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Real recua com queda dos preços do petróleo e temor de novas sanções americanas

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By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil
A taxa de câmbio alternava perdas e ganhos nas primeiras negociações desta segunda-feira (21). No momento da publicação deste texto (09h30min), ela era cotada ao redor de R$5,14, praticamente estável ante ao fechamento de sexta-feira. Já o dollar index era cotado ao redor de 96,0 pontos, queda de 0,1% em relação ao encerramento anterior. Em dia de poucos itens na agenda, o mercado de divisas deve apresentar volume reduzido de negociações, em função do feriado do Dia dos Presidentes, nos Estados Unidos. As atenções dos investidores estão voltadas para o prolongamento das tensões entre Rússia e Ucrânia, após o presidente francês, Emmanuel Macron, declarar, em nota, que propôs a ideia de uma cúpula entre os presidentes dos EUA, Joe Biden, e da Rússia, Vladimir Putin. Biden afirmou que, “em princípio”, aceita se reunir com Putin, desde que uma invasão russa não ocorra, enquanto o Kremlin contestou que não há planos concretos para nenhuma reunião. No Brasil, o destaque fica por conta do boletim Focus, com as previsões atualizadas das instituições financeiras para variáveis macroeconômicas mais importantes no futuro próximo. Na agenda do dia, a membra do Conselho de Governadores do Federal Reserve, Michelle Bowman, discursa às 13h15min, ao passo que o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, profere palestra às 15h00min, e o ministro da Economia, Paulo Guedes, concede entrevista às 21h30min.
Nesta manhã, o Banco Central divulgou o boletim Focus coletado na última sexta-feira (18), compilando as estimativas de analistas de instituições financeiras para os próximos anos e revelando um quadro, em geral, negativo. A mediana das 142 instituições respondentes aponta para uma piora da inflação em 2022 (de 5,50% na semana passada, para 5,56% nesta semana) e 2024 (de 3,04% para 3,09%), com estabilidade em 2023 e 2025 (3,50%, e 3,00%, respectivamente). Para o Produto Interno Bruto, mantiveram-se os valores previstos em 2022 (0,30%), 2023 (1,50%), 2024 (2,00%) e 2025 (2,00%). Já para a taxa de câmbio em fins de dezembro, reduziram-se os valores previstos para todos os anos, a saber, 2022 (de R$ 5,58 para R$ 5,50), 2023 (R$ 5,45 para 5,36), 2024 (R$ 5,32 para 5,30) e 2025 (R$ 5,35 para R$ 5,30). As previsões para a taxa básica de juros ao ano (Selic), por sua vez, mantiveram-se idênticas em 2022 (12,25%), 2023 (8,00%) e 2025 (7,00%), com leve reajuste para a estimativa de 2024 (de 7,25% para 7,38%).
De uma forma geral, pode-se comentar que os agentes de mercado apostam em um ciclo longo de elevação da taxa básica de juros (Selic), que reduzirá significativamente o crescimento econômico em 2022, e, em menor medida, em 2023, mas que não terá sucesso em reduzir a taxa de inflação de imediato e falhará em trazer o índice IPCA para dentro da meta em 2022 – a margem máxima de tolerância é de 5,0% para o ano. A taxa de câmbio deve operar em um intervalo entre R$ 5,20 e R$ 5,50, refletindo o elevado apetite estrangeiro por ativos brasileiros que contribuiu para a significativa valorização cambial no começo deste ano.
No cenário internacional, os agentes demonstram certo alívio e maior otimismo com o fato de mais uma semana passar sem a temida invasão ucraniana pela Rússia, em que pese o fato de seu poderio militar junto à fronteira só aumentar. O presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou a possibilidade de uma cúpula sobre a “segurança e a estabilidade estratégica na Europa” entre os pares estadunidense, Joe Biden, e russo, Vladimir Putin, após uma sequência de telefonemas no fim de semana entre os líderes da França, Rússia, Ucrânia, Estados Unidos e Grã-Bretanha. Enquanto a cúpula poderia ajudar a resolver o impasse de uma das maiores crises militares contemporâneas na Europa, tanto Washington quanto Moscou buscam reduzir as expectativas de possibilidades de um grande avanço diplomático. Porém, para os mercados financeiros, o prolongamento da situação de pouco avanço e, ao mesmo tempo, de pouco retrocesso, tem sido suficiente para manter o apetite por riscos, parecendo apostar que o Kremlin não atuará de maneira mais agressiva enquanto as tentativas diplomáticas persistem.
O Brasil tem se beneficiado do apetite por ativos arriscados, observando grande entrada de recursos estrangeiros no país. Em 2022, o índice Ibovespa acumula alta de 7,68%, reflexo da forte entrada de capitais no mercado acionário brasileiro. Após o ingresso líquido de R$ 32,491 bilhões no mês de janeiro, maior valor desde novembro de 2020, o saldo entre 01 e 17 de fevereiro já registra R$ 21,212 bilhões. Levantamento do jornal Valor Econômico mostra que dez ações respondem por 94,4% da valorização do Ibovespa, sendo que nove delas pertencem aos setores de mineração (Vale), atraente devido à escalada do preço do minério de ferro, de petróleo e gás (Petrobras), atraente devido ao aumento do preço das commodities energéticas, e do setor financeiro (Itaú Unibanco, B3, Banco do Brasil, Bradesco, Itaúsa e BTG Pactual), atraentes devido ao aumento das taxas de juros Selic.

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