Câmbio abre quinta estável, aguardando dados dos EUA, decisão do BCE e notícias sobre tarifas de Trump
▼ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,75 (0,0%)
▼ Dollar Index (DXY): ~ 104,0 pontos (-0,2%)
Após sessão de forte desvalorização do dólar na véspera, o mercado de divisas deve seguir avaliando a escalada dos conflitos comerciais globais após a implementação das novas tarifas de importação pelos Estados Unidos. Nesse âmbito, investidores devem estar atentos a notícias sobre a reunião de hoje entre o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, com o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick. Além disso, agentes de mercado devem acompanhar os dados de auxílio-desemprego dos EUA e o discurso da presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, após a decisão de política monetária do órgão.
Agenda do dia (horário de Brasília):
• Decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE) – 10h15min.
• Pedidos semanais de auxílio-desemprego nos EUA (DOL) – 10h30min.
• Balança comercial dos EUA de janeiro (Census) – 10h30min.
• Palestra da presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde – 10h45min.
• Fluxo cambial semanal (BC) – 14h30min.
• Palestra de membro do conselho de governadores do Federal Reserve, Christopher Waller – 17h30min.
Tarifas de Trump e reunião com Alckmin A taxa de câmbio do real operava em baixa nas primeiras operações desta quinta-feira, quando era cotada ao redor de R$ 5,75 (10h30min). Os investidores permanecem atentos à política comercial dos Estados Unidos, acompanhando eventuais desdobramentos do conflito tarifário global que se intensificou nos últimos dias. Na última terça-feira (04), a equipe econômica do presidente Donald Trump anunciou tarifas de 25% sobre importações do Canadá e do México, além de uma taxa adicional de 10% sobre produtos chineses, que agora totalizam 20%. Em reação, os países afetados anunciaram medidas retaliatórias (detalhadas em reportagem especial da StoneX). Contudo, as apreensões de uma escalada nesse conflito foram atenuadas ontem, após declarações do Secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, que mencionou contatos contínuos com Canadá e México “durante todo o dia” e a possibilidade de se chegar a uma solução parcial com esses parceiros. Nesse contexto, Trump anunciou ao final do dia uma isenção de um mês para as tarifas punitivas aplicáveis às montadoras de veículos do Canadá e do México. Nesta quinta-feira, Lutnick deve prosseguir com as negociações junto a parceiros comerciais, incluindo uma reunião com o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, na qual devem ser discutidos os possíveis impactos das tarifas sobre produtos brasileiros, sobretudo o aço, cuja elevação tarifária está prevista para entrar em vigor na próxima quarta-feira (12). A percepção de que os Estados Unidos possam estar adotando uma postura menos agressiva na condução de sua política comercial do que se temia contribui para reduzir a aversão global ao risco e, consequentemente, enfraquecer o dólar.
Indicadores de emprego nos EUA Os participantes do mercado também acompanham a divulgação dos dados semanais de auxílio-desemprego nos Estados Unidos, utilizados como termômetro da situação do mercado de trabalho. A mediana das expectativas aponta para 234 mil novos pedidos, abaixo dos 242 mil reportados na semana anterior, que já superaram as projeções do mercado. Esses números ganham relevância em função dos resultados aquém do esperado dos relatórios JOLTs de janeiro e do Relatório de Emprego do Setor Privado (ADP) de fevereiro, divulgados esta semana, os quais suscitaram preocupações de que o mercado de trabalho americano possa estar perdendo fôlego em ritmo acima do previsto. O foco principal desta semana, contudo, recai sobre o Relatório de Emprego (“payroll”) de fevereiro, a ser publicado amanhã. Caso os números a serem divulgados repitam o desempenho fraco dos relatórios dessa semana, podem sugerir a possibilidade de maior flexibilização da política monetária pelo Federal Reserve, o que tende a reduzir a atratividade dos títulos norte-americanos e, portanto, reforçar o movimento de desvalorização global do dólar.
Decisão de juros do BCE Por fim, nesta manhã, o Banco Central Europeu (BCE) reduziu sua taxa básica de juros de 2,75% ao ano para 2,50% ao ano, influenciado por projeções de inflação mais favoráveis, mas principalmente pela estagnação da atividade econômica no bloco de 20 países. Após essa decisão, contudo, a autoridade monetária tende a adotar uma postura cautelosa, aguardando novos dados sobre as condições econômicas e eventuais impactos do conflito comercial com os Estados Unidos antes de promover cortes adicionais na taxa. No momento, o consenso de mercado sugere a possibilidade de mais dois cortes de 0,25 ponto percentual ao longo de 2025, como parte dos esforços para estimular o crescimento na região. Em geral, cortes de juros no bloco europeu enfraquecem o euro, o que, indiretamente, favorece a valorização do dólar em âmbito global.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS



