Na manhã desta segunda-feira (07), o barril do petróleo tipo Brent atingiu US$ 139,13, seu maior valor desde julho de 2008. A disparada nos preços ocorreu após o secretário de Estado americano, Anthony Blinken, afirmar que os Estados Unidos e as nações europeias estão explorando a possibilidade de proibir a importação de petróleo e gás natural vindos da Rússia. Tal medida seguramente afetaria a disponibilidade das matérias-primas na Europa, que são o principal destino das exportações russas.
Leia no Diário de Petróleo de hoje – “A preocupação do mercado é que eventuais sanções ao setor petrolífero russo influencie uma forte crise energética na Europa, visto que atualmente cerca de 30% de todo petróleo e 39% de todo o gás consumido pelo continente vem da Rússia”
Durante o fim de semana, novas empresas aderiram à suspensão de operações em território russo, como Visa, Mastercard, PayPal, FedEx, Airbnb, Inditex, American Express, TikTok, PwC, KPMG e Netflix, aprofundando o isolamento econômico russo neste momento. Além disso, existe um efeito de desestímulo geral ao comércio com a Rússia por medo de futuras sanções, danos reputacionais ou medo de falta de pagamento.
O ambiente de mercado nesta segunda é de cautela elevada e fuga de ativos arriscados. Ações, ativos europeus e de economias emergentes apresentam desempenho negativo, ao passo que ouro, títulos de dívidas pública e moedas tidas como porto-seguro apresentam valorização. Os preços das commodities mundiais seguem em tendência de alta, em função da importância produtiva de Rússia, Ucrânia e Belarus e da previsão de sérias interrupções de fornecimento global de diversos insumos, como petróleo, gás natural, trigo, milho, alumínio e níquel. A Ucrânia já fechou seu espaço aéreo e seus portos para finalidades comerciais. Novas sanções futuras podem tornar proibidos, ou desaconselháveis, o uso de rotas por meio da Ucrânia ou da Rússia, forçando o uso de meios alternativos mais longos, mais arriscados ou ambos. A própria duração da guerra influenciará os impactos aos mercados financeiros. Essas elevações devem repercutir em custos maiores globalmente, que podem resultar em taxas de inflação mais aceleradas.
No Brasil, o governo Bolsonaro busca alternativas para suavizar o impacto da alta dos preços internacionais do petróleo nas bombas de combustíveis dos brasileiros. Está prevista para a quarta-feira a votação de dois projetos de leis sobre o tema, de relatoria do senador Jean Paul Prates (PT-RN), que prevê a alteração no cálculo da cobrança do ICMS dos combustíveis e que cria um fundo de estabilização de preços através de dividendos da Petrobras e receitas do pré-sal. Reportagens mencionam, inclusive, que o presidente da República estaria disposto a modificar a fórmula de preços da Estatal, deixando de equiparar os preços internos com os externos, argumentando que seus opositores já defendem a medida. Nesse sentido, chamou a atenção a indicação do presidente do Clube de Regatas do Flamengo, Rodolfo Landim, para a presidência do conselho de administração da Petrobras. Embora Landim tenha sido executivo na empresa até 2006, onde trabalhou por 26 anos, é fato notório sua proximidade do presidente da República. Preocupado com o declínio de sua popularidade em ano de eleição Bolsonaro tornou a Petrobras e sua política de preços de combustíveis um alvo frequente de críticas. Pesquisas de intenção de voto revelam que a inflação é um dos tópicos de maior preocupação dos eleitores e os combustíveis estão entre os produtos que sofreram maior aumento de preços e mais contribuíram para a aceleração da inflação oficial. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nos últimos doze meses, o etanol acumula variação de +55,0%, o óleo diesel, de +45,7%, a gasolina, de +42,7%, e o gás veicular, de +35,6%.