Câmbio inicia a quarta em alta, refletindo tarifas de Trump, CPI nos EUA e IPCA no Brasil
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,83 (+0,3%)
▲ Dollar Index (DXY): ~ 103,7 pontos (+0,3%)
O mercado de divisas deve repercutir a entrada em vigor de tarifas de importação de 25% sobre aço e alumínio pelos EUA, bem como a divulgação de índices de inflação para Brasil e Estados Unidos em fevereiro.
Agenda do dia (horário de Brasília):
• Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de fevereiro (IBGE) – 09h00min.
• Índice de preços ao consumidor (CPI) dos EUA de fevereiro (BLS) – 09h30min.
• Índice de Commodities Brasil (IC-Br) de fevereiro (BC) – 14h30min.
• Fluxo cambial semanal (BC) – 14h30min.
• Palestra da presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde – 14h30min.
Tarifas sobre aço e alumínio A taxa de câmbio do real operava em alta nas primeiras operações desta quarta-feira, quando era negociada ao redor de R$ 5,83 (10h15min). No cenário internacional, investidores repercutem a confirmação do governo norte-americano acerca da aplicação de tarifas sobre todas as importações de aço e alumínio, “sem exceções ou isenções”. Entre os países mais impactados pela nova taxação estão Canadá, Brasil, México e Coreia do Sul. A implementação dessas medidas reforça as promessas de campanha do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cujo principal argumento consiste em “fechar brechas e isenções existentes” e combater “práticas de comércio injustas”. Como retaliação, a União Europeia anunciou, também nesta manhã, a adoção de tarifas sobre € 26 bilhões em importações de produtos norte-americanos a partir de abril. Nas últimas semanas, o temor de uma guerra comercial mais ampla e os potenciais efeitos negativos dessas tarifas na economia dos EUA têm alimentado o pessimismo entre investidores, refletido na queda dos índices de confiança do consumidor e na piora das projeções de resultados financeiros para 2025 de grandes empresas norte-americanas. Nesse contexto, a elevada imprevisibilidade do ambiente de negócios norte-americano tem favorecido ativos considerados “portos seguros”, como ouro, franco suíço e iene japonês, em detrimento do desempenho do real.
Inflação mais branda nos EUA Investidores acompanham, também, a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) de fevereiro nos Estados Unidos, que avançou 0,2% em relação ao mês anterior tanto no índice cheio como em seu núcleo, que exclui os voláteis componentes de alimentação e energia, abaixo da estimativa mediana de 0,3% para ambos. Em consequência, a alta acumulada em 12 meses recuou de 3,0% para 2,8%, enquanto o núcleo passou de 3,3% para 3,1%. Apesar de ainda se situarem acima da meta de 2% estabelecida pelo Federal Reserve, tais resultados podem ser interpretados como um sinal de “pouso suave” da economia norte-americana, o que reforça as expectativas de cortes de juros pelo Federal Reserve em 2025 e, portanto, tende a intensificar o movimento de desvalorização do dólar em nível global.
Medidas de inflação para os Estados Unidos (12 meses)
Fonte: U.S. Bureau of Economic Analysis (BEA), U.S. Bureau of Labor Statistics (BLS), Federal Reserve Bank of St. Louis. Elaboração: StoneX.
IPCA acelera em fevereiro O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de fevereiro acelerou de 0,16% em janeiro para 1,31% em fevereiro, praticamente em linha com a mediana das projeções de analistas. Essa aceleração foi resultado da forte alta de energia elétrica por conta do fim do “bônus de Itaipu”, bem como aumentos no transporte público, mensalidades escolares, combustíveis e alimentos. O núcleo do indicador, que exclui os voláteis componentes de alimentação e energia, passou de 0,67% em janeiro para 0,61% em fevereiro, enquanto os preços de serviços passaram de 0,78% para 0,82% no mesmo período. Essa aceleração do IPCA e sua composição ruim tendem a piorar as expectativas para a inflação ao longo de 2025 e reforçar a perspectiva de altas firmes para a taxa básica de juros (Selic), ainda que essa perspectiva esteja sendo limitada, no momento, por dados mais fracos para a economia brasileira. De toda forma, a projeção de elevação da taxa Selic no curto prazo melhora a perspectiva de rentabilidade dos títulos brasileiros e pode ajudar na atração de capitais externos, fortalecendo o real.
IPCA acumulado em 12 meses segundo agrupamentos selecionados (%)
Fonte: Banco Central do Brasil. Elaboração: StoneX.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS





