%)
O mercado de divisas deve repercutir a formalização pelos EUA de tarifas de 25% sobre a importação de aço e alumínio de todos os países, bem como à leitura de janeiro do IPCA brasileiro e depoimento do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, ao Senado americano.
Agenda do dia (horário de Brasília):
• Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de janeiro (IBGE) – 09h00min.
• Palestra da presidente do Federal Reserve de Cleveland, Beth Hammack – 10h50min.
• Palestra do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell – 12h00min.
• Palestra da membra do Conselho de Governadores do Federal Reserve, Michelle Bowman – 17h30min.
• Palestra do presidente do Federal Reserve de Nova Iorque, John Williams – 17h30min.
Tarifas de Trump A taxa de câmbio do real operava em alta nas primeiras operações desta terça-feira, quando era cotada ao redor de R$ 5,80 (10h20min). Nesta manhã, os investidores repercutem a formalização pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de tarifas de 25% sobre a importação de aço e alumínio de todos os países. Segundo Trump, a medida deve simplificar a tributação das importações dos metais pelo país, enfatizando que a medida será promovida "sem exceções ou isenções. Isso vale para todos os países, independentemente de onde venha". Vale lembrar que o Brasil exporta 48% da sua produção de aço e 16% da sua produção de alumínio para os EUA, cerca de US$ 6,5 bilhões em exportações. A assinatura do decreto reforça os temores de investidores de que os Estados Unidos podem provocar uma “guerra de tarifas” contra seus parceiros comerciais, o que, por sua vez, amplia as incertezas sobre a inflação americana no curto prazo e sobre o crescimento econômico dos demais países. Este cenário, por sua vez, tende a favorecer o dólar globalmente ao diminuir o apetite por ativos dos países prejudicados, ampliar a busca de ativos de segurança para momentos de estresse, como o dólar, e indicar que o Federal Reserve (Fed) possa ter que manter os juros mais altos por mais tempo para tentar neutralizar os impactos inflacionários das tarifas, favorecendo o rendimento dos títulos americanos e tornando-os mais atraentes para investidores.
Depoimento de Powell Adicionalmente, investidores devem observar declarações do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, em seu depoimento semestral ao Congresso dos Estados Unidos. Realizado em duas sessões (hoje e amanhã), o testemunho de Powell pode fornecer indícios acerca dos próximos passos da política monetária norte-americana. A percepção predominante entre os agentes de mercado é de que o presidente do Fed reforçará a mensagem divulgada na ata da última decisão de juros do órgão, que destaca o bom desempenho econômico, o sólido mercado de trabalho e o progresso ainda irregular no controle inflacionário. Além disso, espera-se que Powell seja indagado sobre as incertezas relacionadas às novas políticas do governo Trump, sobretudo no que diz respeito às mudanças em comércio, imigração e política fiscal. Diante de possíveis pressões inflacionárias decorrentes dessas medidas governamentais e do contexto atual da economia americana, nesse sentido, espera-se que Powell seja novamente cauteloso acerca de possíveis novos cortes de juros pelo país, o que tende a favorecer o dólar globalmente.
Composição ruim do IPCA de janeiro Por outro lado, contribui para sustentar o valor do real a leitura do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que reduziu seu ritmo de alta de 0,52% em dezembro para 0,16% em janeiro, praticamente em linha com a mediana das estimativas de analistas e a menor taxa para um mês de janeiro desde a implantação do Plano Real, em 1994. O resultado do índice foi bastante influenciado pelos preços de energia elétrica, que recuaram em 14,21% no mês por conta do “bônus de Itaipu”, um crédito para os consumidores residenciais e rurais relativo aos meses em que seu consumo mensal tenha sido inferior a 350 quilowatts-hora (kWh) no ano de 2023. Contudo, esse alívio para o IPCA não deve diminuir as expectativas inflacionárias dos investidores, visto que é transitório e não se repetirá nos próximos meses. Além disso, o “núcleo” do indicador, que exclui os voláteis componentes de alimentação e energia, passou de +0,57% em dezembro para +0,67% em janeiro, enquanto os preços de serviços passaram de 0,66% para 0,78% no mesmo intervalo, apontando para uma tendência bastante desfavorável da inflação no país, piorando, portanto, as expectativas inflacionárias para 2025. Isto, por sua vez, consolida a perspectiva de altas firmes para a taxa básica de juros (Selic) pelo Banco Central, o que favorece a perspectiva de ampliação do diferencial de juros brasileiro e contribui para o fortalecimento do real.
IPCA acumulado em 12 meses segundo agrupamentos selecionados (%)
Fonte: Banco Central do Brasil. Elaboração: StoneX.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS




