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Abertura de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Dólar inicia terça em elevação,
cotado ao redor de R$ 5,26
 
Vitor Andrioli
Leonardo Rossetti
Leonel Oliveira Mattos
Câmbio reflete ata da reunião do Copom

O par real/dólar apresentava leve tendência de alta nas primeiras negociações desta terça-feira (08). No momento da publicação deste texto (09h30min), ele era cotado ao redor de R$5,26, variação de +0,1% em relação ao encerramento de segunda-feira. Já o dollar index era cotado ao redor de 95,5 pontos, ganho de 0,1% ante à véspera. O mercado de divisas repercute a ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em que se detalha a decisão de elevar a taxa básica de juros (Selic) de 9,25% a.a. para 10,75% a.a., na semana passada. A ata esclarece que o Comitê realizará “ajustes adicionais em ritmo menor nas próximas reuniões”, mantendo os juros em território contracionista, e afirma que não sinalizou a magnitude desses próximos reajustes em função da “incerteza particularmente elevada sobre preços de importantes ativos e commodities”. Mantém-se em foco, também, as Propostas de Emenda à Constituição (PEC) que visam a reduzir as alíquotas de combustíveis e outros bens sob um custo fiscal entre R$ 54 bilhões e R$ 100 bilhões. No exterior, a situação geopolítica deve se manter em destaque, com a visita do presidente francês, Emmanuel Macron, ao presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, um dia após Macron se encontrar com o presidente russo, Vladimir Putin, buscando arrefecer as tensões na fronteira entre estes países do leste europeu.

Nesta manhã, o Comitê de Política Monetária divulgou a ata da reunião dos dias 01 e 02 de fevereiro, detalhando o processo decisório para a elevação dos juros Selic em 1,5 ponto percentual na ocasião. O Comitê sinalizou que deve realizar “ajustes adicionais em ritmo menor nas próximas reuniões” sobre a taxa de juros, mantendo-a em nível contracionista. Contudo, “a incerteza particularmente elevada sobre preços de importantes ativos e commodities, assim como o estágio do ciclo, fez o Comitê considerar mais adequado, neste momento, não sinalizar a magnitude dos seus próximos ajustes”, argumenta o documento. Por fim, a ata afirma que considerou diferentes taxas terminais para a Selic em suas avaliações, sem indicar quais seriam essas taxas. Quanto à avaliação dos riscos, o Copom chama a atenção de que “a incerteza em relação ao futuro do arcabouço fiscal atual resulta em elevação dos prêmios de risco e eleva o risco de desancoragem das expectativas de inflação”, em um sutil alerta sobre as consequências de maiores intenções de gastos que devem anteceder a eleição de outubro.

Enquanto isso, as Propostas de Emenda à Constituição (PEC) protocoladas na semana passada que visam a reduzir a alta de itens que mais contribuem para a aceleração recente de preços estão em fase de coleta de assinaturas. O deputado Christino Áureo (PP-RJ) protocolou na Câmara uma PEC para permitir que União, Estados e Municípios possam reduzir ou zerar alíquotas de tributos incidentes sobre combustíveis e gás de botijão em 2022 e 2023 para reduzir seu preço sem necessitar obedecer à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), isto é, sem a necessidade de indicar outra receita ou corte de despesa para compensar a queda de arrecadação do tributo. Já o senador Carlos Fávaro (PSD-MT) protocolou outra PEC, desta vez no Senado, ainda mais ampla, propondo desonerar combustíveis, botijão de gás e energia elétrica, criar um auxílio-diesel para caminhoneiros, subsidiar famílias de baixa renda comprarem gás e gerar um repasse de recursos federais para mobilidade urbana de idosos. As perdas em arrecadação federal, sem contabilizar entes municipais e estaduais, podem variar de R$ 54 bilhões a R$ 100 bilhões.

As constantes alterações no Orçamento e nas prioridades de governo com fins claramente voltados à eleição de outubro reduzem a credibilidade do governo e elevam o risco fiscal, que pode aumentar as exigências de prêmio de risco por parte dos investidores e enfraquecer a moeda brasileira. Em seu último comunicado, o Copom já alertava que “políticas fiscais que impliquem impulso adicional da demanda agregada ou piorem a trajetória fiscal futura podem impactar negativamente preços de ativos importantes e elevar os prêmios de risco do país”.

No cenário internacional, é digno de nota o prolongamento das tensões militares ao redor da fronteira entre Rússia e Ucrânia, com o envolvimento de múltiplos países e acúmulo significativo de tropas de ambos os lados. Hoje, o presidente francês, Emmanuel Macron, visita o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, um dia após visitar o presidente russo, Vladimir Putin. Em conversa com a imprensa, Macron afirmou que há esperança para um “diálogo estruturado” com a Rússia em segurança coletiva. “Não há segurança para a Europa se não houver segurança para a Rússia”, disse Macron. Putin disse que, embora estejam em uma etapa inicial, as ideias de Macron oferecem um caminho para uma de-escalada conjunta das tensões, comentando que a Rússia “faria tudo o possível para encontrar comprometimentos aceitáveis para todos”.

Por fim, é digno de nota que o preço do minério de ferro ultrapassou US$ 150 por tonelada na China após o governo prorrogar em cinco anos o prazo limite para atingimento de metas de emissão de carbono na siderurgia. Nesta segunda, o pico de emissões estipulada pelo governo chinês passou de 2025 para 2030, sinalizando que a prioridade local é reduzir os preços das commodities energéticas, mesmo que isso signifique apostar mais no carvão a curto prazo, principal insumo da indústria chinesa. A siderurgia corresponde a aproximadamente 15% das emissões de carbono do país. No ano passado, a pressão para atingir as metas de compromisso ambiental estava elevando os custos econômicos da produção de energia elétrica, que buscava substituir o carvão por outras fontes mais limpas, porém mais caras.

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS
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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e CommodityNetwork Trader’s Pro.

  • Moedas

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