O par real/dólar apresentava tendência de baixa nas primeiras operações desta quinta-feira (21). No momento da publicação deste texto (10h00min), ele era negociado ao redor de R$ 4,75, recuo de 0,4% em relação ao fechamento de quarta-feira. Já o dollar index era cotado ao redor de 102,1 pontos, praticamente estável ante à véspera. O mercado de divisas repercutia o comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), que surpreendeu, em partes, os agentes de mercado. Como era largamente antecipado, o Comitê manteve a taxa básica de juros (Selic) estável em 13,75% a.a. e retirou de seu comunicado a menção à possibilidade de retomar o ciclo de altas de juros. Porém, ele frustrou analistas ao não sinalizar a possibilidade de cortes à taxa Selic no futuro e ainda mencionou que há uma “incerteza residual sobre o desenho final do arcabouço fiscal” pressionando as expectativas inflacionárias. Na agenda do dia, o Departamento do Trabalho americano atualizou os pedidos semanais de auxílio-desemprego, às 09h30min, o Federal Reserve (Fed) de Chicago informou seu índice regional de atividade econômica, às 09h30min, a Receita Federal comunica a arrecadação federal de abril e maio, às 10h30min, a membra do Conselho de Governadores do Fed, Michelle Bowman, discursa às 10h55min, o presidente do Fed, Jerome Powell, depõe ao Senado americano, às 11h00min, a presidenta do Fed de Cleveland, Loretta Mester, palestra às 11h00min, o Fed de Kansas City divulga seu índice regional de atividade manufatureira, às 12h00min, o presidente do Fed de Richmond, Tom Barkin, palestra às 17h30min.
Comunicado do Copom O dólar negociado no mercado interbancário oscilava entre perdas e ganhos na manhã desta quinta-feira após comunicado do Comitê de Política Monetária adotar tom mais duro que o esperado na decisão de ontem (21). Na decisão desta semana, o Copom deliberou pela manutenção da taxa Selic em 13,75% ao ano e retirou de seu comunicado a possibilidade de novas altas, sinalizando que a taxa de juros do banco Central já atingiu seu pico. O comitê reforçou que a inflação passa por uma lenta desaceleração e que as expectativas ainda estão desancoradas, de modo que a autarquia deveria continuar com os juros num patamar alto por mais tempo, além de não mencionar a possibilidade de flexibilização da política monetária, diminuindo as apostas em corte dos juros na reunião de agosto. Adicionalmente, o comunicado ainda contradiz falas recentes de autoridades do Banco Central ao afirmar em suas considerações acerca do balanço de riscos a incerteza residual sobre o desenho final do novo arcabouço fiscal.
Críticas de Lula Após a divulgação da decisão do Copom, o presidente Lula voltou a criticar a atuação do Banco Central por manter a taxa Selic em 13,75% a.a., afirmando que o presidente da autarquia, Roberto Campos Neto, está indo contra os interesses da economia. Outros membros do governo têm feito críticas seguindo a mesma linha do presidente, dando continuidade os ruídos entre o Executivo e a autoridade acerca da condução da política monetária, o que, ao longo do tempo, prejudica a persecução do BC à meta de inflação.
Arcabouço volta à Câmara O Senado Federal aprovou, com algumas modificações, o texto-base do novo arcabouço fiscal nesta quarta (21). O novo formato aprovado pelos senadores prevê a remoção de três categorias do cálculo do limite: gastos com o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), com o Fundo Constitucional do Distrito Federal (FCDF) e com as áreas de ciência, tecnologia e inovação do limite de despesas. Assim, o texto deve voltar para a Câmara dos Deputados para ser votado novamente antes de ser enviado para sanção pelo presidente. A nova regra fiscal prevê metas anuais de resultado primário e de crescimento real de 0,6% a 2,5% anualmente das despesas do governo.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS




