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Abertura de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Câmbio abre a quinta em ligeira alta,
cotado ao redor de R$ 5,025
 
Vitor Andrioli
Leonardo Rossetti
Leonel Oliveira Mattos
Dólar deve refletir fracasso das negociações para um cessar-fogo na guerra e prolongamento do debate sobre preço de combustíveis no Brasil.

O par real/dólar apresenta ligeira tendência de elevação nas primeiras negociações desta quinta-feira (10). No momento da publicação deste texto (09h30min), ele era negociado ao redor de R$ 5,025, avanço de 0,3% em relação ao término de quarta-feira. Já o dollar index era cotado ao redor de 98,2 pontos, variação de +0,2% ante à véspera. O mercado de divisas deve repercutir o fracasso da primeira rodada de negociações entre os ministros das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, e da Rússia, Sergei Lavrov, enquanto o conflito entre os dois países entre em sua terceira semana. Kuleba afirmou que Lavrov não estava disposto a negociar um cessar-fogo, e sim obter uma rendição dos ucranianos, algo que não ocorrerá, segundo o ministro. No cenário internacional, as consequências econômicas da guerra entram em foco com a decisão de política monetária do Banco Central Europeu, seguida de entrevista coletiva da sua presidenta, Christine Lagarde, às 10h30min, e com a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) nos Estados Unidos, no mesmo horário. Com uma rápida escalada dos preços de commodities alimentícias, metálicas e energéticas, os bancos centrais precisarão lidar com o difícil equilíbrio de combater as pressões inflacionárias em meio a um contexto de perda de dinamismo econômico global. No Brasil, o debate sobre a política de preços da Petrobras continua em pauta, com o adiamento da votação dos projetos de lei que tratam sobre o tema no Senado de ontem para hoje e sem a definição pelo Palácio do Planalto de como estabelecer um instrumento de subsídio aos combustíveis para o consumidor final.

As negociações entre os ministros das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, e da Rússia, Sergei Lavrov, mediadas pela contraparte turca, Mevlüt Çavuşoğlu, não conseguiram avançar nem em direção a um cessar-fogo e nem em direção ao estabelecimento de corredores humanitários para os civis afetados pela guerra. As conversas duraram apenas uma hora e meia, e sequer houve coletiva de imprensa conjunta – cada país realizou uma coletiva em separado. Kuleba lamentou que Lavrov parecia não ter a autoridade de negociar um cessar-fogo, de que os russos exigem uma rendição ucraniana, algo que Kiyv não está disposto a ceder, e que “a liderança russa, incluindo o ministro Lavrov” vivem em sua própria realidade. Kuleba criticou o ataque moscovita à uma maternidade em Mariupol. Já Lavrov reforçou que “ninguém estava discutindo um cessar-fogo”, que o hospital em Mariupol estava dominado por “ultrarradicais”, e não por civis, e que o presidente russo, Vladimir Putin, não recusaria uma reunião com seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, para discutir questões "específicas".

Enquanto isso, segundo a agência de notícias Bloomberg, o governo russo prepara um plano para confiscar ativos ou até mesmo nacionalizar empresas estrangeiras que estão deixando o país em retaliação à invasão da Ucrânia. O Ministério da Economia submeteu hoje um plano, ainda não aprovado oficialmente, em que poderia assumir o controle temporário de empresas que deixaram o país e em que a participação estrangeira exceda 25%. Segundo a medida, um tribunal de Moscou analisará os pedidos de membros dos conselhos dessas empresas para trazer uma gestão externa. Os proprietários dessas companhias teriam cinco dias para retomar suas atividades ou recorrer a outras opções, como vender sua participação. O tribunal também poderia congelar as ações das empresas como parte de um esforço para proteger ativos e funcionários que atuam na Rússia.

Nos Estados Unidos, o Departamento de Estatísticas do Trabalho (BLS) divulgou que Índice de Preços ao Consumidor (CPI) se acelerou em 0,8% no mês de fevereiro, em linha com as estimativas de analistas, e acumula alta em doze meses de 7,9%. Trata-se da maior inflação acumulada desde janeiro de 1982. Os preços de alimentos aumentaram em 1,0% no mês e os de energia, como combustíveis, aumentaram em 3,5%. Ao se observar o “núcleo” do indicador, que exclui alimentação e energia, o CPI variou em +0,5% no mês e +6,4% no ano, também em linha com as expectativas. A aceleração de preços nos EUA se mostra elevada, persistente e disseminada, e os indícios apontam para valores ainda maiores nos próximos meses, em função do rápido aumento de preços internacionais causados pela guerra entre Rússia e Ucrânia, que só se iniciou em 24 de fevereiro.

No cenário interno, a Petrobras anunciou hoje um reajuste de 18,7% no preço da gasolina, 24,9% no diesel e 16% no gás de botijão (GLP). A Estatal estava há 57 dias sem mexer os preços do diesel e da gasolina e há 152 sem reajustes no gás de cozinha. A companhia esclareceu que “Após serem observados preços em patamares consistentemente elevados, tornou-se necessário que a Petrobras promova ajustes nos seus preços de venda às distribuidoras para que o mercado brasileiro continue sendo suprido, sem riscos de desabastecimento, pelos diferentes atores responsáveis pelo atendimento às diversas regiões brasileiras: distribuidores, importadores e outros produtores, além da Petrobras”. Enquanto isso, o Palácio do Planalto segue sem definir como avançar com o estabelecimento de subsídios ao combustíveis, desejado pelo presidente da República, Jair Bolsonaro. Ontem, uma nova proposta, na forma de Medida Provisória com duração de três meses financiada por créditos extraordinários, passou a ser discutida. E, a pedido do próprio governo, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), adiou de ontem para hoje os projetos de lei que buscam suavizar o aumento dos preços dos combustíveis e que estão em pauta no Plenário.

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS
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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e CommodityNetwork Trader’s Pro.

  • Moedas

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