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Abertura de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Dólar continua em queda,
cotado ao redor de R$ 4,915
 
Vitor Andrioli
Leonardo Rossetti
Leonel Oliveira Mattos
Câmbio deve refletir ata da decisão de política monetária do Copom

A taxa de câmbio apresentava tendência de baixa nas primeiras negociações desta terça-feira (22). No momento da publicação deste texto (09h30min), ela era negociada ao redor de R$ 4,915, recuo de 0,6% em relação ao encerramento de segunda-feira. Já o dollar index era cotado ao redor de 98,5 pontos, praticamente estável ante à véspera. O mercado de divisas deve repercutir a publicação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), com investidores buscando maiores informações sobre o processo decisório de seus integrantes ao elevar a taxa básica de juros (Selic) em 1,0 ponto percentual em meio a significativa incerteza no panorama internacional e possibilidade de choques de oferta em função da elevação dos preços internacionais de commodities. Deve receber atenção, ainda, a decisão do Planalto de zerar impostos de importação sobre diversas mercadorias, entre as quais o etanol. No exterior, após o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, se mostrar inclinado a apoiar um reajuste de juros “em mais de 25 pontos-base” em uma decisão futura de política monetária, o mercado de câmbio pode ser afetado pelas diversas falas públicas de autoridades do banco central americano. Na agenda do dia, o presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, participa de evento virtual às 09h30min, a presidenta do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, discursa às 10h15min, enquanto o economista-chefe da instituição, Philip Lane, discursa às 14h00min. O presidente do Federal Reserve de New York, John Williams, profere discurso às 11h30min, ao passo que a presidenta do Fed de San Francisco, Mary Daly, discursa às 15h00min e a presidenta do Fed de Cleveland, Loretta Mester, concede palestra às 18h00min. Já o Ministério da Economia divulga o Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias do primeiro bimestre, às 14h30min, seguido de coletiva de imprensa do secretário especial do Tesouro e Orçamento, Esteves Colnago.

O Comitê de Política Monetária indicou em sua ata de decisão de política monetária que, a princípio, deve reajustar a taxa básica de juros apenas uma vez mais neste ciclo de aperto monetário. Uma sutil mudança na redação da ata, que passa a descrever “ajuste adicional” ao invés de “ajustes adicionais”, como em atas anteriores, deve ser um indicativo que o Banco Central irá elevar a taxa básica de juros (Selic) de 11,75% para 12,75% ao ano na reunião de maio para, em seguida, pausar seu ciclo de altas. Caso esta trajetória se confirme, a Selic terá sido aumentada em dez vezes consecutivas desde março de 2021, quando estava em 2,00% ao ano. Na avaliação do Copom, “as atuais projeções indicam que o ciclo de juros nos cenários avaliados é suficiente para a convergência da inflação para patamar em torno da meta ao longo do horizonte relevante”, visto que tal patamar de juros é “significativamente contracionista”.

A provável interrupção no ciclo de altas não deve ser interpretada, entretanto, como sinal de alívio nas preocupações inflacionárias. No documento, o Comitê relata que “a inflação ao consumidor segue elevada, com alta disseminada entre vários componentes, e mais persistente que o antecipado” em função de pressões de custo que já vinham se acumulando desde o ano anterior e que foram deterioradas com os choques de oferta causados pelo conflito russo-ucraniano e seus desdobramentos. E, como é usual, o Copom se manteve aberto a revisitar sua estratégia caso os dados econômicos se mostrem diferentes do estimado ou novos fatos venham a ocorrer.

No cenário internacional, as falas de autoridades do Federal Reserve (Fed) em defesa de medidas agressivas pelo banco central americano para buscar a estabilização de preços deve se manter no noticiário. Ontem, o presidente do Fed de Minneapolis, Neel Kashkari, defendeu mais seis reajustes na taxa básica de juros do país em seis reuniões, ou seja, um aumento total de 1,50 ponto percentual. Já o membro do Conselho de Governadores do Fed, Christopher Waller, argumentou que só não defendeu um reajuste de 0,50 ponto percentual na última reunião por conta do contexto geopolítico, que exige cautela. O presidente do Fed de Richmond, Thomas Barkin, também se disse “muito aberto” a um acréscimo de 0,50 ponto percentual caso a inflação permaneça se acelerando, enquanto o presidente do Fed, Jerome Powell, declarou que “se concluirmos que é apropriado agir de forma mais agressiva, elevando os juros em mais de 25 pontos-base em uma reunião ou reuniões, nós o faremos”. Dos 16 integrantes do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), doze visualizam aumentar a taxa de juros nos Estados Unidos em, pelo menos, 1,50 ponto percentual ainda neste ano.

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS
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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e CommodityNetwork Trader’s Pro.

  • Moedas

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