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Real recua com queda dos preços do petróleo e temor de novas sanções americanas

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By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil
O par real/dólar apresentava tendência de queda nas primeiras operações desta quarta-feira (15). No momento da publicação deste texto (09h30min), ele era negociado ao redor de R$ 5,10, variação de -0,7% ante à véspera. Já o dollar index era cotado ao redor de 105,2 pontos, recuo de 0,3% em relação ao término de terça-feira. O mercado de divisas aguarda pela decisão de política monetária do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve (Fed), às 15h00min. Após a inflação ao consumidor superar as estimativas de analistas, na última sexta-feira, e atingir seu maior patamar em quatro décadas, há uma expectativa crescente de que o Fed será obrigado a adotar uma postura mais rígida na condução de sua política monetária a fim de recuperar a estabilidade de preços no país. No Brasil, o destaque também será a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), que será divulgada às 18h30min. Por fim, vale destacar que o Banco Central Europeu (BCE) realizou uma reunião de emergência nesta manhã para “discutir as condições de mercado atual”, mas, até o momento, não houve comunicado ou entrevista para revelar seus resultados. Na agenda do dia, o Departamento do Comércio (DC) dos EUA publica as vendas do varejo de maio, às 09h30min, o Departamento de Estatísticas do Trabalho (BLS) informa os preços de produtos exportados e importados de maio, no mesmo horário, e a presidenta do BCE, Christine Lagarde, discursa às 13h20min.
O dólar negociado no mercado interbancário operava com tendência de baixa nas primeiras horas do pregão desta quarta-feira. Os investidores estão em compasso de espera para as decisões de política monetária dos Bancos Centrais dos Estados Unidos, às 15h00min, e do Brasil, às 18h30min. Nos EUA, após o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de maio surpreender analistas e atingir seu maior valor desde dezembro de 1981, os mercados financeiros passaram por um forte movimento de aversão ao risco e busca por ativos de segurança, antecipando que o FOMC será pressionado a adotar uma postura mais agressiva em seu combate à inflação. Ontem (14), 95,8% das apostas nos mercados de juros futuros dos Estados Unidos apontavam para um reajuste de 0,75 p.p. nas taxas de juros americanas (fed funds rate) na decisão de hoje, enquanto, há uma semana, tais apostas eram de apenas 3,9%.
No Brasil, o desafio para o Copom é um pouco distinto. Apesar dos índices de preços continuarem elevados, disseminados e persistentes, a política monetária já está em terreno restritivo, com a taxa básica de juros (Selic) em 12,75% ao ano. Há quase consenso que, hoje, a taxa será reajustada para 13,25% a.a. Tanto o presidente do BC, Roberto Campos Neto, quanto o diretor de política monetária, Bruno Serra Fernandes, já expressaram, repetidamente, o desejo de encerrar o ciclo de reajustes à taxa Selic e observar o comportamento da inflação por um período. Contudo, a piora na percepção de riscos fiscais, em função da proposta do governo de subsidiar combustíveis com recursos fora do limite constitucional de gastos, a recente desvalorização cambial e mesmo a perspectiva de deterioração da inflação impulsionam apostas de analistas de que o aperto monetário deve se estender, pelo menos, até a decisão de agosto.
Por fim, é digno de nota que o Banco Central Europeu realizou uma reunião de emergência na manhã desta quarta-feira, decidindo que irá acelerar a aplicação de instrumentos financeiros para evitar uma crise da dívida de países altamente endividados da zona do euro. O objetivo é ajudar a reduzir a diferença nas taxas de juros (spreads) nos títulos de dívida pública entre os países do bloco, aquilo que o mercado chama de “fragmentação financeira”. Após a reunião, o Conselho Executivo do BCE afirmou que criará um novo instrumento para evitar o risco de uma fragmentação, e que “aplicará flexibilidade” no reinvestimento dos resgates de sua carteira do Programa de Compras de Emergência Pandêmica (PEPP) “com vistas a preservar o funcionamento do mecanismo de transmissão da política monetária”.

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