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Real se recupera após Copom deixar os próximos em aberto

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By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil
O par real/dólar recuava na manhã desta terça-feira (14), após forte alta e volatilidade expressiva que marcaram a sessão da véspera. No momento da publicação deste texto (11h00min) A moeda americana era cotada em torno dos R$ 5,64, variação de -0,6% em relação à véspera, com os investidores reagindo à ata da reunião mais recente de política monetária no Brasil e diante das indicações otimistas de estudo preliminar sobre a eficácia da terceira dose da vacina da Pfizer contra a variante ômicron.
No exterior, o dólar registrava leve queda de 0,11% ante uma cesta de divisas de economias avançadas, cotado a 96,2 pontos. As expectativas para mais uma leva de dados da inflação ao produtor, antecedente importante para a meta de estabilidade de preços do Federal Reserve, e para a próxima decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), que será anunciada na tarde de amanhã, dominavam as atenções dos agentes.
Entre as economias emergentes, o registro das primeiras infecções pela variante ômicron em território chinês inspirava alguma cautela. As principais bolsas asiáticas encerraram o pregão desta terça no negativo, com destaque para os índices de Hong Kong (-1,33), Xangai (-0,53%) e Tóquio (-0,73%).
O mercado de divisas repercute nesta manhã a divulgação da ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que reforçou a postura mais firme da autoridade monetária para garantir a convergência da inflação no horizonte relevante, apesar dos sinais recentes de oscilações no desempenho dos principais setores da economia brasileira. Na última semana, o tom duro do comunicado havia surpreendido os analistas de mercado, que esperavam uma resposta mais cautelosa do colegiado em função dos sinais de fraqueza vindos da atividade econômica do país.
A ata apresentou que o Copom considerou para sua decisão um viés altista em seu cenário básico para o balanço de riscos, onde ponderou “o risco de desancoragem das expectativas para prazos mais longos, derivado dos desenvolvimentos no cenário fiscal”. Desta forma, no cenário atual, o Comitê enxerga que suas projeções para a inflação se encontram acima da meta tanto para 2022 como para 2023, o que justifica a manutenção do atual ritmo no ciclo de aperto monetário. O Comitê indicou que antevê novo reajuste de mesma magnitude para a próxima reunião, no início de fevereiro, o que levaria a taxa para 10,75% ao ano, projetando que ao longo de 2022 a Selic avance até 11,75% a.a., terminando o ano em 11,25% a.a., e reduzindo-se para 8,00% a.a. em 2023. Entre as principais surpresas, a ata revelou que os membros chegaram a avaliar cenários com ritmos de ajuste maiores que 1,5 p.p., “com cenários em que a taxa de juros permanece elevada por período mais longo do que a implícita no cenário básico”.
Nesta manhã o IBGE divulgou a pesquisa mensal de serviços (PMS) de outubro, que mostrou uma retração no volume de serviços prestados pelo segundo mês consecutivo. O setor registrou um recuo de 1,2% na passagem de setembro para outubro, variação aquém da mediana das projeções dos analistas, que apostavam em um leve crescimento, acumulando uma queda de 1,9% nos dois últimos meses. Desta maneira, apesar de ainda apresentar um crescimento de 11,0% no acumulado entre janeiro e outubro, o arrefecimento do setor reduz o seu distanciamento em relação ao nível pré-pandemia, atualmente apenas 2,1% acima do patamar de fevereiro de 2020, depois de ter chegado a ficar 4,6% acima deste nível em agosto. No comparativo com outubro do último ano, o volume de serviços avançou 7,5%, com o acumulado nos últimos 12 meses avançando de 6,8% em setembro para 8,2%, maior taxa da série histórica iniciada em dezembro de 2012. Das 5 atividades pesquisadas, quatro registraram queda, com destaque para serviços de informação e comunicação (-1,6%) e outros serviços (-6,7%), com apenas os serviços prestados às famílias encerrando o mês em crescimento, com taxa de 2,7%.
O governo chinês comunicou a detecção dos dois primeiros casos de infecção pela variante ômicron do coronavírus em passageiro que desembarcaram no país. Enquanto o primeiro registro teria sido identificado durante o período de quarentena de um viajante em Tianjin, o que reduziria a probabilidade de disseminação para outras pessoas, o caso mais recente teve sua identificação tardia. O homem de 67 anos entrou em território chinês por Shangai em 27 de novembro e, após duas semanas de quarentena compulsória, embarcou em um voo doméstico entre Xangai e Guangzhou que estava praticamente cheio, segundo funcionários da AirChina ouvidos pela imprensa. Ele foi testado novamente em 12 de dezembro, 15 dias após sua entrada no país, e após sequenciamento genômico recebeu a confirmação de infecção pela variante ômicron. Após a detecção, 10.544 pessoas que tiveram contato direto com o viajante foram testadas, sem resultados positivos para a variante até agora.
A emergência de casos da nova variante do coronavírus em território chinês é preocupante diante da política de tolerância zero do país a infecções. Como parte dessa estratégia, o governo tem usado de testagem em massa, lockdowns, suspensão de meios de transporte público e interrupção de setores da economia para coibir a disseminação da doença.
Com a proximidade das Olimpíadas de Inverno em Pequim, previstas para acontecer em fevereiro de 2022, as autoridades chinesas têm imposto medidas cada vez mais duras, limitando voos e viagens à capital até meados de março do ano que vem. Apesar das restrições, a China registra casos de transmissão comunitária há oito semanas consecutivas.
Os principais índices acionários asiáticos recuaram nesta terça-feira, acompanhando a cautela diante dos casos da variante ômicron na China e da divulgação das projeções mais recentes do Banco Asiático de Desenvolvimento (ABD). Segundo a entidade, a região deverá crescer 7,0% em 2021, 0,1 p.p abaixo da estimativa de setembro, e 5,3% em 2022, 0,1 p.p. menor que a perspectiva anterior. Entre os fatores que contribuíram para a revisão, destaca-se a revisão nas expectativas para o crescimento chinês, que passou de 8,1% para 8,0% em 2021 e de 5,5% para 5,3% em 2022. Segundo o ABD, a potência econômica perdeu ritmo nos últimos meses diante da desaceleração da produção industrial, aceleração do nível de preços, problemas no setor imobiliário e surtos de Covid-19.

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