Riscos de estagflação global O dólar negociado no mercado interbancário alternava perdas e ganhos na manhã desta quarta-feira, oscilando ao redor da marca de R$ 5,10. O cenário externo opera mais uma vez em um cenário de cautela e pouco apetite por riscos, com o euro operando próximo da sua mínima de vinte anos e a moeda americana permanecendo em um patamar significativamente valorizado. Os custos de insumos energéticos na Europa, especialmente o gás natural, continuam escalando de forma exponencial em função da dependência do continente de suprimentos da Rússia e da atual inabilidade em obter outras fontes energéticas substitutas. Uma intensa seca agrava o cenário ao afetar a capacidade de produção de energia elétrica de fontes hidrelétricas e nucleares, ao elevar a demanda por resfriamento de ambientes e ao impactar a capacidade de transporte hidroviário dentro do continente. Nos Estados Unidos, a prévia do Índice Gerente de Compra (PMI) consolidado veio abaixo do esperado, o que sugere que a demanda por bens e serviços no país tenha sido afetada por fortes pressões inflacionárias, além da escassez de insumos, atrasos em entregas e por custos de financiamento mais elevados.
Preço do gás natural na União Europeia – Dutch TTF (€/MWh)
Fonte: Refinitiv. Elaboração: StoneX
Deflação no IPCA-15 No Brasil, vale destacar a deflação do IPCA-15 para o mês de agosto em -0,73%, menor valor para a série histórica iniciada em novembro de 1991, embora tenha se situado ligeiramente acima das expectativas de analistas, cuja mediana apontava para -0,81%. A alta acumulada em 12 meses passou de 11,39% em julho para 9,60% em agosto. Este resultado foi influenciado, principalmente, pelos cortes temporários de tributos estaduais realizados pelo governo federal aos combustíveis (Transportes), à energia elétrica (Habitação) e às telecomunicações (Comunicações), dentre outros bens e serviços. Gasolina apresentou queda de -16,80%, etanol de -10,78%, energia elétrica residencial de -3,29%, e planos de telefonia fixa e móvel de, respectivamente, -2,29% e -1,04%. Além disso, reduções de preços da Petrobrás sobre a gasolina vendida nas refinarias também auxiliaram na queda do grupo de transportes. Por outro lado, preços de alimentações e bebidas e saúde e cuidados pessoais mantiveram sua trajetória de alta, moderando a proporção de queda total do IPCA-15.
Análise da variação do IPCA-15 de agosto por grupos de mercadorias
Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Elaboração: StoneX.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS
Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e CommodityNetwork Trader’s Pro.