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Real se enfraquece com maior percepção de riscos eleitorais

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By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil
O par real/dólar apresentava tendência de baixa nas primeiras negociações desta terça-feira (22). No momento da publicação deste texto (09h30min), ele era cotado ao redor de R$5,08, recuo de 0,5% frente ao encerramento de segunda-feira. Já o dollar index era cotado ao redor de 96,0 pontos, variação de -0,1% ante à véspera. O mercado de divisas deve repercutir a escalada das tensões geopolíticas na Ucrânia após, ontem, o presidente russo, Vladimir Putin, reconhecer formalmente como independentes duas regiões do leste ucraniano dominadas por separatistas pró-Kremlin e, na sequência, anunciar que enviaria tropas à região para a “garantia da paz”. A ação foi recebida com condenação pela comunidade internacional ocidental, que prometeu retaliar com sanções econômicas severas, embora ainda haja poucos detalhes mais concretos. De toda forma, a possibilidade de um conflito militar se elevou de ontem para hoje, resultando em um clima de cautela internacional e de busca por ativos de segurança. Entretanto, o real prossegue na contramão da tendência mundial recente e se valoriza, apoiado pela forte entrada de capitais estrangeiros no país. Na agenda do dia, o instituto IHS Markit divulga os índices PMIs preliminares para os Estados Unidos às 11h45min, enquanto o Conference Board revela o Índice de Confiança do Consumidor dos EUA às 12h00min. No Brasil, o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, palestram em evento, respectivamente, às 09h10min e às 15h00min.
O par real/dólar opera em queda na manhã desta terça-feira, rompendo a barreira psicológica dos R$ 5,10. O Brasil tem se beneficiado do apetite estrangeiro por ativos arriscados mesmo em um contexto internacional de pessimismo e cautela, o que gera grande entrada de capitais externos no país. Em 2022, o índice Ibovespa acumula alta de 7,68%, reflexo da forte entrada de capitais no mercado acionário brasileiro. Após o ingresso líquido de R$ 32,491 bilhões no mês de janeiro, maior valor desde novembro de 2020, o saldo entre 01 e 17 de fevereiro já registra R$ 23,314 bilhões. Um levantamento do jornal Valor Econômico mostra que dez ações respondem por 94,4% da valorização do Ibovespa no ano, sendo que nove delas pertencem aos setores de mineração (Vale), atraente devido à escalada do preço do minério de ferro, de petróleo e gás (Petrobras), atraente devido ao aumento do preço das commodities energéticas, e do setor financeiro (Itaú Unibanco, B3, Banco do Brasil, Bradesco, Itaúsa e BTG Pactual), atraentes devido ao aumento das taxas de juros Selic.
No exterior, contudo, o movimento é contrário, com agentes do mercado financeiro preferindo ativos tradicionalmente associados à segurança, como o ouro, títulos de dívidas governamentais e moedas conhecidas como portos-seguros, como o iene, o franco suíço e o dólar. A gravidade do impasse entre Rússia e Ucrânia se deteriorou de ontem para hoje, após o anúncio de que o Kremlin reconheceu a independência formal de duas regiões ucranianas dominadas por separatistas pró-Kremlin, a saber, Luhansk e Donetsk. Ambas se situam no Donbas, área em que predominam falantes de língua russa e que vive sob o domínio dos separatistas desde os protestos e conflitos de 2014, época em que a Rússia também anexou a Crimeia, no sul ucraniano. Na sequência, Moscou declarou que enviaria tropas à região para a “garantia da paz”. Ambas as medidas foram tomadas como ilegais pelos países que tentavam uma solução diplomática para o impasse, como Ucrânia, Estados Unidos, Inglaterra e França, além da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

Em longo discurso televisivo, Putin afirmou que as nações do Ocidente e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) ignoraram as preocupações do país frente à expansão da Otan no leste europeu. O líder russo criticou duramente a Ucrânia, declarando que o país “nunca teve a tradição genuína” de ser um Estado independente, que sua criação moderna pode ser resgatada à revolução bolchevique de outubro de 1917, que nada mais eram do que um estado-marionete dos Estados Unidos, habitado por neonazistas. Por fim, Putin argumentou que estava convencido que o Ocidente iria impor sanções econômicas à Rússia independentemente de suas ações, que o país jamais abandonaria seu direito à soberania nacional e que possui toda legitimidade em adotar medidas retaliatórias.
Os países ocidentais imediatamente denunciaram as medidas como ilegais e anunciaram que sanções econômicas seriam adotadas em retaliação à Rússia, porém ainda não há claridade sobre quais serão essas medidas e, ao que parece, falta um consenso entre esses países sobre em qual medida reagir às atitudes do Kremlin. Enquanto sabe-se que é preciso impor medidas repressivas à Moscou, é preciso manter opções mais duras à mesa para desestimular um avanço ainda maior dos russos sobre o território ucraniano.

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