O dólar negociado no mercado interbancário apresentava sensível alta na manhã desta sexta-feira após uma brusca reversão do otimismo e apetite por riscos ocorrido na tarde de quarta, imediatamente após a decisão do Federal Reserve de reajustar a taxa referencial de juros (fed funds rate) em 0,75 p.p., de uma margem de 0,75% a 1,00% ao ano para uma faixa entre 1,50% e 1,75% ao ano. Foi o maior aumento de juros pelo banco central estadunidense desde novembro de 1994. A inflexão no ambiente de expectativas ocorre após uma sequência de bancos centrais pelo mundo subir suas taxas básicas de juros, emitir alertas sobre a gravidade e persistência da aceleração de preços e sobre a possibilidade de uma desaceleração econômica severa no futuro próximo (12 a 18 meses).
Na quarta-feira, além do Fed, o BC brasileiro reajustou sua taxa Selic de 12,75% a.a. para 13,25% a.a., em seu 11º aumento consecutivo aos juros. Em comunicado, o Comitê de Política Monetária afirmou que antevê novo ajuste, de igual ou menor magnitude, na próxima reunião, em agosto. Em relação aos preços no Brasil, o documento afirmou que a inflação ao consumidor seguiu surpreendendo negativamente, tanto em componentes mais voláteis como em itens associados à inflação subjacente. Nesse cenário, o BC agora vê o IPCA em 8,8% no fim deste ano, ante projeção de 7,3% na última reunião, de 3,0% para 4,0%, em 2023, e de 2,7%, em 2024. Como estas estimativas não incorporam as propostas de subsídios a combustíveis em tramitação no Congresso Nacional, há tendência, segundo a avaliação do BC, de que as projeções para a inflação em 2023 fiquem ainda maiores em caso de aprovação das medidas, pois elas “reduz[iriam] sensivelmente a inflação no ano corrente, embora elev[ariam], em menor magnitude, a inflação no horizonte relevante de política monetária”.
No exterior, o Banco Central Suíço elevou suas taxas de juros pela primeira vez em 15 anos, surpreendendo analistas, passando-a de -0,75% a.a. para -0,25% a.a. Ainda que as taxas de inflação no país sejam comparavelmente baixas – elas estão em 2,9% no acumulado em 12 meses –, isso ainda representa o maior valor em 14 anos para os preços ao consumidor, de forma que a autoridade monetária julgou, por bem, iniciar um processo de aperto das condições financeiras. Além disso, como o Fed está em um movimento agressivo de reajustes de juros, os bancos centrais que não acompanhem, minimamente, este movimento correm o risco de sofrer uma desvalorização brusca de suas moedas, a exemplo do iene japonês. Hoje, foi a vez do Banco Central da Inglaterra realizar seu quinto reajuste consecutivo e subir sua taxa de juros de 1,00% a.a. para 1,25% a.a., emitindo um grave alerta sobre a conjuntura econômica no país. Enquanto o comitê econômico da autoridade monetária alertou que a inflação está se tornando disseminada e que pode atingir 11% até o fim de 2022, a maioria de seus membros também ressalvou que já há uma desaceleração da atividade econômica no curto prazo significativa o suficiente para contribuir no processo de reestabilização de preços.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS
Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e CommodityNetwork Trader’s Pro.