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Real se recupera após Copom deixar os próximos em aberto

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By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil
O par real/dólar opera em elevação na abertura da sessão desta quarta-feira (29). No momento da publicação deste texto (09h30min), ele era cotado ao redor de R$ 5,43, praticamente em estabilidade ante à véspera. Já o dollar index era cotado ao redor de 93,9 pontos, variação de +0,2% na comparação com o fechamento de ontem. O cenário internacional se mantém de pouco apetite ao risco, com preocupações sobre a crise energética chinesa e seus possíveis impactos na desaceleração do crescimento econômico do país, sobre a rápida elevação nos preços de commodities de energia, como petróleo e gás natural, e seus efeitos inflacionários globais, e sobre a situação financeira da incorporadora imobiliária Evergrande, que parece se aproximar da falência. No cenário nacional, A Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgou que o Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) registrou queda de 0,64% no mês de setembro, em função de forte retração nos preços do minério de ferro. Já o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que as preocupações do mercado com responsabilidade fiscal irão “sossegar” após a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos precatórios e reforma do Imposto de Renda. A agenda do dia inclui a divulgação de estatísticas fiscais pelo Banco Central e fala programada do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, ambas pela manhã.
O dollar index rompeu os 94 pontos nesta manhã, seu maior valor no ano, em meio a um cenário internacional de incerteza e aversão ao risco. Na segunda-feira, os senadores Republicanos votaram contra uma resolução que estendia a liberdade de gastos do Executivo. Agora, o Senado americano precisa aprovar uma extensão antes desta sexta (01/10), ou o governo estadunidense será fechado pela terceira vez em três anos. A Câmara dos Deputados já aprovou uma resolução que expande essa capacidade de gastos até 3 de dezembro deste ano, adicionando a ela uma provisão que suspende o limite de endividamento público até dezembro de 2022. Para que a resolução entre em vigor, contudo, é necessário que ela seja aprovada também no Senado, onde serão necessários 60 votos em uma assembleia igualmente dividida entre 50 senadores Democratas e 50 Republicanos. Contudo, os Republicanos estão se recusando a aprovar uma resolução que contenha essa provisão. Em testemunho ao Congresso no dia de ontem, a secretária do Tesouro, Janet Yellen, afirmou que os EUA correm o risco de “default” (isto é, de não pagar suas dívidas) pela primeira vez na história caso uma suspensão ou extensão do limite de endividamento público não ocorra até 18 de outubro.
Contribui para o clima de cautela internacional, também, as notícias de que a China enfrenta escassez no suprimento de energia, levando a receios de que seu crescimento econômico possa ser afetado. O país, que é altamente dependente de usinas termoelétricas movidas para a sua oferta de energia elétrica, está sendo duramente impactado pela rápida aceleração do preço do carvão mineral, principal insumo destas usinas – ele acumula alta de 137% em doze meses. Como o preço da energia elétrica possui reajustes programados, os produtores preferem controlar sua produção a aumentá-la e produzir com prejuízos. Ademais, a China tem definido metas agressivas de redução em seus patamares de poluição, impondo quotas e restrições ao uso do carvão para suas regiões administrativas.
É digno de nota, também, que a incorporadora imobiliária chinesa Evergrande vendeu sua participação no banco Shengjing Bank Co Ltd pelo valor de US$ 1,5 bilhão para levantar caixa e ajudar na quitação de dívidas pendentes. Ainda assim, a agência de classificação de risco de crédito Fitch rebaixou a classificação da companhia para “C”, última nota antes de “default”, ao notar que a empresa chinesa deixou de pagar alguns de seus títulos mais recentes.
No Brasil, a FGV divulgou que o IGP-M registrou queda de 0,64% em setembro, depois de avanço de 0,66% no mês anterior, em função da baixa significativa dos preços no minério de ferro. O índice acumula alta de 24,86% em 12 meses. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que responde por 60% do índice geral e apura a variação dos preços no atacado, caiu 1,21% em setembro, contra alta de 0,66% no mês anterior. Tal desempenho foi consequência da deflação de 5,74% das Matérias-Primas Brutas neste mês, após recuo de 1,64% em agosto, com os preços do minério de ferro despencando 21,74% em agosto após já terem se reduzido em 15,32% no mês anterior.

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