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Abertura de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Dólar abre a semana em queda,
rompendo a barreira dos R$ 5,30
 
Vitor Andrioli
Leonardo Rossetti
Leonel Oliveira Mattos
Câmbio deve refletir cenário externo positivo

A taxa de câmbio apresentava tendência de baixa nas primeiras negociações desta segunda-feira (07). No momento da publicação deste texto (09h30min), ela era cotada ao redor de R$5,30, recuo de 0,5% frente ao término de sexta. Já o dollar index era cotado ao redor de 95,4 pontos, variação de -0,1% ante o encerramento de sexta-feira. Em um dia vazio de indicadores, o mercado de divisas deve acompanhar o cenário internacional mais ameno, após a divulgação de dados inesperadamente positivos para o emprego nos Estados Unidos no mês de janeiro e expectativas de aperto monetário pelos Bancos Centrais da Inglaterra e da zona do euro. Além disso, a situação geopolítica ucraniana se mantém em destaque, com a visita do presidente francês, Emmanuel Macron, ao presidente russo, Vladimir Putin, buscando arrefecer as tensões, e a visita do chanceler da Alemanha, Olaf Scholz, ao presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, para discutir estratégias sobre a crise. A Casa Branca, por sua vez, persiste em sua estratégia de expor publicamente os russos, afirmando que um ataque da nação eslava sobre a Ucrânia por acontecer “a qualquer dia”, mas que eles esperam que a via diplomática prospere. Na agenda do dia, a presidenta do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, profere discurso às 12h45min, enquanto o presidente da República, Jair Bolsonaro, se reúne com os ministros do Supremo Tribunal Federal Luiz Edson Fachin e Alexandre de Moares, às 11h30min.

O dólar negociado no mercado interbancário opera em baixa nesta manhã, acompanhando o cenário mais propenso ao risco do exterior. Contudo, elevações nos mercados de juros para a dívida pública americana (Treasuries) parecem frear esse movimento de queda. As apostas de analistas é de que o Federal Reserve necessitará ser mais agressivo em sua política de juros neste ano para conter a aceleração de preços alta e persistente nos Estados Unidos, o que tende a fortalecer o dólar ante o real.

Os agentes do mercado financeiro também se atentam às Propostas de Emenda à Constituição (PEC) protocoladas na semana passada que buscam reduzir a alta de itens que mais contribuem para a aceleração recente de preços. Na quinta-feira, o deputado Christino Áureo (PP-RJ) protocolou na Câmara uma PEC para permitir que União, Estados e Municípios possam reduzir ou zerar alíquotas de tributos incidentes sobre combustíveis e gás de botijão em 2022 e 2023 para reduzir seu preço sem necessitar obedecer à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), isto é, sem a necessidade de indicar outra receita ou corte de despesa para compensar a queda de arrecadação do tributo. Na sexta-feira, o senador Carlos Fávaro (PSD-MT) protocolou outra PEC, desta vez no Senado, ainda mais ampla, propondo desonerar combustíveis, botijão de gás e energia elétrica, criar um auxílio-diesel para caminhoneiros, subsidiar famílias de baixa renda comprarem gás e gerar um repasse de recursos federais para mobilidade urbana de idosos. As perdas em arrecadação federal, sem contabilizar entes municipais e estaduais, podem variar de R$ 54 bilhões a R$ 100 bilhões. No domingo, referindo-se ao custo fiscal das emendas, Bolsonaro defendeu as propostas ao afirmar que se vive um “momento de emergência”, e que “o prejuízo maior tem que pensar no povo, não no Estado. Primeiro lugar é a população”.

As constantes alterações no Orçamento e nas prioridades de governo com fins claramente voltados à eleição de outubro reduzem a credibilidade do governo e elevam o risco fiscal, que pode aumentar as exigências de prêmio de risco por parte dos investidores e enfraquecer a moeda brasileira. Em seu último comunicado, o Copom já alertava que “políticas fiscais que impliquem impulso adicional da demanda agregada ou piorem a trajetória fiscal futura podem impactar negativamente preços de ativos importantes e elevar os prêmios de risco do país”.

Nesta manhã, também, o Banco Central divulgou o boletim Focus coletado na última sexta-feira (14), compilando as estimativas de analistas de instituições financeiras para os próximos anos e revelando um quadro, em geral, negativo. A mediana das 142 instituições respondentes aponta para uma ligeira piora da inflação em 2022 (de 5,38% na semana passada, para 5,44% nesta semana), com estabilidade em 2023, 2024 e 2025 (3,50, 3,00%, e 3,00%, respectivamente). Para o Produto Interno Bruto, houve revisão para baixo em 2023 (de 1,55% para 1,53%), permanecendo inalteradas as estimativas de 2022, 2024 e 2025 (em ordem, 0,30%, 2,00% e 2,00%). Já para a taxa de câmbio em fins de dezembro, manteve-se o valor previsto para 2022 (R$5,60) e 2023 (R$5,50), enquanto se reduziram os valores previstos para 2024 (R$ 5,40 para R$ 5,39) e 2025 (R$ 5,39 para 5,35).

De uma forma geral, pode-se comentar que os agentes de mercado apostam em um ciclo longo de elevação da taxa básica de juros (Selic), que reduzirá significativamente o crescimento econômico em 2022, e, em menor medida, em 2023, mas que não terá sucesso em reduzir a taxa de inflação de imediato e falhará em trazer o índice IPCA para dentro da meta em 2022 – a margem máxima de tolerância é de 5,0% para o ano. A taxa de câmbio também deve operar em patamar acima de R$ 5,50 em 2022, por conta das incertezas políticas e da falta de credibilidade fiscal que o ano eleitoral pode trazer.

Por fim, é digno de nota o prolongamento das tensões militares ao redor da fronteira entre Rússia e Ucrânia, com o envolvimento de múltiplos países e acúmulo significativo de tropas de ambos os lados. Hoje, o presidente francês, Emmanuel Macron, visita o presidente da Rússia, Vladimir Putin, com o objetivo de, no mínimo, evitar o agravamento da crise entre os países do leste europeu. Enquanto isso, o chanceler da Alemanha, Olaf Schulz, visita o presidente dos EUA, Joe Biden, a fim de coordenar estratégia e responder às críticas de que a Alemanha não está se esforçando em evitar o conflito na região. Uma das principais armas diplomáticas do ocidente é a ameaça de não receber gás natural por meio do gasoduto Nord Stream 2, que conecta Rússia e Alemanha diretamente pelo mar báltico, e que ainda não iniciou sua operação.

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS
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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e CommodityNetwork Trader’s Pro.

  • Moedas

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