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By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil
O par real/dólar apresentava tendência de queda nas primeiras operações desta quinta-feira (16). No momento da publicação deste texto (09h30min), ele era cotado ao redor de R$5,69, variação de -0,3% em relação ao encerramento de quarta. Já o dollar index era cotado ao redor de 96,2 pontos, queda de 0,3% ante à véspera. O mercado de divisas ainda repercute a decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve (Fed) de acelerar o ritmo da redução de compra de ativos da instituição, ao passo que os prognósticos positivos da autoridade monetária para a economia americana incentivaram o apetite por riscos dos agentes. Hoje, a agenda do dia inclui decisões de política monetária dos Bancos Centrais da Inglaterra e da União Europeia, dados de auxílio semanal para o seguro-desemprego nos Estados Unidos, prévias dos índices gerentes de compra (PMIs) para os EUA, zona do euro e Japão e produção industrial americana. No Brasil, o destaque deve ser a publicação do Relatório Trimestral de Inflação do Banco Central, com estimativas atualizadas para a conjuntura econômica do país e seguida de entrevista coletiva de autoridades. Cumpre notar, por fim, que o Fundo Monetário Internacional (FMI) irá encerrar seu escritório de representação no Brasil a pedido do Ministro da Economia, Paulo Guedes, pois, segundo o ministro, o grupo tem errado excessivamente suas previsões sobre o país.
Nesta manhã, o Banco Central (BC) publicou seu Relatório Trimestral de Inflação e, nele, piorou suas estimativas para a economia brasileira, reduzindo a previsão de crescimento econômico em 2022 de 2,1% para 1,0% e a de inflação, de 3,7% para 4,7%, próximo ao limite superior da meta de inflação para o ano, que é de 5,0%. No relatório de setembro, a autoridade monetária estimava em 17% a probabilidade da aceleração de preços no próximo ano ultrapassar a margem de tolerância da meta inflacionária; neste relatório, a probabilidade estimada foi de 41%. "Surpresas negativas em dados recentemente divulgados --que sugerem perda de dinamismo da atividade e reduzem o carregamento estatístico para o ano seguinte--, novas elevações da inflação, parcialmente associadas a choques de oferta, e aumento no risco fiscal pioram os prognósticos para a evolução da atividade econômica no próximo ano", disse o BC, no documento.
Ainda nesta manhã, o Banco Central Europeu decidiu reduzir, mas não encerrar, o patamar de estímulos à economia do bloco de moeda unificada, prometendo apoio abundante durante o ano de 2022. Com a atividade econômica retornando ao nível pré-pandêmico, a autoridade monetária do bloco está receosa de uma contração mais significativa caso atue mais firmemente em busca da estabilidade de preços. "O Conselho do BCE avalia que o progresso na recuperação econômica e em direção à sua meta de inflação de médio prazo permite uma redução gradual no ritmo de suas compras de ativos nos próximos trimestres", disse o órgão em um comunicado. Desta forma, a instituição irá reduzir progressivamente as compras de títulos sob seu Programa de Compras de Emergência da Pandemia (PEPP, na sigla em inglês) até sua extinção em março, conforme já divulgado anteriormente, ao passo que elevará – em menor magnitude – a quantia adquirida em títulos sob seu Programa de Compra de Ativos (APP). Isto permitirá uma acomodação suave da economia, com redução gradativa ao longo dos trimestres.
Hoje, também, o Banco Central britânico elevou suas taxas de juros de 0,10% para 0,25% ao ano mesmo diante de um rápido aumento de casos de coronavírus por conta da variante ômicron. O fenômeno inflacionário global também tem preocupado o BC britânico, que estima que seu índice de preços ao consumidor deve atingir 6% em abril, o triplo de sua meta. "O Comitê continua a julgar que há riscos bilaterais em torno das perspectivas de inflação no médio prazo, mas que algum aperto modesto da política monetária ao longo do período de projeção provavelmente será necessário para cumprir a meta de inflação de 2% de forma sustentável", declarou, em nota, a instituição.
Por fim, ontem, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou ter assinado medida solicitando o fechamento do escritório de representação do FMI no Brasil em função de divergências em relação às projeções econômicas da entidade. O escritório fica sediado em Brasília e será encerrado em junho de 2022, informou o órgão internacional. De acordo com Guedes, a entidade se instalou no Brasil no passado, quando o país precisava de assistência para controle de Orçamento e câmbio, porém, neste momento, a permanência não é mais necessária. "Ficaram porque gostam, feijoada, jogo de futebol, conversa boa (...) e, de vez em quando, criticar um pouco e fazer previsão errada", disse. O ministro também fez críticas diretas ao ex-presidente do Banco Central e presidente do Conselho do Credit Suisse, Ilan Goldfajn, nomeado pelo FMI para o cargo de diretor do Hemisfério Ocidental a partir do ano que vem, uma das posições mais importantes do órgão. “[Ilan] é um ótimo brasileiro, boa pessoa, tudo isso. Ontem criticou a gente pesado, então estou devolvendo hoje. Já que vamos ter um brasileiro que conhece bastante o Brasil e critica bem a gente no FMI, não precisamos ter mais aqui dentro”, afirmou Guedes.

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