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Abertura de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Dólar abre a semana em oscilação,
cotado ao redor de R$ 5,63
 
Vitor Andrioli
Leonardo Rossetti
Leonel Oliveira Mattos
Câmbio busca novo patamar de equilíbrio frente as expectativas
de aperto monetário pelo Federal Reserve em 2022

A taxa de câmbio não apresentava tendência definida nas primeiras negociações desta segunda-feira (10), alternando perdas e ganhos. No momento da publicação deste texto (09h30min), ela era cotada ao redor de R$5,630, praticamente estável comparada ao encerramento de sexta. Já o dollar index era cotado ao redor de 95,9 pontos, variação de 0,2% em relação ao fechamento de sexta. A semana começa com preocupações sobre o avanço da variante ômicron pelo mundo, à medida que o número de casos continua quebrando recordes diários e a nova cepa da doença foi detectada na cidade portuária de Tianjin, próxima à capital chinesa, Pequim. As autoridades do país implantaram um confinamento regional durante o fim de semana, preocupadas com a programação das Olimpíadas de Inverno daqui um mês, em Pequim. Os mercados financeiros também estão se adaptando aos efeitos da ata da decisão de política monetária divulgada pelo Federal Reserve na semana passada, em que indica aumentos da taxa de juros e redução do tamanho do balanço da instituição para 2022. É digno de nota, também, a atualização da taxa de desemprego para a zona do euro pela Eurostat, com recuo de 7,3% em outubro para 7,2% em novembro. No Brasil, o destaque deve ser a divulgação do boletim Focus pelo Banco Central (BC), com a mediana das projeções de instituições financeiras, revelando um panorama para 2022 com menor crescimento econômico, câmbio mais desvalorizado e inflação ligeiramente acima da margem máxima da meta.

O mundo atingiu novo recorde de casos de Covid-19 na última sexta-feira (07), registrando quase 2 milhões e 800 mil casos da doença em um período de 24 horas, segundo a plataforma Our World in Data. Apesar de, aparentemente, a variante ômicron possuir uma taxa de hospitalização e mortalidade inferior às demais variantes descobertas até então, os sistemas de saúde dos países da Europa estão sendo pressionados em função da sua alta capacidade de propagação. Após o período de festas de final de ano, não apenas há um grande número de adoecidos necessitando de atendimento, como há muitos profissionais de saúde afastados por terem se contaminado ou por estarem em isolamento prudencial após um contato próximo.

O Reino Unido colocou suas principais companhias privadas de Saúde em alerta máximo nesta segunda-feira para oferecerem tratamentos importantes, incluindo cirurgias oncológicas, caso os hospitais públicos estejam sobrecarregados e precisem encaminhar pacientes. O país também enviou militares para apoiar os hospitais na sexta-feira passada. Nos Estados Unidos, as cirurgias eletivas estão sendo adiadas para liberar profissionais e leitos, enquanto a rede primária de saúde da região de Aragão, na Espanha, convocou profissionais de saúde aposentados para apoiar neste momento de carga mais elevada.

Hoje cedo, o Banco Central divulgou o primeiro boletim Focus do ano, compilando as estimativas de analistas de instituições financeiras para os próximos anos e revelando um quadro, em geral, pessimista. A mediana das 126 instituições respondentes aponta para uma ligeira melhora da inflação em 2021 (de 10,01% na semana passada, para 9,99% nesta semana), com estabilidade em 2022 (5,03%) e 2024 (3,00%), e uma ligeira melhora para 2023 (de 3,41% para 3,36%). Para o Produto Interno Bruto, houve revisão para baixo em 2022 (de 0,35% para 0,28%) e 2023 (de 1,80% para 1,70%), permanecendo inalteradas as estimativas de 2021 (4,50%) e 2024 (2,00%). Já para a taxa de câmbio em fins de dezembro, manteve-se o valor previsto para 2022 (R$5,60) e elevaram-se os valores previstos para 2023 (R$ 5,40 para R$ 5,45) e 2024 (R$ 5,30 para 5,39).

De uma forma geral, pode-se comentar que os agentes de mercado apostam em um ciclo longo de elevação da taxa básica de juros (Selic), que reduzirá significativamente o crescimento econômico em 2022, e levemente em 2023, mas que não terá sucesso em reduzir a taxa de inflação de imediato e falhará em trazer o índice IPCA para dentro da meta em 2022 – a margem máxima de tolerância é de 5,0% para o ano. A taxa de câmbio também deve operar em patamar significativamente mais elevado em 2022, por conta das incertezas políticas e da falta de credibilidade fiscal que o ano eleitoral pode trazer.

Vale destacar, por fim, que o Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou, mais cedo, que as economias emergentes precisam se preparar para as altas de juros nos Estados Unidos. Em publicação em seu blog, a organização chama a atenção que reajustes mais rápidos que o esperado pelo Federal Reserve podem provocar saídas bruscas de capital dessas economias e depreciação cambial. A preocupação do Fundo é que uma inflação de salários ou gargalos sustentados de ofertas continuem a impulsionar os preços americanos, provocando altas mais aceleradas de juros pelo Banco Central do país do que está sendo antecipado pelos mercados. Países com altas dívidas públicas e privadas, elevadas exposições cambiais e pequenas balanças de transações correntes estão mais vulneráveis às movimentações bruscas de capitais. “As economias emergentes deveriam se preparar para potenciais períodos de turbulência econômica”, argumenta. Por outro lado, o FMI também afirmou que é esperado que os EUA continuem em crescimento vigoroso neste ano, elevando sua demanda por mercadorias do resto do mundo, e que apertos graduais, bem comunicados, de sua política monetária deve ter um impacto mais suave sobre os demais países.

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS
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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e CommodityNetwork Trader’s Pro.

  • Moedas

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