Câmbio começa sexta em leve alta, refletindo “payroll” nos EUA, PIB no Brasil e plano de combate à inflação de alimentos
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,77 (+0,2%)
▼ Dollar Index (DXY): ~ 103,8 pontos (-0,3%)
O mercado de divisas deve repercutir a divulgação de dados para o mercado de trabalho americano em fevereiro, em meio a preocupações de desaceleração da maior economia global. Adicionalmente, investidores reagem à divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro do quarto trimestre e ao anúncio de medidas para combate à inflação de alimentos pelo governo.
Agenda do dia (horário de Brasília):
• Produto Interno Bruto (PIB) da área do Euro do quarto trimestre de 2024 (Eurostat) – 07h00min.
• Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre de 2024 (IBGE) – 09h00min.
• Relatório de situação de emprego (“payroll”) dos EUA de fevereiro (BLS) – 10h30min.
• Palestra da membra do conselho de governadores do Federal Reserve, Michelle Bowman – 12h15min.
• Palestra do presidente do Federal Reserve de Nova Iorque, John Williams – 12h45min.
• Palestra do diretor de Política Econômica do Banco Central, Diogo Guillen – 13h15min.
• Palestra da membra do conselho de governadores do Federal Reserve, Adriana Kugler – 14h20min.
• Palestra do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell – 14h30min.
• Balança comercial semanal (Secex) – 15h00min.
• Entrevista do ministro da Fazenda, Fernando Haddad- 19h00min.
Aguardando “payroll” nos EUA A taxa de câmbio do real operava em estabilidade nas primeiras operações desta sexta-feira, quando era cotada ao redor de R$ 5,77 (10h00min). O principal evento da sessão deve ser a divulgação do Relatório de Situação de Emprego (“payroll”) de fevereiro nos Estados Unidos, que deve apontar para um avanço na geração de empregos, com a mediana das estimativas antecipando um saldo positivo de 170 mil novos postos de trabalho em fevereiro ante 143 mil em janeiro. A divulgação dessa sexta-feira adquire relevância destacada em função dos resultados aquém do esperado do Relatório de Emprego do Setor Privado (ADP) de fevereiro, divulgados esta semana, os quais suscitaram preocupações de que o mercado de trabalho americano possa estar perdendo fôlego em ritmo acima do desejado. Nesse sentido, se os números do "payroll" repetirem o desempenho fraco dos relatórios recentes, podem aumentar as apostas de cortes de juros pelo Federal Reserve, o que tende a reduzir a atratividade dos títulos norte-americanos e, portanto, impulsionar um movimento de desvalorização global do dólar.
Combate à inflação de alimentos No cenário doméstico, investidores devem repercutir o plano de medidas de combate à inflação dos alimentos proposto pelo Governo Federal ontem (06). Entre as iniciativas, destacam-se a isenção do imposto de importação para determinados produtos (carne, café, açúcar, milho, óleo de cozinha e azeite) e a adoção de ações regulatórias voltadas a estimular a competitividade e reduzir custos. Adicionalmente, o governo planeja negociar com os estados a redução do ICMS sobre itens da cesta básica, ao mesmo tempo em que reforçará a parceria com redes de supermercados para ampliar a divulgação de descontos nas lojas. Ontem, a reação dos investidores às notícias preliminares sobre o tema evidenciou preocupações acerca de uma possível deterioração do cenário fiscal brasileiro. Nesse sentido, a depender da forma como as medidas forem interpretadas pelos agentes econômicos, o anúncio pode fortalecer o pessimismo em relação à trajetória das contas públicas. Em particular, pode prevalecer a percepção de que o governo federal, visando melhorar seus índices de popularidade e competitividade para as eleições de 2026, poderia ampliar gastos de maneira a comprometer o equilíbrio fiscal, resultando em maior percepção de riscos fiscais de ativos brasileiros e, assim, prejudicando o desempenho do real.
PIB brasileiro perde força Por fim, investidores também reagem à divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro do quarto trimestre, que se expandiu em 0,2% no quarto trimestre de 2024, abaixo da estimativa mediana de 0,5%. Com isso, a expansão anual ficou em 3,4%, também abaixo dos 4,1% projetados por analistas. Tal número pode reforçar a percepção de que a economia brasileira desacelerou seu ritmo de expansão nos últimos meses do ano, piorando as perspectivas de crescimento para 2025. Um crescimento mais baixo, por sua vez, pode resultar em pressões inflacionárias menores ao reprimir a demanda e influenciar o Banco Central a ser mais moderado em suas altas para a taxa básica de juros (Selic), tanto por enfrentar um cenário inflacionário menos adverso como para evitar uma contração mais grave da atividade econômica. Por sua vez, uma perspectiva de altas mais lentas ou menores que o previsto para a Selic tende a enfraquecer o real ao diminuir a expectativa de diferencial de juros do país.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS



