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Real recua com queda dos preços do petróleo e temor de novas sanções americanas

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By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil
O par real/dólar operava em discreta queda nas primeiras operações desta sexta-feira (20). No momento da publicação deste texto, ele era negociado ao redor de R$ 4,91, recuo de 0,2% em relação ao fechamento de quinta-feira. Já o dollar index apresentava forte recuo e era cotado ao redor de 102,9 pontos, variação de +0,2% ante à véspera. O mercado de divisas repercute uma moderada recuperação do apetite por riscos de investidores após o Banco Central da China (PBoC) reduzir as taxas de juros de referência para hipotecas inesperadamente, em 0,15 ponto percentual, passando de 4,60% para 4,45% em cinco anos. Foi o segundo corte nessa taxa de financiamento neste ano, em uma tentativa de estimular o setor imobiliário do país. No mercado de moedas, o dólar perdeu força e se desvaloriza perante tanto pares de economias avançadas como de emergentes, refletindo preocupações sobre a possibilidade de uma recessão na economia americana. No Brasil, os destaques ficam por conta da política fiscal, com o presidente da República, Jair Bolsonaro, afirmando que o Tesouro deve promover cortes de R$ 17 bilhões no Orçamento deste ano para arcar com o reajuste linear de 5% para servidores federais e o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL) declarando que votará na próxima terça (24) uma proposta que fixa em um máximo de 17% a alíquota do imposto sobre a circulação de mercadorias e serviços (ICMS) para combustíveis, energia elétrica, telecomunicações e transportes.
O dólar negociado no mercado interbancário opera em queda na manhã desta sexta-feira, diante de uma recuperação moderada da confiança dos investidores internacionais e de um fluxo de saída de investimentos dos Estados Unidos. Investidores reconfiguram suas carteiras de investimentos, evitando ativos americanos em meio a receios de que a perspectiva de uma inflação persistentemente elevada e de um aperto monetário veloz e rígido pelo Federal Reserve provocará uma recessão na economia estadunidense. O mercado acionário no país caminha para sua sétima semana seguida de queda, a maior sequência desde o estouro da bolha “ponto com”, nos anos 2000. Dessa forma, o dollar index, que se valorizou em 12 das últimas 14 semanas, caminha para uma perda de quase 2,0% nesta semana.
Como consequência das perdas americanas, os ativos europeus e emergentes se valorizam na sessão desta sexta-feira. Contribui para o apetite por riscos dos investidores, também, o corte inesperado pelo PBoC nas taxas de juros de referência para hipotecas em 0,15 p.p., a segunda redução no ano. Alguns analistas até previam a possibilidade em uma pesquisa feita pela agência de notícias Reuters, mas estimavam tal redução em apenas 0,05 ponto percentual. Tal reajuste tem por objetivo estimular o setor imobiliário e da construção no país, que já se encontravam em desaceleração antes mesmo da pandemia da Covid-19 e que, agora, enfrentam sérios problemas de sobre-investimento e demanda reduzida.
No Brasil, é importante ressaltar que Bolsonaro afirmou, ontem, que o Executivo deve promover cortes de despesa de R$ 17 bilhões a fim de financiar o reajuste linear de 5% aos servidores federais, sem especificar quais áreas seriam afetadas pelo corte. Há meses que o Planalto promete o reajuste de 5% para o funcionalismo público, mas, até o momento, não formalizou a proposta ao Congresso Nacional. Além disso, Arthur Lira declarou na noite de ontem que votaria um projeto de lei que tornaria “bens essenciais” combustíveis, energia elétrica, telecomunicações e transportes, impondo um teto de 17% sobre o ICMS estadual desses produtos. Caso seja aprovado, essa lei teria impacto significativo sobre o preço desses bens e serviços, reduzindo a pressão sobre os índices de inflação. Contudo, a proposta seguramente enfrentará a resistência de governadores, cuja receita tributária seria reduzida com o projeto.

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