
Fechamento de Câmbio
Real se enfraquece com maior percepção de riscos eleitorais

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By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil
A taxa de câmbio operava em alta nas primeiras negociações desta quarta-feira (27). No momento da publicação deste texto (09h30min), ele era negociado ao redor de R$ 5,03, variação de +0,8% ante à véspera. Já o dollar index continua em uma escalada histórica, cotado ao redor de 102,7 pontos, ganho de 0,4% em relação ao encerramento de terça-feira e seu maior valor desde 19 de março de 2020. O mercado de divisas deve repercutir o ambiente de contínuo pessimismo e baixo apetite por riscos externamente, em meio à suspensão do fornecimento de gás natural para a Bulgária e a Polônia pela Rússia, o agravamento das medidas de isolamento para a Covid-19 na China e a consolidação das expectativas de um intenso aperto monetário pelo Federal Reserve. No Brasil, analistas devem observar a aceleração do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de abril para 1,73%, em linha com as estimativas de analistas, porém no maior patamar para um mês de abril desde 1995. A manutenção de valores aquecidos para os índices inflacionários pode pressionar o Banco Central (BC) a não encerrar seu ciclo de aumento de juros na reunião de maio, como havia indicado anteriormente, e prolongar a contração das condições financeiras por um período mais longo. Na agenda do dia, o BC torna a publicar o fluxo cambial, o Índice de Commodities Brasil (IC-Br), enquanto o Tesouro publica o Relatório da Dívida Pública Federal, todos às 14h30min. O ministro da Economia, Paulo Guedes, participa de evento virtual às 10h00min, e a presidenta do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, discursa às 13h00min.
O dólar negociado no mercado interbancário operava em alta pelo seu quarto pregão consecutivo em meio a um cenário internacional de contínuo pessimismo e pouco apetite por riscos. Ontem, a Rússia interrompeu o fornecimento de gás natural a Polônia e Bulgária em resposta à rejeição desses países da demanda de realizar o pagamento em rublos, subindo o tom nas retaliações à União Europeia pelas sanções aplicadas em função da guerra russo-ucraniana. A Polônia importa 90% de seu gás natural da Rússia e a Bulgária, 76%. Os líderes europeus denunciaram a atitude de Moscou como “chantagem” política e econômica, e insistem que os termos comerciais e legais estão sendo observados. O Kremlin passou a exigir o pagamento em rublos como forma de se proteger de possíveis sanções no futuro, ao passo que a União Europeia acusa a Rússia de desrespeitar os termos dos contratos vigentes.
Contribui para o clima de aversão aos riscos, também, o aumento do número de casos de coronavírus na China a despeito do rigor das medidas de contenção sendo aplicadas pelas autoridades na tentativa de sua contenção. Milhões de pessoas estão sendo testadas em Pequim a fim de tentar conter o contágio em sua fase inicial e evitar que a capital do país repita a experiência dolorosa de Xangai, que está em sua quinta semana de confinamento e sofrendo com a carência de alimentos e outros itens básicos. O governo chinês está mantendo as apostas em sua política de “Covid zero” mesmo frente uma variante altamente contagiosa e acumulando custos econômicos, humanos, sociais e políticos cada vez mais elevados para benefícios cada vez menores. Agentes dos mercados financeiros se preocupam com os impactos dessa postura rígida nas cadeias produtivas e de suprimentos globais, bem como na desaceleração econômica da maior nação industrial do planeta.
É importante destacar, também, que após semanas de valorização frente à moeda americana, o real inverteu sua trajetória após o discurso do presidente do Fed, Jerome Powell, na última quinta-feira, em que se consolidaram as apostas de um aperto monetário veloz e contundente pelo Banco Central estadunidense a fim de conter a aceleração de preços no país, ainda que isso possa reduzir o ritmo de expansão econômica no país. De acordo com a ferramenta CME FedWatch, o mercado de juros aposta em uma sequência de seis aumentos consecutivos na taxa primária de juros no país, o que já é incomum, com o predomínio de apostas indicando um reajuste de 0,50 p.p. em maio, seguido por um de 0,75 p.p. em junho, e por outro de 0,50 p.p. em julho. Isso seria ainda mais raro, visto que o último acréscimo de 0,50 p.p. pelo Fed foi em 2002 e o último de 0,75 p.p., em 1994. A elevação das taxas de juros nos Estados Unidos torna os títulos denominados em dólar mais atraentes, vistos que rendem mais juros na principal moeda do sistema financeiro internacional, e redireciona os fluxos de investimentos de economias mais frágeis para os EUA.
Por fim, nesta manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o IPCA-15 passou de 0,95%, em março, para 1,73%, em abril. Considerado uma “prévia” da inflação oficial, este foi o maior resultado para o indicador em um mês de abril desde 1995. No ano, o IPCA-15 acumula alta de 4,31% e, em 12 meses, de 12,03%. Como nos meses anteriores, este resultado foi influenciado, principalmente, pela alta em transportes (+3,43% no mês) e alimentação (+2,25%), embora a aceleração de preços seja disseminada – oito dos nove subgrupos apresentaram aumento. No mês de abril, diesel se elevou em 13,11%, gasolina em 7,51%, etanol em 6,60% e gás veicular em 2,28%. Além disso, chamou a atenção o reajuste de 8,09% do gás de botijão. A manutenção de valores aquecidos para os índices inflacionários pode pressionar o Banco Central (BC) a não encerrar seu ciclo de aumento de juros na reunião de maio, como havia indicado anteriormente, e prolongar a contração das condições financeiras por um período mais longo.

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