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Abertura de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Dólar inicia o dia em queda,
cotado ao redor de R$ 5,525
 
Vitor Andrioli
Leonardo Rossetti
Leonel Oliveira Mattos
Câmbio reflete tom duro do comunicado do Copom

A taxa de câmbio apresentava tendência de queda nas primeiras operações desta quinta-feira (09). No momento da publicação deste texto (09h30min), ela era cotada ao redor de R$ 5,525, variação de -0,2% ante à véspera. Já o dollar index era cotado ao redor de 96,1 pontos, alta de 0,3% comparado ao fechamento de quarta. O mercado de divisas repercutia o tom firme do comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom), que, ontem, decidiu elevar a taxa básica de juros (Selic) em 1,5 p.p. pela segunda vez consecutiva. No documento, o Comitê enfatizou o compromisso do Banco Central (BC) com a convergência das expectativas de inflação com a meta da autoridade monetária, ainda que isso exija aumentos de juros que desacelerem a economia. Vale ressaltar, também, que o Congresso Nacional promulgou, ontem, trechos da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios, após um acordo entre os presidentes do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), de publicar imediatamente as partes da PEC que já foram votadas no Plenário das duas casas sem alterações. No exterior, os destaques serão a divulgação dos números semanais para solicitação de auxílio-desemprego nos Estados Unidos, pelo Departamento do Trabalho (DOL) do país, e o rebaixamento da nota de crédito das incorporadoras imobiliárias chinesas Evergrande e Kaisa para “default” (calote) pela agência de classificação de risco de crédito Fitch, após estas empresas perderem o pagamento dentro do prazo de carência de obrigações financeiras.

Ontem, o Comitê de Política Monetária do Banco Central elevou a taxa básica de juros (Selic) em 1,5 ponto percentual pela segunda vez consecutiva, de 7,75% ao ano para 9,25% ao ano, maior registro para a taxa desde 2017. No comunicado divulgado após a decisão, o BC indicou que antevê novo reajuste de mesma magnitude para a próxima reunião, em 01 e 02 de fevereiro, o que levaria a taxa para 10,75% ao ano. Trata-se do sétimo aumento consecutivo pelo Comitê, que iniciou seu processo de reajustes em março deste ano, quando a taxa Selic se encontrava em 2,00% ao ano. O ciclo atual de aperto monetário, com elevação de 725 pontos-base em nove meses, é o mais agressivo desde 2002, quando o Copom elevou a taxa básica em 850 pontos-base em cinco meses.

O tom duro do comunicado surpreendeu analistas de mercado, que esperavam uma descrição mais ampla do balanço de riscos para o futuro e, possivelmente, alguma cautela para os próximos passos, em função dos sinais de fraqueza vindos da atividade econômica do país. O Brasil está em recessão técnica após dois trimestres seguidos com taxa negativa de expansão para o Produto Interno Bruto, e dados recentes de produção industrial, volume de vendas no varejo e de prestação de serviços foram todos aquém das projeções de mercado. Contudo, o Comitê se mostrou comprometido com a estabilidade de preços, ao descrever que “diante do aumento de suas projeções e do risco de desancoragem das expectativas para prazos mais longos, é apropriado que o ciclo de aperto monetário avance significativamente em território contracionista”.

Ontem, também, os presidentes do Senado e da Câmara anunciaram um acordo para “fatiar” a PEC dos Precatórios (PEC 23/21), ou seja, promulgar de imediato os trechos idênticos do texto-base votado nas duas Casas, ao passo que os deputados realizarão nova apreciação no Plenário dos pontos alterados pelos senadores na próxima semana. Assim, a PEC dos Precatórios será promulgada sem a alteração no texto constitucional sobre os precatórios, contendo apenas a mudança no período de correção inflacionária sobre o limite constitucional de despesas. Como não se pode promulgar duas vezes a mesma emenda constitucional, a votação dos trechos divergentes pela Câmara dos Deputados provocará a publicação de nova Proposta de Emenda à Constituição, quando ocorrer. A PEC ampliará o Orçamento de 2022 em R$ 108,4 bilhões, mas somente R$ 64,9 bilhões desse dinheiro estarão garantidos com a promulgação do texto comum aprovado pela Câmara e pelo Senado. Apesar da votação dos trechos divergentes antes do recesso parlamentar ser necessária para garantir o aumento suficiente no Orçamento para o pagamento do Auxílio Brasil em 2022, mesmo um avanço parcial nesta pauta, que foi alvo de muito debate e incerteza, reduz as incertezas sobre o Orçamento do próximo ano.

Por fim, é importante destacar que a agência de classificação de risco de crédito Fitch rebaixou a classificação das incorporadoras imobiliárias chinesas Evergrande e Kaisa para “Restricted Default”, ou seja, para uma classificação de empresa que deixou de honrar suas obrigações financeiras, mas não cessou suas operações ou entrou em processo de liquidação. Em seu comentário sobre a piora da classificação da Evergrande, a Fitch notou que a empresa não respondeu aos seus contatos buscando confirmação do pagamento de um título de cupom denominado em dólares vencido em 06 de novembro no valor de US$ 82,5 milhões. “Desta forma, estamos assumindo que eles não foram pagos”, escreveu a agência. Já a Kaisa afirmou à agência que 50% das suas obrigações externas venceriam em 07 de dezembro e que ela buscava reestruturar sua dívida, visto que não conseguiria honrar todas as suas obrigações. Contudo, a Fitch notou que há “informações limitadas” a respeito desse plano de reestruturação e que a empresa perdeu o pagamento de um título de US$ 400 milhões nesse dia. Com a classificação dessas empresas como “Default” pela agência, credores poderão executar cláusulas de recebimento imediato de suas dívidas junto à empresa, o que pode desencadear um efeito em cadeia de insolvência para elas.

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS
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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e CommodityNetwork Trader’s Pro.

  • Moedas

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