Câmbio abre a quinta em alta, refletindo pausa em tarifas de Trump e inflação nos EUA
▲ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,89 (+1,3%)
▼ Dollar Index (DXY): ~ 101,6 pontos (-1,2%)
O mercado de divisas deve refletir a decisão dos Estados Unidos de reduzir, por 90 dias, as tarifas de importação para 10% aplicáveis à quase totalidade de seus parceiros comerciais, mantendo, contudo, uma sobretaxa de 125% sobre os produtos provenientes da China. Paralelamente, investidores acompanham atentamente a divulgação de dados domésticos de inflação no país.
Agenda do dia (horário de Brasília):
• Pesquisa Mensal de Serviços de fevereiro (IBGE) – 09h00min.
• Índice de preços ao consumidor (CPI) de março (BLS) – 09h30min.
• Pedidos semanais de seguro-desemprego nos EUA (DOL) – 09h30min.
• Palestra da presidente do Federal Reserve de Dallas, Lorie Logan – 10h40min.
• Palestra da membra do conselho de governadores do Federal Reserve, Michelle Bowman – 11h00min.
• Palestra do presidente do Federal Reserve de Chicago, Austan Goolsbee – 13h00min.
Pausa nas tarifas dos EUA A taxa de câmbio do real apresentava tendência de alta nas primeiras operações da sessão de hoje, quando era cotada ao redor de R$ 5,89 (10h30min). Na abertura dos mercados, investidores estendiam a tendência de menor aversão a ativos arriscados, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar ontem que pausaria a aplicação das sobretaxas adicionais por 90 dias, mantendo as tarifas de importação em 10% para sobre praticamente todas as economias por esse período. Adicionalmente, as tarifas sobre as importações de aço, alumínio e automóveis serão reduzidas de 25% para 10% nesse mesmo intervalo. Por outro lado, as tarifas sobre produtos chineses serão elevadas para 125% imediatamente. Como reflexo da "trégua" parcial anunciada pelos EUA, a União Europeia anunciou hoje que também irá suspender por 90 dias a aplicação de tarifas sobre 21 bilhões de euros em produtos dos EUA. O governo chinês, por sua vez, manteve postura firme ao confirmar a sobretaxa de 84 % sobre importações provenientes dos Estados Unidos, conforme declarado pelo porta‑voz do Ministério do Comércio, He Yongqian, que reiterou a disposição de Pequim em “ir até o fim” caso Washington persista com as taxações. Embora persista cautela quanto aos efeitos sistêmicos de um eventual agravamento das tensões comerciais entre Estados Unidos e China, o alívio proporcionado pela moderação tarifária anunciada por Trump, em especial a sinalização de recuo da União Europeia, favorecia a valorização de ativos arriscados, como ações, commodities e moedas de economias emergentes, como o real.
CPI nos EUA abaixo do esperado reverte otimismo Por outro lado, os participantes do mercado repercutem também a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) referente a março, nos Estados Unidos, que revelou desaceleração de 0,1% no índice cheio, contrastando com a estimativa mediana de elevação de 0,1%. O indicador também ficou aquém das previsões em seu núcleo, que exclui os componentes voláteis de alimentação e energia, apresentando alta de 0,1%, abaixo do consenso de 0,3%. Embora o controle inflacionário seja um dos objetivos centrais do Federal Reserve, desacelerações abruptas como a observada podem intensificar a percepção de um arrefecimento econômico mais acentuado nos EUA. Nesse contexto, um eventual aumento do pessimismo entre investidores pode reverter o otimismo observado nas preimrias operações da sessão de hoje, estimulando a valorização de ativos considerados “porto-seguros”, tais como o iene japonês, o franco suíço e o euro, exercendo pressão adicional sobre as moedas de países emergentes, dentre elas o real.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS



