▲ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 4,897 (+0,4%)
▲ Dollar Index (DXY): ~105,6 pontos (+0,1%)
O par real/dólar operava em alta na abertura de hoje (21), acompanhando o movimento da moeda americana no exterior e repercutindo as decisões de política monetária dessa super quarta. A divisa já havia se recuperado na véspera, após um início de semana de comportamento mais indefinido, respondendo à pausa de viés altista no ciclo de elevação de juros do Federal Reserve. Após o fechamento do pregão, o Comitê de Política Monetária (Copom), reforçou que manterá o ritmo de cortes de 50 pontos base em suas próximas reuniões, e colocou em dúvida a projeção do mercado de que a Selic possa cair até o patamar de 9% em 2024. Logo nos primeiros minutos de negociação, a taxa de câmbio do real era negociada a R$ 4,897, em alta de 0,4%.
Os mercados acionários internacionais operavam em queda nesta quinta, reagindo à sinalização do Fed de que a economia americana conviverá com taxas de juros elevadas por mais tempo. Essa mudança de expectativas também era refletida pelos rendimentos dos treasuries, com baixa para os títulos de maturidade mais curta e elevação nos papeis de vencimentos mais longos. O dollar index obtém suporte nessa conjuntura, operando em seu nível mais elevado desde agosto de 2022, em leve alta diária de 0,1%, cotado a 105,6 pontos.
Agenda do dia:
• Decisão de Política Monetária do BoE (MPC) – 8h00
• Pedidos de auxílio desemprego (DOL) – 9h30.
• Vendas de residências usadas (NAR) – 11h00.
Manutenção da magnitude dos cortes Em decisão unânime nessa quarta, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central cortou a taxa básica de juros (Selic) em 50 pontos base, de 13,25% a.a. para 12,75% a.a., indicando que "anteveem redução de mesma magnitude nas próximas reuniões e avaliam que esse é o ritmo apropriado para manter a política monetária contracionista necessária para o processo desinflacionário". A escolha de linguagem no comunicado, que repetiu o trecho utilizado na última reunião, sinaliza que é limitado o espaço para cortes mais intensos, de 75 pontos base, ao menos para as decisões de novembro e dezembro.
Inflação acima da meta O Copom também revisou o seu cenário de referência para a inflação, com elevação de 0,1 p.p. ante agosto para os três períodos considerados, citando riscos em ambas as direções. Entre os fatores de alta, são mencionadas a persistência de pressões inflacionárias globais e a resiliência da inflação de serviços; já entre os fatores de baixa, a desaceleração da atividade econômica global e a resposta sincronizada das ações dos bancos centrais sobre a inflação. Projetando o IPCA em 5,0% ao final de 2023, em 3,5% em 2024 e 3,1% em 2025, o Copom passou a indicar que a inflação no horizonte de atuação da política monetária – normalmente os dois anos seguintes – deve se manter acima da meta de 3,0%. A sinalização corrobora a percepção de maior cautela da autoridade monetária e deve promover revisões nas perspectivas para a trajetória da Selic no próximo ano, atualmente prevista para encerrar dezembro em 9,00% a.a. no Boletim Focus.
Seguro desemprego nos EUA Divulgados nesta manhã, os pedidos de auxílio desemprego nos Estados Unidos recuaram e ficaram abaixo do esperado para a semana encerrada em 16 de setembro. Em 201 mil novas solicitações, 20 mil a menos que na semana anterior, o indicador encontra-se em seu menor nível desde janeiro, contribuindo para o entendimento de que o mercado de trabalho americano continua robusto e de que a atividade econômica segue em expansão. É preciso ponderar que o feriado do Dia do Trabalho (11) pode ter interferido no recuo do indicador, ainda assim, o número de pedidos de auxílio desemprego sem o ajuste sazonal permaneceu baixo, em 175 mil novas solicitações.
BoE mantém juros inalterados Adicionalmente, contribui para a alta do dólar a decisão do Banco da Inglaterra (BoE) de manter sua taxa básica inalterada após nova leitura do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) indicar arrefecimento da inflação no Reino Unido. No último mês, o CPI da região apresentou desaceleração em relação a junho e, no comparativo anual, ficou em 6,7% para o índice cheio e em 6,2% para o núcleo, ambos os resultados abaixo da mediana das estimativas. Em votação dividida, os dirigentes do banco central optaram pela manutenção da taxa de juros do BoE em 5,25% ao ano após realizar 14 aumentos consecutivos nos últimos meses. Dos 9 diretores do comitê de política monetária (MPC) do Banco da Inglaterra, 5 votaram pela manutenção da taxa e outros 4 votaram a favor de se realizar mais uma alta de 0,25 ponto percentual. Os membros do comitê, no entanto, não descartaram a possibilidade de realizar mais altas caso novos dados indiquem resiliência das pressões inflacionárias na economia britânica, além de terem reforçado seu compromisso em trazer a inflação novamente à meta de 2% ao ano. Dessa forma, os juros do BoE não chegaram ao mesmo nível observado nos Estados Unidos, que se destacam como economia avançada com a maior taxa atualmente. Nesse sentido, o alto patamar dos juros americanos tende a atrair capital para títulos denominados em dólar em detrimento dos títulos de outras economias centrais, de modo que a moeda estadunidense é fortalecida frente a outras divisas, contribuindo para a alta do dollar index.




