Câmbio começa a sexta em queda, refletindo tensões comerciais entre EUA e China
▼ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 5,88 (-0,3%)
▼ Dollar Index (DXY): ~ 99,3 pontos (-1,5%)
O mercado de divisas deve refletir o ambiente de aversão global a riscos por conta da escaladas das tarifas de importação cobradas entre EUA e China entre si, embora a sinalização de Pequim que não fará novos aumentos possa contribuir para conter o pessimismo de investidores.
Agenda do dia (horário de Brasília):
• Entrevista do ministro da Fazenda, Fernando Haddad – 08h50min.
• Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de março (IBGE) – 09h00min.
• Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) de fevereiro (BC) – 09h00min.
• Índice de preços ao produtor (PPI) dos EUA de março (BLS) – 09h30min.
• Índice de confiança do consumidor preliminar dos EUA de abril (UMich) – 11h00min.
• Palestra do presidente do Federal Reserve de Saint Louis, Alberto Musalem – 11h00min.
• Palestra do presidente do Federal Reserve de Nova Iorque, John Williams – 12h00min.
Escalada do conflito entre EUA e China A taxa de câmbio do real apresentava tendência de queda nas primeiras operações da sessão de hoje, quando era cotada ao redor de R$ 5,88 (10h20min). Nesta manhã, o conflito comercial entre Estados Unidos e China permanece no foco dos investidores, após Pequim elevar a tarifa cobrada de produtos americanos de 84% para 125% nesta madrugada, em retaliação à informação divulgada na véspera de que a barreira tarifária aplicada a produtos chineses pelos EUA já soma 145%. Por outro lado, o governo chinês indicou adicionalmente que esta deve ser a última vez que aumentará as suas barreiras de importações contra os EUA, mesmo diante de novos aumentos pela Casa Branca. Ainda assim, o ambiente de tensão persiste, com o governo chinês reiterando que poderá adotar outras formas de retaliação e reafirmando sua disposição de sustentar o embate “até o fim”. Nesse cenário, prevalece a preocupação quanto aos efeitos negativos da instabilidade e da imprevisibilidade das políticas comerciais sobre o crescimento econômico global, com possíveis repercussões mais acentuadas no mercado doméstico norte-americano. Dessa forma, os investidores acompanham também a divulgação da leitura preliminar do índice de confiança do consumidor referente ao mês de março, elaborado pela Universidade de Michigan (Umich), que poderá oferecer novos sinais sobre a percepção dos agentes econômicos diante do ambiente de incertezas no país. Caso os dados corroborem os temores vigentes, especialmente considerando a escalada recente das disputas comerciais, o sentimento de aversão global ao risco tende a ser reforçado, com consequente pressão sobre ativos considerados arriscados, como commodities, ações e moedas de países emergentes, como o real.
PPI nos EUA recua acima do esperado Ainda nos Estados Unidos, destaca-se adicionalmente a divulgação do Índice de Preços ao Produtor (PPI) de março no país, que surpreendeu ao registrar uma retração de 0,4% em seu índice cheio, contrariando a mediana das estimativas, que apontava para uma alta de 0,2%. O núcleo do indicador, que exclui os componentes voláteis de alimentação e energia, também apresentou desempenho abaixo das expectativas, com recuo de 0,1%, frente à projeção mediana de avanço de 0,3%. Embora a contenção inflacionária seja um dos principais objetivos do Federal Reserve, desacelerações acentuadas como as verificadas tanto no índice de preços ao consumidor (CPI), divulgado ontem, quanto no PPI, de hoje, podem reforçar a percepção de um possível processo de arrefecimento mais intenso da atividade econômica nos Estados Unidos. No entanto, especialmente no caso do PPI, a tendência nos próximos meses deverá ser acompanhada com atenção, uma vez que as barreiras comerciais impostas pelos EUA podem pressionar os custos da indústria e, posteriormente, refletir em repasses aos preços ao consumidor. Diante desse panorama, a divulgação do PPI contribui para o aumento da aversão ao risco e favorece a busca por ativos considerados “porto-seguro”, como o iene japonês, o franco suíço e o euro, exercendo pressão adicional sobre moedas de economias emergentes, entre elas o real.
TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS




