Nesta manhã, o IBGE divulgou que a taxa de desemprego do trimestre finalizado em março foi de 11,1%, indicando que a ocupação no Brasil está em estabilidade há quatro meses – o índice de desocupação mediu 11,1% em dezembro, 11,2% em janeiro e fevereiro e novamente 11,1% em março. Há uma queda substantiva, entretanto, quando a taxa é comparada a março de 2021, quando o desemprego estava em 14,9%. Já o rendimento médio real do trabalho habitual se manteve praticamente estável de fevereiro para março (de R$ 2.538 para R$ 2.548), contudo demonstrou forte baixa de 8,7% ante março de 2021 (R$ 2.789). A queda da renda é consequência da concentração do crescimento do trabalho em posições informais e de menor estabilidade de rendimento. Em relação a março do ano passado, as ocupações que mais cresceram o número de trabalhadores foram, em ordem, empregados sem carteira assinada (+19,3%), trabalhadores domésticos (+19,0%), empregados com carteira assinada (+10,7%) e trabalhadores por conta própria (+7,3%). Empregados no setor público se manteve em estabilidade comparado a março de 2021, ao passo que empregadores avançaram em 10,8%, subdivididos em um avanço de 8,9% nos empregadores com CNPJ e 19,3% nos empregadores sem CNPJ.
No cenário internacional, a divisa americana cedia terreno após um rali vigoroso que a impulsionou a máximas não atingidas em vinte anos. A forte valorização do dólar, por consequência, provocou o enfraquecimento de diversas moedas tanto de economias avançadas como emergentes, das quais o iene e o euro foram particularmente penalizados. Hoje, a pausa momentânea foi motivada pelo anúncio do Banco Central chinês de que ele irá adotar providências para apoiar o crescimento econômico no país em meio a preocupações com os impactos da política de tolerância zero com a Covid-19 aplicadas atualmente. Em um ano crucial para o Politburo, o comitê central do partido comunista publicou nota afirmando que irá apoiar as indústrias afetadas pelo coronavírus, acelerar obras em infraestrutura e estabilizar as cadeias logísticas e de suprimentos no país. Apesar dessas providências, a possibilidade de um confinamento rígido na capital chinesa só aumenta à medida que mais e mais ações gradualistas são implantadas para tentar conter a disseminação do coronavírus pela cidade em sua fase inicial e Xangai continua sofrendo as consequências de um austero isolamento de mais de um mês.
É importante notar, também, que a medida mais utilizada pelo Federal Reserve (Fed) para acompanhar a aceleração de preços nos Estados Unidos, o PCE, aumentou em 6,6% em 12 meses para o mês de março, ligeiramente abaixo das expectativas de analistas, cuja mediana apontava para um crescimento de 6,8%. O chamado “núcleo” do índice, que exclui as voláteis categorias de energia e alimentação, também ficou um pouco abaixo das estimativas ao registrar alta de 5,2% em 12 meses, ante mediana estimada de 5,3%. Ainda assim, este é o maior valor para o indicador desde abril de 1983, o que indica que a pressão para uma atuação rígida pelo Fed continua elevada.