
Abertura de Câmbio
Câmbio deve refletir cenário geopolítico enquanto aguarda pelo Copom

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By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil
A taxa de câmbio iniciou a manhã de quarta-feira (27) em leve baixa. No momento da publicação deste texto (09h30min), ela era cotada ao redor de R$5,56, variação de -0,2% ante à véspera. Já o dollar index era cotado ao redor de 93,8 pontos, recuo de 0,2% em comparação ao fechamento de terça. O mercado de divisas aguarda pela decisão do Comitê de Política Monetária a respeito da taxa básica de juros (Selic). Em meio a um ambiente de tensão fiscal, aceleração dos níveis de preço e aumento do patamar do câmbio, analistas de mercado visualizam um aumento superior a um ponto percentual na decisão desta tarde. A agenda do dia traz, também, a divulgação do índice de preços ao produtor do mês de setembro e dados do mercado de trabalho para o mês de agosto. Cabe notar, ainda, que aguarda se uma definição a respeito da votação do parecer do relator da Proposta de Emenda à Constituição dos Precatórios (PEC 23/21) no Plenário da Câmara, visto que a apreciação foi adiada ontem após enfrentar resistência por parlamentares da oposição.
Pela manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que a taxa de desemprego recuou de 14,6% no trimestre fechado em maio para 13,2% no trimestre encerrado em agosto, número significativamente inferior à taxa de 14,4% do mesmo período do ano passado. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADc), atualmente 13,7 milhões de brasileiros estão sem trabalho e à procura de emprego. O mercado de trabalho se recuperou mesmo em meio à aceleração do nível de preços, e o aumento no número de pessoas ocupadas foi o principal responsável pelo recuo na taxa de desemprego, com um acréscimo de 3,4 milhões ao número de trabalhadores. Com esse aumento, o nível de ocupação subiu 2,0 pontos percentuais, para 50,9%. “Parte significativa da recuperação da ocupação deve-se ao avanço da informalidade. Em um ano a população ocupada total expandiu em 8,5 milhões de pessoas, sendo que desse contingente 6,0 milhões eram trabalhadores informais”, explica, em nota, a coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE, Adriana Beringuy. Embora tenha havido um crescimento bastante acentuado no período, Beringuy destaca que o número de trabalhadores informais ainda se encontra abaixo do nível pré-pandemia.
O aumento da ocupação no segundo trimestre localizou-se, principalmente, nas atividades relacionadas a alojamento e alimentação (10,2%), construção (10,0%), serviços domésticos (9,7%) e comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (7,8%). Quando se observa a posição na ocupação, o maior crescimento ocorreu nos empregados sem carteira de trabalho assinada, cujas ocupações aumentaram em 10,1% em relação ao trimestre encerrado em maio e 23,3% em relação ao mesmo período de 2020. Na sequência, tem-se os trabalhadores domésticos, cujo emprego se elevou em 9,9% ante o trimestre encerrado em maio e em 21,2% ante o mesmo período do ano passado. A seguir, tem-se os trabalhadores por conta própria, que cresceram em 4,3% na comparação com o trimestre encerrado em maio e em 18,1% ante o mesmo período do ano anterior. Já os empregados com carteira assinada tiveram alta de 4,2% contra o trimestre fechado em maio e aumento de 6,8% contra o mesmo período de 2020. Tais dados mostram debilidade do mercado de trabalho brasileiro, visto que, em que pese uma queda da taxa de desocupação, o crescimento no emprego se dá nas categorias de maior informalidade, menor rendimento e pior proteção social. Em função desse enfraquecimento, a massa de rendimento real do trabalho se reduziu em todas as categorias pesquisadas, declinando, em média, 4,3% comparado ao trimestre encerrado em maio e 10,2% comparado ao mesmo período de 2020.
O IBGE também publicou, nesta manhã, que o Índice de Preços ao Produtor (IPP) se acelerou em 0,40% no mês de setembro, um arrefecimento em seu ritmo de crescimento, visto que foi a menor aceleração nos custos desde dezembro de 2020. Contudo, o indicador ainda acumula alta de 24,08% no ano e de 30,59% em 12 meses. Também referida por “inflação da porta de fábrica”, por não incluir impostos ou fretes, a pesquisa mede a variação dos preços de produtos de 24 atividades das indústrias extrativas e da transformação. Em setembro, 20 dessas atividades tiveram variações positivas na comparação com agosto. “Apesar de positiva, a variação do índice geral em setembro foi a menor observada em 2021. O resultado é explicado tanto pelo aumento em algumas atividades, como a de alimentos, quanto pela queda no setor de indústrias extrativas. Essa foi a segunda maior queda da série histórica da atividade e se deve aos menores preços do minério de ferro, que é um produto cotado no mercado internacional e está sendo impactado pela diminuição da demanda, principalmente por parte da China”, explica o analista da pesquisa, Murilo Alvim.
Por fim, é importante destacar o adiamento da votação da Câmara o parecer do projeto para a Proposta de Emenda à Constituição dos Precatórios (PEC 23/21) em que, resumidamente, inseriu um novo período para o cálculo da correção do limite constitucional de gastos e definiu a prorrogação do pagamento de parcela substantiva das dívidas judiciais do governo acima de certo patamar que obedeça, justamente, à dinâmica do “teto de gastos”. Segundo reportagens desta manhã, partidos de oposição se opõem ao adiamento do pagamento dos precatórios, porém não são contrários à revisão do teto de gastos em um primeiro momento. Enquanto isso, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), busca acordos com lideranças dos partidos para alcançar os votos necessários para avançar a medida em Plenário.

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