
Abertura de Câmbio
Câmbio deve refletir cenário geopolítico enquanto aguarda pelo Copom

- Moedas
O Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities já está disponível gratuitamente. Faça seu download. →
By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil
O par real/dólar apresentava tendência de baixa nas primeiras negociações desta sexta-feira (25). No momento da publicação deste texto (09h30min), ele era negociado ao redor de R$ 4,795, recuo de 0,7% em relação ao encerramento de quinta-feira. Já o dollar index era cotado ao redor de 98,6 pontos, variação de -0,2% ante à véspera. O mercado de divisas nacional continua atraindo forte fluxo de capitais externos para ativos de renda fixa e ativos relacionados à commodities, que se mantém elevada mesmo diante de um contexto internacional mais cauteloso ao longo do mês de março. No exterior, o ambiente é de menor apetite por riscos, em função da incerteza quanto ao futuro do conflito militar entre Rússia e Ucrânia e suas possíveis repercussões em termos de pressões inflacionárias e redução da atividade econômica em âmbito global. Causa preocupação, também, as declarações de autoridades ocidentais alertando Moscou contra o uso de armas biológicas, químicas e nucleares em território ucraniano. Na agenda do dia, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, concede palestra às 11h00min, a Universidade de Michigan atualiza o Índice de Confiança do Consumidor americano também às 11h00min, o presidente do Federal Reserve (Fed) de New York, John Williams, discursa às 11h00min, o presidente do Fed de Richmond, Tom Barkin, profere palestra às 12h30min e o membro do Conselho de Governadores do Fed palestra às 13h00min.
A tendência de valorização do real perante o dólar permanece pronunciada, e a taxa de câmbio se encaminha para seu oitavo pregão seguido e sua quarta semana consecutiva de quedas. Por um lado, o impasse na guerra entre Rússia e Ucrânia mantém o impulso para a valorização dos preços das commodities nos mercados internacionais. Há uma possibilidade de redução na oferta global de produtos alimentícios, metálicos e energéticos devido à infraestrutura prejudicada pela guerra, à emigração em massa ocorrida na Ucrânia, um importante fornecedor de commodities europeu, às sanções que foram impostas contra a Rússia e, em menor medida, a Belarus e a um desestímulo geral em realizar comércio com Moscou por medo de danos reputacionais, de futuras sanções ou mesmo de dificuldade de recebimento. Vale lembrar, também, que as cadeias logísticas globais ainda se encontram sobrecarregadas como consequência da pandemia de Covid-19, o que dificulta um rearranjo mais ágil da distribuição global destes produtos.
Neste contexto, países exportadores de produtos primários, como Colômbia, Austrália e Brasil, têm recebido um fluxo de investimentos relacionados a commodities que ajuda a apreciar sua moeda em relação ao dólar. Além disso, a baixa exposição brasileira ao risco que o conflito oferece, em termos relativos, e o baixo preço de seus ativos em termos de moeda estrangeira contribuem para reforçar este fluxo de investimentos estrangeiros. Assim, o real é a divisa que apresenta melhor desempenho frente ao dólar em 2022, com valorização de 13,0% até a data de ontem. No mercado à vista de ações da B3, a entrada líquida de recursos estrangeiros já ultrapassa R$ 81 bilhões em 2022, maior valor em três meses desde 1994, início da série histórica. O saldo de investimentos é R$ 32,491 bilhões no mês de janeiro, de R$ 30,129 bilhões em fevereiro e de R$ 22,326 bilhões até o dia 23 de março.

Contribui para a entrada de capitais externos, também, o largo diferencial de juros brasileiro frente às taxas de juros dos países desenvolvidos. Enfrentando uma aceleração inflacionária, o Banco Central do Brasil (BC) realiza um intenso processo de aperto monetário que reajustou a taxa básica de juros (Selic) de 2,0% a.a. para 11,75% a.a. em um intervalo de doze meses apenas. A autoridade monetária ainda pretende subir os juros, pelo menos, uma vez mais. Hoje, a taxa real de juros – diferença entre a taxa nominal de juros menos a inflação – no Brasil só é menor que a da Rússia, país que enfrenta dificuldades de atrair investidores estrangeiros. A perspectiva de ampliação para a já elevada taxa Selic também contribui para ampliar o diferencial de juros brasileiro e atrair investidores que buscam estratégias de “carry trade” – tomar financiamento em um país de juro baixo para aplicar em um país de juro elevado.
Nesta manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), a prévia da inflação oficial, ficou em 0,95% em março, 0,04 ponto percentual (p.p.) abaixo da taxa de fevereiro (0,99%). É a maior variação para um mês de março desde 2015 (1,24%). Em 12 meses, o IPCA-15 soma 10,79%, acima dos 10,76% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. Houve aumento no período em todos os nove grupos de mercadorias pesquisados, sendo que os maiores impactos no Índice vieram, em ordem, de alimentos e bebidas (+1,95%), saúde e cuidados pessoais (+1,30%) e transportes (+0,67%). Com a manutenção da aceleração de preços em patamar elevado, mantém-se, também, a pressão sobre o Banco Central para manter o ciclo de aperto monetário a fim de buscar a estabilidade de preços.
Ontem, durante entrevista coletiva após a divulgação do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que o ciclo de elevações para a taxa Selic deve ser encerrado em maio com mais uma alta de um ponto percentual, levando-a para 12,75% ao ano. Campos Neto afirmou que o cenário ainda é muito volátil e apresenta diversas possibilidades, mas que considera mais provável a hipótese de que o aperto monetário se encerre na próxima decisão do Comitê de Política Monetária (Copom).

Este documento contém opiniões do autor e não necessariamente reflete as estratégias da StoneX. As previsões de mercado são especulativas e podem variar. O investidor é responsável por qualquer decisão baseada neste material. A StoneX só negocia com clientes que atendem aos critérios legais. O aviso legal completo está em https://www.stonex.com/pt-br/termos-e-condicoes/.
É proibida a cópia ou redistribuição deste material sem permissão da StoneX.
© 2026 StoneX Group, Inc.
Nossos assinantes têm acesso às análises de mercado da StoneX, abrangendo commodities, ações, moedas e muito mais.

Câmbio deve refletir cenário geopolítico enquanto aguarda pelo Copom


Real recua com queda dos preços do petróleo e temor de novas sanções americanas


Câmbio deve refletir dados para mercado de trabalho americano

Utilizamos nosso capital, conhecimento e profunda experiência para proteger as margens de nossos clientes, reduzir custos e fornecer soluções personalizadas para obter sucesso nos mercados globais competitivos de hoje.
Confiança
Valorizamos relacionamentos próximos e de longo prazo com nossos clientes. Ao oferecer o melhor serviço e suporte tecnológico, nossos clientes confiam em nós para entrar nos mercados mais desafiadores e atender aos seus pedidos mais difíceis.
Transparência
Oferecemos preços competitivos e transparentes, além de entrega garantida e segura em mais de 140 moedas em mais de 185 países.
Especialização
Com insights e informações de todo o mundo, fornecemos aos nossos clientes notícias, dados e comentários agregados de todas as vertentes de nossos mercados, desde interconexões de complexos de commodities até fluxos globais de capital.