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Abertura de Câmbio

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Câmbio inicia a quarta em elevação,
cotado logo acima de R$ 4,85
 
Leonel Oliveira Mattos
Leonardo Rossetti
Vitor Andrioli
Investidores aguardam pela ata do Fed e
repercutem riscos políticos no Brasil

A taxa de câmbio apresentava firme tendência de alta nas primeiras operações desta quarta-feira (25). No momento da publicação deste texto (09h30min), ela era negociada ao redor de R$ 4,855, ganho de 0,9% em relação ao fechamento de terça-feira. Já o dollar index interrompeu seu sentido de baixa durante a madrugada e era cotado ao redor de 102,4 pontos, variação de +0,5% ante à véspera. O mercado de divisas deve repercutir a divulgação da ata de decisão de política monetária de 04 de maio do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve (Fed), às 15h00min. Em meio a temores de que a aceleração inflacionária nos Estados Unidos permanecerá alta e disseminada enquanto o crescimento econômico se reduzirá, os investidores devem buscar detalhes sobre o ritmo e a intensidade dos próximos reajustes de juros no país e o comprometimento do Comitê com a estabilização de preços. No Brasil, analistas continuam ressoando a nova troca de comando da Petrobras pelo governo Bolsonaro, com receios de que o Conselho de Administradores e diretores da empresa também possam ser substituídos. Enquanto isso, o projeto de lei que fixa teto de 17% para a alíquota do imposto sobre circulação de mercadorias e serviços (ICMS) sobre combustíveis e energia elétrica teve a votação adiada na Câmara dos Deputados de ontem para hoje. Na agenda do dia, a vice-presidenta do Fed, Lael Brainard, discursa às 13h15min.

O dólar negociado no mercado interbancário abriu a manhã desta quarta-feira em alta, acompanhando o cenário externo de cautela moderada e em compasso de espera pela ata do FOMC desta tarde, que deve balizar as expectativas dos investidores sobre a atuação do Federal Reserve nos próximos meses. O documento deve reafirmar o comprometimento do banco central americano em reduzir as taxas de inflação no país, priorizando a estabilização de preços sobre a atividade econômica ou mesmo sobre a geração de empregos. Será importante observar se a ata inclui detalhes sobre qual é o nível de taxa de juros esperada ao final do aperto monetário e sobre o ritmo necessário para essa contração. Nas últimas duas semanas, diversas autoridades do Comitê se posicionaram a favor de subir a taxa de juros para seu “nível neutro” até o final deste ano, o que incluiria “múltiplos” aumentos de 0,50 ponto percentual. Além disso, todas frisaram a disposição de agir mais agressivamente caso a aceleração de preços continue se disseminando ou se intensificando. Porém, há receios entre analistas de que tal estratégia vá provocar uma desaceleração econômica mais intensa do que o comunicado pelo Comitê, e isso impulsionou um fluxo de saída de investimentos dos EUA.

Contribuiu para o enfraquecimento do dólar, também, comentários de autoridades monetárias europeias sobre a possibilidade de reajustes de juros no continente europeu. Ontem, a presidenta do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, reforçou que o BCE deve avançar sua taxa de juros “em território positivo até o fim do terceiro trimestre”, o que implica em, no mínimo, um aumento total de 0,50 ponto percentual até setembro. Além disso, a membra do Conselho de Governadores do Banco Central Suíço (SNB), Andrea Maechler, declarou que a autoridade monetária do país “não hesitará em apertar as condições financeiras” caso a inflação do país não retorne à meta de médio prazo do SNB, entre 0% e 2%. Atualmente, a inflação ao consumidor no país está em 2,5% no acumulado em 12 meses, maior patamar em 14 anos.

No Brasil, investidores continuam acompanhando mais uma intervenção do presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), na Petrobras – somente neste ano, o Planalto já trocou duas vezes a presidência executiva da empresa, uma vez a presidência do conselho de administradores e uma vez o ministro de Minas e Energia, responsável pela estatal. Agora, analistas temem que integrantes do Conselho de Administração da empresa ou mesmo diretores sejam substituídos pela União como resultado da pressão de Bolsonaro de intervir – interromper – a política de reajustes de preços de combustíveis da estatal a qualquer custo. Nos últimos dois anos, e em especial após a guerra entre Rússia e Ucrânia, os preços internacionais do óleo bruto dispararam, forçando um reajuste significativo de combustíveis no Brasil. A inflação, em geral, e os combustíveis, em particular, são fontes de insatisfação popular com o atual governo, de forma que o presidente intervém constantemente para influenciar e coagir a Petrobras a não elevar os preços de combustíveis

A agência de classificação de risco Moody’s alertou em análise que as mudanças constantes de liderança na Petrobras podem levar ao rebaixamento na avaliação de risco de crédito da companhia. As constantes intervenções de Bolsonaro em empresas estatais podem elevar a percepção de risco político associado ao Brasil, elevando a exigência de prêmio de risco por parte dos investidores, o que, por sua vez, poderia reduzir o fluxo de capital estrangeiro ao país e enfraquecer o real.

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS
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Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e CommodityNetwork Trader’s Pro.
  • Moedas

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