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Abertura de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Dólar abre a sexta em disparada,
cotado ao redor de R$ 4,70
 
Vitor Andrioli
Leonardo Rossetti
Leonel Oliveira Mattos
Câmbio reflete aversão ao risco global, pela expectativa de alta de juros do Fed, e local, por mais uma crise entre os Poderes

O par real/dólar operava em forte alta nas primeiras negociações desta sexta-feira (22). No momento da publicação deste texto (09h30min), ele era negociado ao redor de R$ 4,70, alta de 1,7% em relação ao fechamento de quarta-feira. Já o dollar index era cotado ao redor de 100,8 pontos, variação de +0,3% ante à véspera. O mercado de divisas repercute um ambiente de pessimismo e aversão aos riscos tanto internamente como internacionalmente. No exterior, declarações de autoridades do Banco Central Europeu (BCE) e do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, indicaram que a contração monetária pelo Fed deve ser intensa nos próximos meses e que as autoridades europeias podem começar a seguir uma trajetória semelhante, o que preocupa analistas quanto a possibilidade de maior redução do crescimento econômico global. No Brasil, investidores reagem a mais uma crise entre os Poderes da República às vésperas da eleição. Após o Supremo Tribunal Federal (STF) decidir, por dez votos a um, prender o deputado federal Daniel Silveira pelos crimes de coação no curso do processo e atentado ao Estado Democrático de Direito, o presidente da República, Jair Bolsonaro, concedeu perdão da pena ao deputado no dia seguinte, afrontando a suprema corte. Na agenda do dia, destacam-se os discursos da presidenta do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, às 10h00min, e do presidente do Banco Central da Inglaterra, Andrew Bailey, às 11h30min.

O dólar negociado no mercado interbancário operava em forte elevação na sessão desta sexta-feira, em linha com os mercados internacionais de divisas, porém com o noticiário doméstico aprofundando o movimento de ajuste. Ontem, a presidenta do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, adotou uma postura mais flexível que em ocasiões anteriores, admitiu que os riscos presentes apontam para inflação maior e crescimento econômico menor e declarou que “nas condições atuais de elevada incerteza, nós vamos manter a flexibilidade, o gradualismo e a opcionalidade [sic] na conduta da política monetária”. Já o vice-presidente do BCE, Luis de Guindos, defendeu em entrevista que a instituição interrompa antecipadamente seus estímulos monetários em julho e que suba a taxa de juros do bloco unificado no mesmo mês. Ontem, também, o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, assumiu seu posicionamento mais firme até o momento ao afirmar que é “apropriado agir mais rapidamente neste momento [com o aperto monetário]” e que “[um aumento de] 50 pontos base estará dentre as opções para a reunião de maio [de decisão de política monetária]. Em seus comentários, o presidente do Fed argumentou que o mercado futuro de juros está “reagindo de forma adequada, em geral” às expectativas de trajetória para as taxas de juros. As apostas de mercado, hoje, anteveem três aumentos de 0,50 ponto percentual na taxa de referência para os Estados Unidos e que o ano se encerre em um patamar entre 2,75% e 3,00% ao ano.

As falas das autoridades monetárias dos EUA e da Europa, ontem, provocaram uma intensa movimentação nos mercados financeiros, que passaram a apostar – ainda mais – em uma rápida elevação dos patamares de juros dos países avançados e de aperto das condições monetárias, o que, por sua vez, deve conter aos poucos o ritmo de aceleração de preços e desacelerar o ritmo da atividade econômica dos países. Aumentou-se a percepção de risco de que uma recessão econômica possa ocorrer ao mesmo tempo em que as taxas de inflação ainda estejam elevadas. O ambiente de pessimismo se alastrou e impactou negativamente os ativos considerados arriscados, como a moeda brasileira.

Além disso, contribui para a desvalorização do real perante o dólar a nova crise entre Poderes da República aberta pelo presidente Jair Bolsonaro. Um dia após o STF condenar, por dez votos a um, o deputado Daniel Silveira (PTB-RJ) pelos crimes de coação no curso do processo e atentado ao Estado Democrático de Direito, Bolsonaro decretou perdão ao parlamentar por meio de uma "graça constitucional". O decreto com a graça foi publicado em edição extra da quinta-feira do Diário Oficial da União. Já Silveira foi condenado a regime fechado, multa de R$ 200 mil, perda do mandato e dos direitos políticos. Enquanto alguns parlamentares já ingressaram com recursos junto à suprema corte questionando aspectos jurídicos da medida, fato é que o líder do Executivo, uma vez mais, decidiu entrar em conflito com o Judiciário, tal como já o fez no passado. Os conflitos entre poderes elevam a percepção de risco associados ao Brasil e podem resultar em maiores exigências de prêmio de risco por parte dos investidores, dificultando a entrada de recursos estrangeiros no país e pressionando uma alta da taxa de câmbio.

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS
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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e CommodityNetwork Trader’s Pro.

  • Moedas

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