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Abertura de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Câmbio abre a quarta em baixa,
cotado ao redor de R$ 5,02
 
Vitor Andrioli
Leonardo Rossetti
Leonel Oliveira Mattos
Dólar ignora crise na Ucrânia e caminha para romper barreira de R$ 5,00

A taxa de câmbio persiste em sua trajetória de queda nas primeiras negociações desta quarta-feira (23). No momento da publicação deste texto (09h30min), ela era cotada ao redor de R$ 5,02, recuo de 0,6% frente ao encerramento de terça-feira. Já o dollar index era cotado ao redor de 95,9 pontos, variação de -0,1% ante à véspera. O mercado de divisas apresenta menor cautela e maior propensão aos riscos após a instauração de sanções econômicas à Rússia ser percebida como mais leve do que o antecipado pelos agentes financeiros. O grau de turbulência no cenário internacional permanece elevado, porém os analistas preferem aguardar pelos próximos desdobramentos e retomar suas negociações, aparentemente. No Brasil, o mercado de câmbio brasileiro passa desapercebido e prossegue se fortalecendo frente ao dólar, impulsionado pelo elevado apetite estrangeiro por ativos domésticos. Na pauta legislativa, o relator no Senado de dois projetos de lei sobre os preços de combustíveis, senador Jean Paul Prates (PT-RN), defende que eles sejam votados em Plenário ainda hoje, embora o presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), afirmava que ainda buscava um consenso e que havia riscos de a votação ficar para após o carnaval. É digno de nota, ainda que a prévia da inflação oficial, Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), registrou alta de 0,99% em fevereiro, acima das expectativas de analistas. Na agenda do dia, O Banco Central (BC) comunica as notas do Setor Externo de janeiro, às 09h30min, a Receita Federal atualiza a arrecadação tributária de janeiro, às 11h00min, o Tesouro Nacional publica o Relatório Mensal da Dívida Pública Federal, às 14h30min, mesmo horário que o BC atualiza o fluxo cambial semanal do país.

O par real/dólar opera em queda na manhã desta quarta-feira, aproximando-se da barreira psicológica dos R$ 5,00. O Brasil tem se beneficiado do apetite estrangeiro por ativos domésticos mesmo em um contexto internacional de pessimismo e cautela, o que gera grande entrada de capitais externos no país. Em 2022, o índice Ibovespa acumula alta de 7,68%, reflexo da forte entrada de capitais no mercado acionário brasileiro. Em 2022, tanto o mês de janeiro como o mês de fevereiro apresentam ingresso líquido de recursos estrangeiros superior a qualquer mês de 2021, a saber, saldo de R$ 32,491 bilhões no mês de janeiro e de R$ 24,269 bilhões entre 01 e 21 de fevereiro. Um levantamento do jornal Valor Econômico mostra que dez ações respondem por 94,4% da valorização do Ibovespa no ano, sendo que nove delas pertencem aos setores de mineração (Vale), atraente devido à escalada do preço do minério de ferro, de petróleo e gás (Petrobras), atraente devido ao aumento do preço das commodities energéticas, e do setor financeiro (Itaú Unibanco, B3, Banco do Brasil, Bradesco, Itaúsa e BTG Pactual), atraentes devido ao aumento das taxas de juros Selic.

Saldo do fluxo de capitais estrangeiros na b3 - até 21/02 (R$ bilhões):
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Fonte: B3. Elaboração: StoneX.

Em palestra na tarde de ontem, o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, afirmou que uma série de fatores contribuem para a valorização recente da moeda brasileira. “Tem a variável de que a própria taxa de juros mais alta traz fluxo para a diferença de juros, tem uma parte da surpresa fiscal que acho que foi positiva, tem uma parte relevante dessa reprecificação de fluxos. No câmbio tem várias variáveis sendo colocadas ao mesmo tempo”, declarou Campos Neto. Segundo o presidente do BC, a expectativa de apreciação continuada gera uma percepção de que “é importante entrar agora”, favorecendo novos movimentos de compra que acabam, por fim, reforçando a valorização cambial. Por fim, a autoridade ponderou que o grande desafio para os próximos meses será o ajuste da política monetária mundial, em especial a do Federal Reserve, a fim de conter a aceleração de preços, que pode atrair fluxos financeiros para os países desenvolvidos e desestabilizar os países em desenvolvimento.

A valorização da moeda brasileira ocorre mesmo diante do agravamento do impasse entre Rússia e Ucrânia, que provoca uma busca por ativos associados à segurança e afeta ativos europeus e commodities energéticas. Em geral, os índices acionários pelo mundo fecharam em queda, ao passo que o ouro se encerrou em seu maior valor em oito meses e o petróleo, em seu maior patamar em oito anos. Ontem, o Kremlin reconheceu a independência formal de duas regiões ucranianas dominadas por separatistas pró-Kremlin, a saber, Luhansk e Donetsk. Ambas se situam no Donbas, área em que predominam falantes de língua russa e que vive sob o domínio dos separatistas desde os protestos e conflitos de 2014, época em que a Rússia também anexou a Crimeia, no sul ucraniano. Na sequência, Moscou declarou que enviaria tropas à região para a “garantia da paz”.

Em longo discurso televisivo, Putin criticou duramente a Ucrânia, declarando que o país “nunca teve a tradição genuína” de ser um Estado independente, que sua criação moderna pode ser resgatada à revolução bolchevique de outubro de 1917, que nada mais eram do que um estado-marionete dos Estados Unidos, habitado por neonazistas. O líder russo afirmou que as nações do Ocidente e, em especial, os Estados Unidos descumpriram suas promessas no passado ao permitir em cinco ocasiões diferentes que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) se expandisse para o leste europeu, mas que a inclusão da Ucrânia na Organização ameaçada diretamente a segurança da Rússia ao permitir que fossem instalados armamentos e tecnologias capazes de acertar diversas cidades importantes do território russo em menos de uma hora. O presidente da Rússia afirmou que o discurso das nações ocidentais era cada vez mais hostil e antirrússia, com ameaças constantes de sanções econômicas que ele estava seguro de que seriam impostas à sua nação, independentemente do que fosse feito, que o país jamais abandonaria seu direito à soberania nacional e que possui toda legitimidade em adotar medidas retaliatórias. Por fim, declarou que diante de “evidências” de um genocídio à população russa nos territórios separatistas, precisou descumprir os acordos de Minsk e reconhecer a independência desses territórios a fim de protegê-los.

Em retaliação às ações de Moscou, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou um pacote de sanções econômicas, proibindo as instituições financeiras americanas de negociar títulos de dívida pública da Rússia ou de se relacionar com o banco militar do país e com o VEB Bank. Biden afirmou, ainda, que serão impostas sanções a pessoas próximas à Putin. A Inglaterra anunciou sanções contra três indivíduos e cinco bancos russos como parte de suas medidas retaliatórias. A Alemanha afirmou que suspendeu o processo de certificação do gasoduto Nord Stream 2, que liga os dois países diretamente pelo mar báltico. E a União Europeia (EU) decidiu congelar os ativos e proibir o trânsito dentro do bloco unificado de todos os parlamentares da Duma, casa baixa legislativa russa que solicitou o reconhecimento da independência de Luhansk e Donetsk à Putin, e de outros 27 indivíduos, dentre executivos e políticos. A EU também proibiu todo relacionamento comercial e financeiro com as regiões de Luhansk e Donetsk e afirmou que elas serão removidas do tratado de livre comércio do bloco. Por fim, também foi proibido a negociação de títulos de dívida pública da Rússia.

Por fim, vale ressaltar que o relator no Senado de dois projetos que alteram os preços de combustíveis no Brasil, senador Jean Paul Prates (PT-RN), defendeu que eles sejam levados à votação hoje, conforme a pauta prevê. De acordo com o senador, caso ainda haja pontos de questionamento ou discordâncias, eles podem ser debatidos no Plenário. Reconhecendo que os temas são complexos, o relator afirmou ser difícil atingir consenso antes da votação. “O assunto é complexo, realmente. Eu deixei para acatar e discutir coisas no plenário, mais próximo do processo, porque faz parte de um processo meu mesmo”, afirmou o senador a jornalistas. Contudo, o presidente do Senado, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), admitiu que poderia adiar novamente a votação se observasse não haver consenso na matéria. “O ideal é que isso seja resolvido o quanto antes, né, mas obviamente é um assunto muito complexo, envolve diversos interesses dos Estados da Federação, do governo federal e de arrecadação. Portanto, não é um assunto simples, e nós estamos na busca de consenso para poder votar”, declarou.

O primeiro projeto (PL 1472/2021) propõe a criação de um Fundo de Estabilização dos preços dos combustíveis, que seria financiado por um novo imposto de exportação do petróleo, além de alterar a política de preços da Petrobras para seus custos nacionais, ao invés da paridade internacional. A medida é criticada pelos Ministérios da Economia e de Minas e Energia, que temem uma fuga de investimentos externos. O segundo projeto (PLP 11/2020) altera o formato da tributação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) – tributo estadual – sobre os combustíveis. Ele propõe a existência de uma alíquota monofásica (isto é, um único contribuinte tem responsabilidade sobre toda a cadeia) do ICMS para os combustíveis. Neste caso, a medida conta com resistência de governadores e prefeitos, que temem perder autonomia tributária.

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS
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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e CommodityNetwork Trader’s Pro.

  • Moedas

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